Sismo. Europa reafirma compromisso de acompanhar afetados na Venezuela

"Desde o primeiro momento, a Europa não hesitou em estar ao lado do povo venezuelano e do povo de La Guaira. Mobilizámo-nos imediatamente, enviando equipas de busca e salvamento, assistência médica de emergência e organizando pontes aéreas humanitárias para fazer chegar a ajuda onde mais era necessária", disse na sexta-feira Gilles Bertrand

O representante da UE falava no Teatro Pedro Elías Gutiérrez de La Guaira, o estado venezuelano mais afetado do país, durante o IV Eurofestival de Jazz, tendo destacado a resiliência da população e o papel da solidariedade internacional e reafirmando o compromisso da Europa em acompanhar os venezuelanos no processo de reconstrução.

"Hoje completam-se quase 100 dias do duplo terramoto que mudou para sempre a vida de tantas famílias. Cem dias de dor e de profundos desafios, mas também e, acima de tudo, de uma coragem admirável, de uma resiliência extraordinária e de um espírito de solidariedade que nos enche de respeito", frisou.

O diplomata explicou que, "num esforço coordenado para dar resposta" à emergência, a União Europeia já destinou "15 milhões de euros à resposta e ao apoio nas zonas afetadas".

"Coordenámos a ajuda de 19 países europeus. Foram mobilizadas 12 equipas de busca e salvamento, e mais de 5.700 pessoas receberam cuidados médicos em Caracas e La Guaira, graças às equipas médicas que chegaram de quatro dos nossos países", disse, sem detalhar a origem.

Explicou ainda que a UE coordenou também cinco voos com 220 toneladas de ajuda humanitária.

"Mas sabemos igualmente que a reconstrução não se resume apenas a materiais e a betão. A reconstrução passa também por acompanhar a alma de uma comunidade, por partilhar e acompanhar a dor, e por renovar a esperança (…) O caminho que têm pela frente exige perseverança, mas não estão sozinhos e, da parte da União Europeia, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para continuar ao vosso lado", disse.

Por outro lado, o embaixador português em Caracas, Manuel Frederico Pinheiro da Silva, transmitiu "um abraço sincero de respeito, fraternidade e proximidade" entre portugueses e venezuelanos, sublinhando que "Portugal e a Venezuela partilham laços históricos, sociais e culturais indestrutíveis".

"Não podemos nem queremos esquecer os momentos de angústia e dificuldade que as famílias deste querido Estado viveram na sequência do catastrófico sismo de 24 de junho passado. Sabemos bem, porque já aqui estivemos muitas vezes, da força, da coragem e da determinação com que a comunidade de La Guaira enfrentou e continua a enfrentar os desafios da reconstrução e recuperação dos seus lares, dos seus modos de vida e das suas próprias vidas", explicou.

O IV Festival Euro-venezuelano de Jazz arrancou a 18 de setembro e prolonga-se até 04 de outubro, reunindo músicos de oito países, entre os quais Portugal, em solidariedade com os afetados pelo duplo sismo de junho.

O festival reúne ainda artistas da Alemanha, Itália, Bélgica, Países Baixos, Polónia, Suíça e da Venezuela, sob o lema "Unidos na diversidade, unidos na solidariedade".

Com dois concertos e uma 'master class', a cantora Sofia Ribeiro representa Portugal, ao lado do pianista colombiano Juan Andrés Ospina.

Os sismis de 24 de junho causaram danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.

Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

Leia Também: ONU e Delcy Rodríguez discutem regresso de migrantes e terramotos