O stock de óculos certificados para assistir ao eclipse vai ser reforçado nas farmácias na manhã de dia 12 de agosto, dia do fenómeno astronómico. “Há algumas entregas que poderão ser feitas ainda amanhã de manhã, para o resto do dia”, refere ao Observador Ema Paulino, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF).
Segundo o presidente da Ciência Viva, 600 óticas Club da Visão distribuíram “centenas de milhares” de óculos gratuitos através de uma parceria com a ZEISS. Questionada pelo Observador, a Ciência Viva não indicou o número exato de óculos disponibilizados gratuitamente; em Espanha, onde vivem cerca de 49 milhões de pessoas, o governo e a organização Grupo Social ONCE ofereceram dois milhões de óculos.
A 6 de agosto, a ANF emitiu uma circular a referir que, face à escassez nas óticas, as farmácias podiam vender estes artigos desde que devidamente certificados. Mas não é fácil obtê-los.
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Na manhã da véspera do eclipse, o Observador procurou os óculos em três farmácias da freguesia de Alvalade, em Lisboa, mas nenhuma os tinha. Alexandra Matos, diretora técnica da farmácia Alentejo, diz ter feito “todos os esforços” junto dos fornecedores, mas nunca obteve “qualquer resposta”.
A 100 metros, na farmácia Alvalade Saúde, a também diretora técnica Sílvia Beirão tem dado a mesma resposta a “imensas pessoas” que perguntam pelos óculos. “Não tenho, nem previsão de quando chegam.” Após ter contactado todos os fornecedores que conhece, chegou a ponderar recorrer a encomendas da Amazon. No entanto, “não quis arriscar” por não ter a certeza de que cumpriam todas as normas de segurança. Já a farmácia Marbel encomendou 50 unidades “que nunca chegaram”, conta o farmacêutico Guilherme Brito.
Ema Paulino adianta que tem sido possível fazer encomendas a fornecedores tanto em Portugal, como dentro da União Europeia, “mais especificamente, em Espanha, que são os que têm entrega mais rápida”. “Quando começaram os relatos de rutura dos óculos gratuitos nas óticas é que as farmácias foram identificar fornecedores que pudessem entregar os óculos com os devidos certificados de conformidade”, explica. Às farmácias, coube primeiramente o papel de “sensibilização da população” para a necessidade de uso dos óculos.
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A decisão de vender os óculos cabe não à ANF, mas a cada farmácia individualmente. “Os fornecedores podem ter prazos de entrega diferentes e limitações em termos do stock disponível para as farmácias”, afirma. Contudo, mesmo que a reposição dos stocks não seja suficiente para todos quantos queiram ter óculos, “um par pode dar para várias pessoas”.
“Os óculos não vão poder ser utilizados durante todo o dia, porque são completamente opacos e não permitem a uma pessoa estar a andar, ou a trabalhar, ou o que seja”, ressalva a presidente da ANF. “Um par de óculos pode ser partilhado dentro do mesmo agregado familiar, dentro da mesma empresa… Eu compreendo que as pessoas queiram ter essa liberdade individual de utilizar os óculos quando entenderem, e daí esta procura maior. Diria que quem não conseguir adquirir ou ter acesso a uns óculos até ao eclipse, deverá não olhar diretamente para o sol e solicitar a alguém que os tenha para os poder utilizar durante poucos minutos.”
Miguel Lume, da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), partilha da mesma opinião. “Os óculos podem ser partilhados. O ideal teria sido preparar o mercado a responder adequadamente e proporcionar mais óculos de proteção, mas nesta situação, o que nós aconselhamos é a partilha, mas nunca visualizar o eclipse sem proteção, e a observação indireta.”
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Quanto a esta última alternativa, o também coordenador do grupo de Retina e Vítreo da SPO sugere “furar uma cartolina ou um cartão com um lápis ou uma caneta e observar o feixe de luz que passa pelo buraco numa superfície branca”.
No site do Eclipse 2026, “estão disponíveis informações sobre o fenómeno, locais de observação e formas seguras de acompanhar o eclipse”, afirma Pedro Russo ao Observador. “Entre esses recursos incluem-se também alternativas à observação direta, como instruções para construir projetores de eclipse com materiais do dia a dia para observar o fenómeno de forma indireta e segura”, sublinha.
As pessoas podem também recorrer a telescópios e binóculos se e só se tiverem filtros apropriados nas objetivas. Os óculos foram também colocados à venda em supermercados, lojas especializadas e outras grandes superfícies e, no site Eclipse 2026, são elencados alguns exemplos de locais que vendem óculos certificados. O par deve estar identificado com a norma ISO 12312-2 e a marca CE.
Miguel Lume lamenta que a SPO não tenha sido ouvida pela comissão organizadora que dinamizou a entrega gratuita dos óculos, mas considera que deveria ter sido o mercado a adaptar-se à procura, não o Governo. “Depende da sociedade civil. Imaginar que agora o Estado tem que mandar produzir óculos com a proteção adequada e distribuir pela população, não me parece muito razoável.”
Também em 1999, quando à semelhança das óticas as farmácias distribuíram óculos de forma gratuita, Ema Paulino recorda “uma grande corrida” aos mesmos. As pessoas “estão disponíveis para pagar e de facto houve aqui um cálculo que não foi o melhor por parte do próprio mercado”, considera o oftalmologista Miguel Lume, que relaciona as férias e a consequente mobilização das pessoas com a “sobrecarga do mercado de forma assimétrica”.
Uma coisa é certa: ver o eclipse de forma direta, só com os equipamentos adequados, ou corre-se o risco de sofrer uma “retinopatia solar”. Ao olhar para um eclipse, não são desencadeados “mecanismos fisiológicos de aversão solar” como desviar o olhar, pestanejar, ou a diminuição da pupila. A luz torna-se lesiva e a retina é exposta a uma “lesão fotoquímica” que leva à morte das células fotorrecetoras, explica o oftalmologista Miguel Lume ao Observador. Por isso, horas depois de uma exposição lesiva à luz do sol, as pessoas podem ver “manchas escuras no campo de visão”, sentir-se “encandeadas”, ou notar uma distorção das imagens ou das cores. Apesar de não haver estudos completos sobre percentagens, Miguel Lume estima que “cerca de 20% dos casos acabam por ter uma visão muito baixa”: cerca de 30%.
[O espião português suspeito de vender segredos à Rússia voa para Roma e as autoridades estão determinadas a não o deixar escapar. Na capital italiana, Carvalhão Gil é seguido pelos inspetores e vai mostrar que todos os anos passados ao serviço do SIS o tornaram mestre na arte da contravigilância. Quando recebem a confirmação de que o espião russo também acaba de aterrar em Roma, as autoridades têm a certeza de que vai acontecer um novo encontro entre os dois. A grande questão é: onde? Já pode ouvir o terceiro episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]