Taiwan realiza exercício para simular defesa contra desembarque chinês

O exercício, que faz parte das manobras militares anuais de Taiwan, conhecidas como Han Kuang, decorreu numa base naval da cidade de Kaohsiung, mobilizou navios portadores de mísseis, veículos lança-mísseis e radares móveis, juntamente com unidades de forças especiais, e contou com a presença do Presidente taiwanês, William Lai Ching-te, e do ministro da Defesa, Wellington Koo, entre outros altos cargos.

A operação começou com a saída de emergência das Kuang Hua VI, embarcações concebidas para o combate de proximidade que podem transportar até quatro mísseis antinavios Hsiung Feng II, o que as torna ideais para atacar os navios que se aproximem das costas taiwanesas.

A partir do passadiço de comando de uma destas embarcações, Lai dirigiu uma mensagem através do sistema de amplificação de voz aos oficiais e marinheiros da Marinha, na qual lembrou que o objetivo das manobras Han Kuang é pôr à prova "a capacidade de comando e coordenação, de reação perante o combate e de defesa do território nacional".

"Exorto-vos a responder com determinação durante as manobras e a reforçar a coordenação e a cooperação, pois só assim poderão fazer face a todo o tipo de situações e salvaguardar, com um poder de combate firme, a soberania do país e a segurança do povo", declarou o chefe de Estado.

Após este primeiro simulacro, unidades de forças especiais a bordo de quatro lanchas de assalto realizaram um exercício de defesa costeira numa praia próxima da base.

Kaohsiung, a terceira cidade mais povoada de Taiwan, com cerca de três milhões de habitantes, não só concentra boa parte das forças navais da ilha, como também alberga o terminal de gás natural liquefeito de Yongan, o que a torna um dos alvos prioritários de Pequim em caso de ataque.

As manobras Han Kuang, que começaram na quarta-feira e se prolongam até 14 de agosto, procuram verificar o estado de preparação das tropas taiwanesas perante uma eventual tentativa de invasão da China, que reclama a ilha como sua e não descarta o uso da força para assumir o seu controlo.

Durante estes exercícios, as Forças Armadas recriam uma ampla variedade de situações bélicas, entre as quais se destacam as operações de contrabloqueio marítimo, a dispersão das linhas de produção de armamento em tempo de guerra e a proteção de infraestruturas críticas.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e não exclui o uso da força para colocar a ilha sob o seu controlo. Nos últimos anos, intensificou a pressão militar, enviando quase diariamente aviões e navios de guerra para as proximidades do território.

O parlamento taiwanês aprovou recentemente um orçamento suplementar de 24,8 mil milhões de dólares (21,4 mil milhões de euros) para a aquisição de armamento norte-americano, abaixo dos 40 mil milhões de dólares (34,6 mil milhões de euros) propostos pelo Presidente William Lai.

O Governo de Taiwan aguarda ainda a aprovação, por parte de Washington, de um novo pacote de venda de armas no valor de 14 mil milhões de dólares (12,1 mil milhões de euros), cuja autorização está pendente há vários meses.

Taiwan obtém a maioria do seu equipamento militar junto dos Estados Unidos, principal aliado informal da ilha perante as reivindicações territoriais da China.

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