Vídeo: Suplente ao Senado é chute em ocorrência da PM em SC | G1

Em nota, o comando da PM disse que a situação ocorreu após uma denúncia de som alto. Afirmou que as circunstâncias da ocorrência serão apuradas em um inquérito, mas não detalhou se os agentes foram ou serão afastados durante a investigação.

Fernanda teria se apresentado como defensora de um motorista envolvido na ocorrência, para orientá-lo sobre o caso quando as agressões começaram. Após ser imobilizada, a advogada foi levada para a delegacia com outros envolvidos e liberada.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da cidade e a presidência nacional do PT afirmaram que presta apoio à colega. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e o Ministério Público (MP) também se manifestaram e afirmaram que acompanham o caso (íntegra das notas no fim do texto).

‘A violência não tem nenhuma justificativa’, diz Fernanda

Fernanda Klitzke conversou com a NSC TV neste domingo (13) e relatou o que aconteceu antes e durante as agressões flagradas em vídeo. Disse que foi surpreendida pela violência e que não tentou resistir à prisão.

“Foi inicialmente um mata-leão, foi para uma policial feminina. E eu todo o tempo sempre pedi calma, pedi paciência, pedi para que a gente pudesse conversar com as mãos inclusive levantadas, à amostra. E quando eu senti que eu ia desmaiar com o mata-leão, até entreguei as minhas mãos, acabei levando um chute e caí no chão. A partir daí, ele disparou alguns tiros. Não foi só em mim, também foi em outra pessoa que estava junto ali na rua também. Teve outros disparos em direção a outras pessoas, mas em mim foi pelo três tiros".

Fernanda disse também que está abalada emocionalmente e que desde o momento das agressões tem recebido apoio de colegas de partido e que está buscando as providências para apuração. Reitera que em nenhum momento reagiu à abordagem.

“A violência não tem nenhuma justificativa, ainda mais a violência por partes de quem deve nos proteger, né? Eu sou advogada, me apresentei a todo instante como advogada, fui algemada, foi colocada em camburão, sofri violência, agressão, sofri um mata-leão também”, completou.

Imagem mostra corpo de suplente após ação em Jaraguá do Sul — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Conforme o relatório da Polícia Militar, os agentes foram acionados por volta das 20h15 para atender a uma ocorrência de perturbação do sossego e ameaça na cidade. A guarnição chegou até a moradora que disse ter sido ameaçada após solicitar a redução do volume do som de um veículo estacionado na frente de casa.

Segundo ela, o volume excessivo havia provocado agitação do filho, que possui transtorno do espectro autista (TEA). "Ainda conforme a solicitante, após ser questionado sobre o volume do som, um homem teria adotado comportamento agressivo e avançado em sua direção, levando-a a retornar para o interior da residência", disse a PM.

Suplente ao Senado é agredida em ocorrência policial — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A partir das informações, os policiais procuraram e encontraram o homem indicado pela moradora em uma residência próxima. Durante a abordagem, segundo o registro policial, o homem teria apresentado resistência e passou a proferir ofensas contra a equipe, sendo dada voz de prisão.

"Durante a condução do homem, outras pessoas que estavam no local passaram a interferir na ação policial. Segundo os policiais, duas mulheres intervieram fisicamente na condução dos envolvidos. Em decorrência da intervenção, uma policial militar sofreu lesão na mão e posteriormente recebeu atendimento médico", afirmou o comando da PM em nota à imprensa.

Após a contenção, três pessoas foram conduzidas à Delegacia de Polícia para os procedimentos cabíveis.

Fernanda é 2ª suplente na chapa ao Senado de Décio Lima (PT). Após ser liberada da delegacia, a advogada precisou receber atendimento médico.

O candidato ao governo de Santa Catarina pela mesma coligação com o PT, Gelson Merisio (PSB), informou que acionou a presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) para solicitar providências e apuração urgente do episódio.

A presidência nacional do PT também se manifestou sobre o ocorrido, através de nota assinada pelo presidente Edinho Silva. No texto, considera o episódio como gravíssimo e cobra apuração rigorosa. “O PT não aceitará violência política, e principalmente contra a mulher” (confira a íntegra da nota mais abaixo).

O que disse a OAB

A Subseção da OAB de Jaraguá do Sul, por meio de sua Diretoria, vem a público informar que, desde os primeiros momentos, acompanha atentamente a ocorrência envolvendo a advogada Fernanda Klitzke, prestando à colega todo o apoio institucional necessário e mantendo contato permanente com o Sistema Estadual de Defesa das Prerrogativas da OAB/SC.

A Diretoria reafirma que nenhuma divergência ou circunstância pode legitimar o desrespeito à lei, tampouco justificar condutas marcadas por truculência, abuso ou excesso. Da mesma forma, conclusões precipitadas, seja em relação à advogada, seja em relação a qualquer pessoa envolvida, não contribuem para o adequado esclarecimento dos fatos e podem conduzir a injustiças que somente a observância da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal é capaz de evitar.

A Subseção renova sua confiança nas instituições de segurança pública e seguirá acompanhando atentamente a evolução dos fatos, adotando, no âmbito de suas atribuições, todas as providências necessárias à defesa das prerrogativas profissionais e ao pleno esclarecimento da ocorrência.

Eventuais excessos ou abusos praticados por agentes específicos devem ser devidamente investigados, com a necessária individualização das condutas e responsabilidades, asseguradas a todos as garantias legais e, uma vez comprovadas eventuais irregularidades, aplicadas as medidas cabíveis com o rigor que a situação exigir.

A defesa intransigente das prerrogativas da advocacia, o respeito às instituições e a observância do devido processo legal são compromissos que devem caminhar lado a lado.

O que disse a PM

Na noite deste sábado (12), por volta das 20h15min, a Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego e ameaça, em Jaraguá do Sul.

Conforme informações preliminares, no local, a guarnição fez contato com a solicitante, que relatou ter sido ameaçada após pedir a redução do volume do som de um veículo estacionado em frente à sua residência. Segundo seu relato, o volume excessivo do som havia provocado intensa agitação em seu filho, que possui transtorno do espectro autista (TEA).

Ainda conforme a solicitante, após ser questionado sobre o volume do som, um homem teria adotado comportamento agressivo e avançado em sua direção, levando-a a retornar para o interior da residência.

A partir das informações recebidas, os policiais realizaram diligências e localizaram o homem indicado pela solicitante em uma residência nas proximidades. Durante a abordagem, segundo o registro policial, o envolvido apresentou resistência às determinações dos policiais e passou a proferir ofensas contra a equipe, sendo dada voz de prisão.

Durante a condução do homem, outras pessoas que estavam no local passaram a interferir na ação policial. Segundo os policiais, duas mulheres intervieram fisicamente na condução dos envolvidos. Em decorrência da intervenção uma policial militar sofreu lesão na mão e posteriormente recebeu atendimento médico.

Após a contenção, três pessoas foram conduzidas à Delegacia de Polícia para os procedimentos cabíveis.

A Polícia Militar informa que os fatos foram devidamente registrados e que o emprego da força será submetido aos procedimentos institucionais de análise e controle, conforme previsto na legislação e nas normas que disciplinam a atuação policial.

Em razão da complexidade da ocorrência e da necessidade do emprego do uso da força, a Polícia Militar informa que os fatos serão integralmente apurados pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, que adotará as providências necessárias à análise das circunstâncias da ocorrência e da atuação policial.

O que disse a presidência nacional do PT

“O PT repudia a violência política sofrida pela advogada Fernanda Klitzke, candidata a suplente ao Senado na chapa de Décio Lima, neste sábado (12), em Jaraguá do Sul (SC).

As imagens e os relatos sobre o episódio são gravíssimos e exigem esclarecimento imediato. Fernanda foi derrubada, agredida e atingida por disparos de bala de borracha enquanto exercia sua prerrogativa de advogada ao acompanhar a abordagem realizada no local.

É imprescindível uma apuração rigorosa, célere e transparente de toda a ocorrência, inclusive para esclarecer se houve qualquer motivação ou tratamento de natureza política.

O PT não aceitará violência política e principalmente contra a mulher.”

O que disse o TRE

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), no cumprimento de sua missão de zelar pela lisura e integridade do pleito — e sob os pilares do projeto Diálogo e Paz —, reafirma seu compromisso com a garantia de um processo eleitoral seguro, pacífico e plenamente inclusivo.

A Presidência do TRE-SC acompanha com atenção os desdobramentos dos episódios registrados em Jaraguá do Sul, na data de ontem, envolvendo a candidata a suplente ao Senado Fernanda Klitzke, confiando na célere e transparente apuração dos fatos pelas autoridades competentes.

Reiteramos que a força do processo democrático reside na preservação dos direitos fundamentais e no uso ininterrupto do diálogo e do respeito às leis, valores indispensáveis para a construção de uma sociedade livre e próspera.

Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina

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