Tartaruga com fita de plástico salva nos Açores. "Impacto da poluição"

Um grupo de investigadores dos Açores salvou, na segunda-feira, 17 de agosto, uma tartaruga caretta-caretta de uma fita de plástico presa à carapaça e que já lhe estava a provocar lesões.

O anúncio foi feito através das redes sociais pelo Okeanos - Instituto de Investigação em Ciências do Mar e Azores Marine Litter Research Lab.

"A nossa equipa juntou-se à equipa da Costa para mais um dia de trabalho em campo. As nossas duas equipas colaboraram há mais de uma década, trabalham juntas para melhor entender e proteger o ambiente marinho dos Açores", começam por dizer, numa partilha feita no Facebook, revelando o que aconteceu na viagem.

"Encontrámos uma tartaruga de caretta caretta atormentada por uma fita de plástico. Conseguimos trazer a tartaruga a bordo de forma segura e remover com sucesso o plástico, que já estava a causar lesões. Felizmente, encontrámos a tartaruga a tempo, e esperamos que ela se recupere logo", explicam, aproveitando o momento para alertar aa população para o impacto da poluição nos oceanos.

"Este encontro é um poderoso lembrete dos impactos da poluição plástica na vida selvagem marinha. Nos últimos anos, a nossa equipa de Pesquisa de Lixo Marinho dos Açores, junto com os colegas da Costa e outros investigadores, tem estudado o emaranhado de detritos marinhos na fauna marinha e documentou o quão vulneráveis são estes animais à poluição plástica em nossos oceanos. Cada pedaço de lixo é conta. Impedir a entrada de plástico no oceano é essencial para proteger a vida selvagem marinha", enfatizaram.

Peanut, símbolo da luta contra o plástico

Se os investigadores não tivessem salvo a tartaruga caretta-caretta a tempo, podia-lhe acontecer algo semelhante a Peanut. Ou ainda mais grave.

Peanut é uma tartaruga-de-orelha-vermelha (Trachemys scripta elegans), com mais de 40 anos, que se tornou num verdadeiro símbolo mundial da luta contra a poluição de plástico.

A sua história é emocionante. Peanut viu o seu casco ser deformado depois de ter ficado presa num anel de plástico (de uma lata) e ter vivido dessa forma durante anos, enquanto crescia.

Em 1993, a tartaruga foi resgatado por moradores e levada para o Jardim Zoológico de St. Louis, onde veterinários retiraram o plástico. No entanto, os danos já eram irreversíveis e o  seu casco ficou para sempre com a forma de um amendoím, daí o seu nome.

Além da carapaça, os seus órgãos também ficaram comprometidos. Por isso Peanut não pode voltar à natureza. Desde então, ela está sob cuidado do Departamento de Conservação do Missouri, que cuida da sua sobrevivência há décadas.

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