TAP aposta na defesa para crescer negócio da manutenção e privatização pode ajudar

Manutenção de aviões no hangar 6 do Campus da TAP.Hugo Amaral/ECO

A defesa não é uma área nova para a TAP. Há 39 anos que tem um contrato de manutenção dos AWACS da NATO, aviões militares que funcionam como estações de radar e centros de comando. O futuro passa por fazer crescer este negócio, o que passará pelo apoio à defesa nacional e a colaboração em parcerias estratégicas para a Europa. A privatização também poderá dar asas a esta aposta, diz a companhia aérea ao ECO.

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A TAP vê no reforço do investimento em defesa na Europa “oportunidades notáveis”. “Em termos de posicionamento estratégico, no que toca às atividades de manutenção, engenharia e suporte técnico, incluindo áreas como a formação técnica, a TAP M&E desenvolveu e mantém contactos com diversos parceiros institucionais e industriais do setor, quer a nível nacional como internacional, alavancando as reconhecidas capacidades técnicas, experiência comprovada e localização privilegiada”, afirma a companhia aérea em resposta ao ECO.

O futuro passará pelo apoio à defesa nacional e colaboração em programas internacionais, através de parcerias estratégicas para a Europa“, acrescenta. A TAP pretende fazê-lo capitalizando “a competência acumulada ao longo de décadas” em áreas como a manutenção de componentes, trens de aterragem, APU (sigla em inglês para as unidades auxiliares de energia). Isto tanto para aviões como para helicópteros. “A manutenção de motores também está a ser avaliada”, avança a empresa.

Esta é uma área que já é trabalhada pela transportadora portuguesa há várias décadas. Desde 1987 que existe um contrato com a NATO, inicialmente para a realização de modificações nos aviões B707-E3 AWACS. Estas aeronaves que são os “olhos no céu” da Aliança Atlântica, destacam-se por serem um dos raros meios militares que pertencem e são operados diretamente pela NATO, embora existam Estados-membros que também os tenham. Portugal é um dos 16 países que fazem parte do NATO Airborne Early Warning and Control Programme Management Organisation, que opera uma frota de 14 AWACS. A manutenção por parte da TAP estendeu-se depois às revisões gerais dos motores e dos trens de aterragem e outros componentes hidráulicos.

Um AWACS da NATO durante uma missão de vigilância.

A atividade da TAP M&E para clientes da defesa abrange “serviços de calibrações de equipamentos e ferramentas, bem como a maquinação e tratamentos eletrolíticos de peças”, explica a companhia aérea, acrescentando que manteve no passado um “longo e duradouro contrato com um Ministério da Defesa de um país europeu, por mais de 10 anos, fornecendo dois Airbus A340, formação de pilotos, apoio às operações e manutenção total, com equipas sediadas no local e a acompanhar as missões dessa Força Aérea por todo o mundo”.

“Posicionamo-nos como um parceiro robusto para apoiar a defesa nacional, e os programas que exijam elevados padrões de qualidade, segurança e fiabilidade, tanto no mercado nacional como internacional”, diz a TAP.

Um desses programas poderá ser a aquisição das aeronaves que vão substituir os F-16 da Força Aérea Portuguesa, num negócio que pode envolver 14 a 28 aviões e valer entre 3 e 5 mil milhões de euros. Há três construtores que já se posicionaram — Lockeed Martin, Saab e Eurofighter — sendo que todos estão a usar o envolvimento da indústria portuguesa — incluindo a manutenção em Portugal — como argumento competitivo. Iván González Expósito, campaing manager de Combat Air Systems Sales do consórcio Eurofighter, nomeou especificamente a TAP numa entrevista ao ECO em maio.

Manutenção dos motores dos aviões na oficina do Campus da TAPHugo Amaral/ECO

Privatização pode dar asas ao negócio

A manutenção e engenharia tem dado um contributo crescente para os resultados da TAP, com o volume de negócios a quase duplicar entre 2022 e 2025, para os 262 milhões, o equivalente a 6,1% das receitas totais da TAP. O contributo para o resultado operacional é ainda maior, chegando aos 12,4%, o que espelha uma margem de rentabilidade (12,1%) que foi mais do dobro da do transporte aéreo (5,6%) no ano passado.

Um negócio que a companhia pretende aumentar com o investimento de 20 milhões num novo hub de manutenção no aeroporto Francisco Sá Carneiro, que deverá estar a funcionar em 2028. Está ainda a avaliar a abertura de uma nova unidade na zona de Lisboa.

A expansão da atividade de manutenção e engenharia da TAP é uma das exigências do caderno de encargos da privatização de 49,9% da companhia aérea. Um requisito que os dois grupos que apresentaram propostas vinculativas, a Air France-KLM e a Lufthansa, estão em condições de cumprir, já que têm negócios robustos neste domínio, com o crescimento a poder passar também pela defesa.

“Numa vertente puramente nacional, a TAP M&E já apresenta a capacidade e competência necessárias para expandir e apoiar o segmento de defesa. No entanto, os dois candidatos à privatização da TAP desenvolvem atividades de manutenção para a defesa de forma bastante consolidada, pelo que a entrada de um destes parceiros estratégicos poderá representar uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento de negócios na defesa, contribuindo para o reforço da capacidade comercial e posicionamento competitivo da TAP M&E”, responde a companhia aérea ao ECO.

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