Supremo de Israel intima líder de partido árabe a retirar candidatura

"Recomendamos que Abu Shehadeh se retire da corrida [eleitoral]", anunciou o tribunal, de acordo com vídeos publicados da audiência em Jerusalém citados pela agência espanhola EFE.

Amit afirmou que a maioria dos juízes do tribunal estava a favor de desqualificar Shehadeh, que lidera uma formação que representa os palestinianos de Israel.

O anúncio foi feito após uma audiência em que se debateu o veto eleitoral a formações e candidatos árabes para as eleições de 27 de outubro.

O tribunal informou Shehadeh de que deve anunciar se aceita retirar-se até às 08:00 locais (06:00 em Lisboa) de sexta-feira, confirmou à EFE o gabinete jurídico Adalah, que representa os partidos árabes vetados para as eleições.

A Comissão Eleitoral Central (CEC), composta por uma representação proporcional dos deputados israelitas e controlado, portanto, pela coligação governamental de Benjamin Netanyahu, invalidou na semana passada a candidatura de Shehadeh.

A CEC acusou Shehadeh de "apoiar as ações de uma organização terrorista contra Israel", devido a um artigo que escreveu após os ataques do grupo radical palestiniano Hamas de 07 de outubro de 2023.

No artigo, que Shehadeh publicou em 08 de outubro de 2023, o candidato descreve os ataques do Hamas como "um acontecimento histórico importante do ponto de vista militar, político e estratégico".

Durante a audiência, Shehadeh refutou a acusação de que apoia o conflito armado contra Israel, citando os 30 anos de ativismo na defesa dos direitos humanos.

De acordo com o jornal Haaretz, um dos juízes perguntou-lhe se considera o Hamas uma organização terrorista, ao que respondeu: "O Hamas, como organização, realiza muitos atos terroristas aos quais me oponho".

O Supremo deve debater agora a inabilitação de Ofer Cassif, candidato judeu por outro partido árabe, Hadash, acusado de negar a existência de Israel como Estado democrático e de descrever a ofensiva israelita em Gaza como genocídio.

Também vai debater a inabilitação de duas listas árabes que se apresentaram às eleições de outubro.

Uma delas é a Hadash-Ta'al, também conhecida como Lista Conjunta, que inclui desde a esquerda árabe-judaica e comunista do Hadash até ao nacionalismo árabe do Balad e ao enquadramento mais pragmático do Ta'al.

A outra, Ra'am, fez parte da coligação de governo dos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid (2021-2022).

O Supremo vai decidir sobre os recursos a estas inabilitações no domingo, dia de trabalho em Israel, de acordo com o Adalah.

Embora o comité eleitoral tenha votado a favor de desqualificar Abu Shehadeh e Ofer Cassif, rejeitou um pedido semelhante apresentado contra o líder do Otzma Yehudit (Poder Judaico), o ultranacionalista e colono Itamar Ben Gvir.

Atual ministro da Segurança Nacional, Ben Gvir defendeu repetidamente a aniquilação de Gaza e a pena de morte contra os palestinianos.

Ben Gvir esteve presente na audiência de hoje e considerou que a proposta do Supremo para Shehadeh era "demasiado misericordiosa".

Defendeu que não se devia dar a Shehadeh a possibilidade de renunciar, mas sim inabilitá-lo diretamente.

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