Depois de uma semana marcada por temperaturas mais frescas e por condições meteorológicas com características claramente outonais, Portugal continental prepara-se para uma mudança brusca do estado do tempo. Esta terça-feira, 1 de setembro, marca o início de uma subida gradual das temperaturas que deverá ganhar força a partir de quarta-feira e atingir o ponto máximo na quinta-feira, 3 de setembro, quando os termómetros poderão chegar aos 40 ºC em algumas capitais de distrito e aos 42 ºC em determinados locais do Ribatejo e do interior alentejano. As previsões são do portal especializado Tempo.pt.
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O episódio de calor deverá ser relativamente curto, mas suficientemente intenso para provocar temperaturas muito acima do habitual para o início de setembro em várias regiões de Portugal continental. Além das máximas elevadas, também estão previstas noites tropicais em extensas áreas do território, sobretudo a partir de quinta-feira e durante o fim de semana.
A mudança acontece depois do período de tempo fresco registado na semana passada, associado à entrada de uma massa de ar polar marítimo. Nos primeiros dias de setembro, a situação meteorológica inverte-se progressivamente com o estabelecimento de uma nova cúpula de calor, especialmente entre quarta-feira, 2 de setembro, e sexta-feira, 4 de setembro.
Uma massa de ar muito quente vai atingir Portugal
A subida das temperaturas está relacionada com a presença de uma poderosa crista, ou dorsal, que se estenderá desde Marrocos e pela Península Ibérica até ao oeste de França. Esta configuração favorecerá o aquecimento da massa de ar por subsidência, enquanto uma pequena bolsa de ar frio que surgirá a oeste da Península Ibérica contribuirá para reforçar a entrada de ar quente proveniente do Norte de África.
O resultado será uma nova cúpula de calor sobre Portugal continental, com a massa de ar quente a favorecer uma subida particularmente expressiva das temperaturas no interior. O cenário será semelhante ao padrão meteorológico que afetou várias zonas da Europa Ocidental e Meridional nos últimos meses, embora Portugal tenha ficado afastado desse tipo de episódios na maioria das ocasiões.
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A subsidência associada à dorsal subtropical e à persistência do anticiclone funcionará como uma espécie de “tampa” atmosférica, dificultando a renovação do ar e contribuindo para a acumulação de calor junto à superfície.
A massa de ar invulgarmente quente estender-se-á desde Marrocos até ao oeste de França, num contexto compatível com a presença de uma dorsal subtropical persistente. É neste enquadramento que Portugal continental ficará abrangido pelo episódio de calor que marcará os primeiros dias de setembro.
Terça-feira ainda será de transição, mas o calor começa a ganhar força
A mudança não acontecerá de forma instantânea. Ao longo desta terça-feira, 1 de setembro, e ainda durante os primeiros momentos da semana, a influência marítima continuará a moderar as temperaturas sobretudo junto ao litoral Norte e Centro.
A circulação de norte e noroeste mantém condições mais frescas e ventosas nas zonas costeiras, enquanto o interior e o Sul terão temperaturas mais elevadas e céu pouco nublado ou limpo.
O contraste entre litoral e interior será particularmente evidente. Nos primeiros dias da semana, as máximas poderão situar-se entre os 21 e os 25 ºC em parte do litoral Norte e Centro, enquanto no interior alentejano os termómetros poderão chegar aos 30 ou 31 ºC, sobretudo em Évora e Beja.
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O vento de norte e noroeste deverá também marcar o início da semana, com um reforço durante a tarde na faixa ocidental. No litoral Centro e na região de Lisboa, as rajadas poderão aproximar-se dos 40 km/h.
A partir de quarta-feira, contudo, a situação começa a alterar-se de forma muito mais evidente.
Quarta-feira marca o início da subida acentuada das temperaturas
O reforço da dorsal em altitude e a alteração da circulação junto à superfície deverão permitir a entrada de uma massa de ar mais quente sobre Portugal continental.
Para quarta-feira, 2 de setembro, são esperadas máximas que poderão atingir os 34 ºC em Évora e Beja e os 33 ºC em Castelo Branco e Portalegre. Lisboa poderá chegar aos 30 ºC.
Ao mesmo tempo, o vento deverá perder intensidade face aos dias anteriores, com rajadas geralmente até 30 km/h, favorecendo uma sensação de aquecimento mais evidente.
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A subida deverá ser particularmente notória no interior, embora também se faça sentir junto ao litoral. As regiões costeiras do Norte e Centro continuarão, contudo, com valores mais moderados.
Évora e Beja poderão atingir 35 ºC na quarta-feira segundo uma das previsões apresentadas, enquanto as cidades costeiras do Norte deverão manter-se bastante abaixo desse patamar, não ultrapassando os 25 ºC.
Quinta-feira, 3 de setembro, deverá ser o dia mais quente
O verdadeiro pico do episódio está previsto para quinta-feira, 3 de setembro. Será nesse dia que a cúpula de calor deverá atingir Portugal continental com maior intensidade e maior abrangência geográfica.
Évora e Beja poderão chegar aos 40 ºC, enquanto Castelo Branco, Portalegre e Santarém deverão aproximar-se dos 38 ou 39 ºC. No entanto, as temperaturas mais elevadas não ficarão limitadas às capitais de distrito.
Vários pontos do Ribatejo e do Alentejo poderão atingir os 42 ºC, colocando estas regiões no centro do episódio de calor. Na Beira Baixa, alguns locais poderão chegar aos 41 ºC, enquanto no Vale do Douro estão previstas máximas de 39 ºC.
Entre as localidades onde os termómetros poderão atingir valores entre os 40 e os 42 ºC estão Abrantes, Tomar, Ponte de Sor, Avis, Mora, Cuba, Moura e Serpa.
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As anomalias térmicas serão igualmente expressivas. Em várias localidades, as temperaturas poderão ficar até 11 ºC acima do que seria expectável para a época do ano.
O calor terá, por isso, uma expressão particularmente forte no interior, mas a subida também será sentida junto ao litoral. Na quinta-feira, Porto poderá chegar aos 29 ºC, Aveiro aos 28 ºC, Leiria aos 30 ºC e Lisboa aos 35 ºC, de acordo com as previsões apresentadas.
Apenas Viana do Castelo, Porto e Aveiro deverão permanecer abaixo dos 30 ºC entre as capitais distritais, com máximas previstas de 25 ºC, 29 ºC e 28 ºC, respetivamente.
Tudo indica, assim, que quinta-feira será o dia mais quente da semana em Portugal continental, quer pela intensidade das temperaturas, quer pela extensão territorial afetada.
Interior alentejano e Ribatejo serão as zonas mais quentes
Embora o episódio tenha uma dimensão nacional, o calor será particularmente intenso no interior alentejano e no Ribatejo.
Évora e Beja estarão entre as capitais de distrito mais quentes, com máximas na ordem dos 40 ºC. Em algumas zonas do Alentejo e do Ribatejo, os valores poderão mesmo ultrapassar esse patamar e chegar aos 42 ºC.
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A Beira Baixa também ficará sujeita a temperaturas muito elevadas, com alguns locais a poderem atingir os 41 ºC, enquanto o Vale do Douro poderá chegar aos 39 ºC.
No conjunto das regiões do interior e no Algarve, as temperaturas desta semana poderão ficar entre 1 e 3 ºC acima da média habitual para o início de setembro, traduzindo-se em anomalias térmicas significativas.
No Sul, sobretudo a sul do Tejo, haverá ainda a presença de poeiras provenientes do Saara. A intrusão de poeiras deverá deixar o céu mais turvo no Baixo Alentejo e no Algarve e poderá limitar ligeiramente a subida das temperaturas durante as horas mais quentes do dia.
Noites tropicais vão atingir uma área cada vez maior
O calor não ficará limitado às horas de maior insolação. Quinta-feira, sexta-feira, 4 de setembro, e sábado, 5 de setembro, deverão também ser marcados por temperaturas noturnas elevadas, com previsão de noites tropicais em vastas zonas de Portugal continental.
Inicialmente, este fenómeno deverá afetar sobretudo as regiões a sul do Tejo, mas posteriormente poderá estender-se a uma área muito maior, abrangendo grande parte do Centro e uma parcela significativa da região Norte.
Em algumas zonas do Sotavento Algarvio, do Alentejo e até da Beira Alta, as temperaturas poderão não descer dos 24 ou 25 ºC durante a noite.
O cenário significa que, em determinados locais, o calor continuará presente durante a madrugada, dificultando uma recuperação térmica significativa entre os períodos de maior temperatura durante o dia.
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Sexta-feira traz algum alívio, mas ainda haverá muito calor
Depois do pico de quinta-feira, a situação deverá mudar rapidamente. Na sexta-feira, 4 de setembro, está prevista uma descida acentuada das temperaturas, sobretudo no Sul e ao longo da faixa litoral.
Ainda assim, o calor não desaparecerá de imediato de todo o território. Uma das zonas que poderá continuar com valores particularmente elevados será o Vale do Douro, onde a previsão aponta para uma máxima de 40 ºC.
Entre as capitais de distrito mais quentes estarão Bragança, Castelo Branco e Évora, com valores na ordem dos 34 ºC. Lisboa e Porto poderão ficar pelos 23 ºC.
Outra previsão aponta para cerca de 40 ºC em Beja, 39 ºC em Évora, 38 ºC em Portalegre e 37 ºC em Castelo Branco, enquanto no litoral as máximas poderão chegar aos 29 ºC no Porto, 28 ºC em Aveiro, 35 ºC em Leiria e 33 ºC em Lisboa.
A sexta-feira deverá permanecer maioritariamente seca, embora não esteja totalmente afastada a possibilidade de aguaceiros fracos e muito localizados ao final da tarde na serra de Monchique e na zona de Santana da Serra.
Sábado mantém a tendência de descida em grande parte do país
No sábado, 5 de setembro, deverá verificar-se uma ligeira subida das temperaturas no Sul, enquanto o interior Norte deverá registar uma descida.
Apesar da redução dos valores face ao pico de quinta-feira, uma boa parte do Alentejo poderá continuar com temperaturas superiores a 35 ºC.
No Norte, Vila Real poderá destacar-se como a capital de distrito mais quente, com uma máxima prevista de 32 ºC.
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A tendência para os dias seguintes deverá ser de temperaturas mais contidas, depois do episódio de calor intenso previsto para os primeiros dias de setembro.
Açores terão uma semana mais húmida
Enquanto o continente enfrenta a subida das temperaturas, o cenário meteorológico será diferente nos Açores.
No arquipélago açoriano poderá chover um pouco em praticamente todos os dias, embora a precipitação tenha tendência para se intensificar na reta final da semana.
Sexta-feira, 4 de setembro, e sábado, 5 de setembro, serão os dias em maior destaque devido à passagem de sistemas frontais associados a uma depressão atlântica.
Assim, a estabilidade que dominará grande parte de Portugal continental não deverá ter a mesma expressão no arquipélago dos Açores, onde a precipitação continuará a marcar o início de setembro.
Madeira terá aguaceiros e temperaturas mais elevadas
Na Madeira, entre o início da semana e sábado, 5 de setembro, estão previstos aguaceiros intermitentes, geralmente fracos e dispersos.
A precipitação deverá ocorrer com maior frequência na vertente norte e nas zonas montanhosas da ilha da Madeira.
Em simultâneo, o calor tenderá a intensificar-se gradualmente no arquipélago, com temperaturas máximas iguais ou superiores a 27 ºC em alguns pontos.
Depois de uma sexta-feira, 4 de setembro, ainda quente, mas já marcada por uma descida substancial das temperaturas, também na Madeira a evolução meteorológica dependerá da progressiva alteração das condições atmosféricas.
Poderão surgir aguaceiros e trovoadas no Norte e Centro
A previsão para o final da semana apresenta ainda alguma incerteza em Portugal continental, sobretudo para sexta-feira e sábado.
O modelo ECMWF, apresentado como o modelo de maior confiança na previsão, aponta para a possibilidade de um vale depressionário atravessar o noroeste da Península Ibérica.
Se este cenário se confirmar, a instabilidade atmosférica poderá aumentar e criar condições para a ocorrência de aguaceiros e trovoadas no interior das regiões Norte e Centro.
Trata-se, contudo, de uma possibilidade que ainda poderá sofrer alterações nas próximas atualizações. A intensidade e a distribuição geográfica da precipitação do tipo convectivo continuam sujeitas a uma incerteza elevada, pelo que a evolução do cenário terá de ser acompanhada à medida que a previsão for atualizada.
Um episódio curto, mas com calor muito intenso
O início de setembro fica, assim, marcado por uma mudança rápida do padrão meteorológico em Portugal continental. Depois de dias com influência marítima, vento e temperaturas relativamente moderadas, a entrada de ar mais quente deverá provocar uma subida acentuada a partir desta terça-feira e, sobretudo, de quarta para quinta-feira.
O dia 3 de setembro deverá concentrar o pico do episódio, com máximas de 40 ºC em Évora e Beja, valores próximos ou superiores a 40 ºC em várias zonas do interior e possibilidade de atingir 42 ºC no Ribatejo e no interior alentejano.
A intensidade do calor deverá ser acompanhada por noites tropicais numa área progressivamente maior do território. O alívio chegará rapidamente a partir de sexta-feira em muitas regiões, embora o calor continue forte em alguns pontos, nomeadamente no Vale do Douro e no Alentejo.
A previsão aponta, portanto, para um episódio de calor intenso e de curta duração, inserido numa mudança significativa das condições atmosféricas que marca os primeiros dias de setembro em Portugal.