Setor produtivo do DF pede harmonia para salvar BRB - 17/09/2026 - Finanças - C-Level

Brasília

Cinco entidades que representam o setor produtivo do Distrito Federal pediram, em manifesto divulgado nesta quinta-feira (17), “diálogo institucional” e “cooperação harmoniosa” em busca de uma solução para salvar o BRB (Banco de Brasília) de crise ligada ao escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

O posicionamento ocorre um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter acusado a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) de cinismo e ter dito que o governo federal não ajudará na recuperação financeira do BRB.

Em reação à fala de Lula, Celina disse em suas redes sociais que Lula quer "quebrar o BRB". "Pensei que o DF fizesse parte da República Federativa do Brasil, mas para ele, não. Age como presidente de um partido. Lamento que aja assim", escreveu.

Fachada de vidro com porta automática da agência BRB em prédio comercial. Interior com balcão de atendimento visível e pessoas sentadas em mesas ao fundo.
Sede do BRB (Banco de Brasília) - Gabriela Biló - 4.abr.25/Folhapress

No documento, as entidades ressaltam o papel do banco no financiamento de empresas, na oferta de crédito, na criação de empregos e no suporte a serviços e programas públicos e prometem colaborar para o restabelecimento da solidez do BRB.

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"Reconhecemos que a recuperação da instituição demanda rigor técnico e apuração responsável por parte das autoridades competentes perante eventuais irregularidades. Da mesma forma, ressaltamos a relevância da responsabilidade institucional na condução de alternativas que garantam a estabilidade do banco, a continuidade de suas operações e a proteção dos interesses de toda a sociedade", afirmam.

"Entendemos que as decisões relativas ao BRB devem fundar-se em critérios estritamente técnicos e de governança, de forma independente em relação a debates partidários ou calendários eleitorais. As instituições de desenvolvimento permanecem para além de mandatos e governos, integrando o patrimônio econômico de Brasília", continuam.

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O manifesto é assinado por Ademi-DF (Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal), Asbraco (Associação Brasileira de Construtores), Codese/DF (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal), Fecomércio-DF (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal) e Sinduscon-DF (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal).

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O BRB enfrenta uma crise de capital e de liquidez após a compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. Para salvar a instituição o Governo do Distrito Federal tenta destravar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Um acordo firmado no STF (Supremo Tribunal Federal) definiu que as principais instituições financeiras do país seriam fiadoras da operação, e as contragarantias (para ressarcir os bancos em caso de inadimplência) viriam dos recursos provenientes do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Esse desenho, porém, não avançou. O Governo do DF, então, entrou com uma nova ação pedindo ao Supremo que obrigue a União a ser fiadora de um empréstimo para socorrer o BRB. O ministro do STF Luiz Fux deu 15 dias sucessivos, ou seja, até 45 dias, para que o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestem sobre o pedido.