Em Dumont (SP), o produtor Mário Donegá estima prejuízo de cerca de R$ 35 milhões. Segundo ele, a sede usada para armazenar amendoim foi atingida, e um galpão onde ficavam maquinários caiu.
“Não temos uma previsão exata de tudo, mas calcula-se um prejuízo em torno de R$ 35 milhões, entre infraestrutura, amendoim armazenado e maquinário”, disse.
Em Taquaritinga (SP), o produtor de cana-de-açúcar Mário Lemos, afirmou que o temporal atingiu áreas de plantio, soqueira e instalações da propriedade. Segundo ele, o impacto na lavoura ainda não pode ser medido com precisão, pois dependerá de como a plantação irá se recuperar dos danos causados pela chuva, vento e granizo.
Produtores da região de Ribeirão Preto (SP) relatam prejuízo milionário após temporal — Foto: Arquivo pessoal
O governo de São Paulo anunciou, nesta terça-feira (28), R$ 400 milhões em crédito emergencial para empresas e produtores rurais atingidos pelos temporais. Os financiamentos serão oferecidos pela Desenvolve SP, agência de fomento do Estado, a empreendimentos de cidades com decreto de situação de emergência homologado pelo governo estadual.
Galpões e máquinas destruídos em Dumont
Donegá produz amendoim em propriedades espalhadas pela região e afirma plantar cerca de 800 alqueires. Segundo ele, o principal prejuízo não foi no campo, mas nas estruturas usadas para armazenar a produção.
O produtor disse que o amendoim estava dentro do galpão atingido pelo temporal. Outro barracão, usado para guardar maquinários, também foi destruído.
“Esse galpão é de armazenamento, e o amendoim estava todo dentro dele. Tem o galpão atrás, que fica os maquinários, que também foi para o chão. Esse perdeu 100%”, afirmou.
Segundo Donegá, áreas de cana também foram afetadas, mas o impacto é considerado menor diante dos danos provocados nas estruturas e nos equipamentos.
Prejuízos ultrapassam R$ 30 milhões para produtor de amendoim em Dumont (SP) — Foto: Arquivo pessoal
LEIA TAMBÉM
Prejuízo na cana ainda é incerto em Taquaritinga
Plantações de cana-de-açúcar destruídas na região de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Divulgação
Na Fazenda Pavão, em Taquaritinga, Mário Lemos disse que a família ainda faz levantamentos para acionar o seguro e entender quais danos poderão ser cobertos.
Segundo o produtor, duas áreas de vivência foram danificadas e estão em reforma. O restante dos maquinários ainda passa por avaliação.
“A produção não tem seguro. É meio incalculável saber o tanto que foi prejudicada essa questão da produção de cana, porque isso a gente só vai saber com o tempo, se essa cana vai ficar viva ou não, ou se vai ter que replantar tudo”, afirmou.
Segundo a produtora Lais Helena Veiga Lemos, esposa de Mário Lemos, oito pessoas trabalhavam em uma frente de colheita no momento do temporal. Apesar do susto, ninguém ficou ferido, segundo a família.
Ela relatou ainda que árvores caíram, a fiação foi danificada e parte da sede da fazenda foi atingida.
“A gente nunca passou por isso antes. A família é de produtor rural há mais de 80 anos”, disse.
Orplana estima até 40 mil hectares de cana atingidos
Informações preliminares da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) indicam que a área afetada pelo temporal, considerando mapas e monitoramento das usinas, chegou a aproximadamente 105 mil hectares.
A entidade estima que, dentro desse total, entre 30 mil e 40 mil hectares de cana-de-açúcar tenham sido atingidos na região de Ribeirão Preto.
A Orplana ressalta, no entanto, que os danos variam conforme a área. Em alguns pontos, a cana ficou severamente destruída; em outros, deitou com o vento; e há regiões em que os efeitos foram menores.
Produtores da região de Ribeirão Preto (SP) ainda calculam prejuízos após temporal na região — Foto: Arquivo pessoal
Governador cita 79 mil hectares afetados
Na segunda-feira (27), durante evento na Coopercitrus, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que uma estimativa inicial do Estado apontava 79 mil hectares afetados pelo temporal na região.
Segundo ele, os danos foram registrados em municípios como Taquaritinga, Guariba, Barrinha, Pradópolis, Dumont e Ribeirão Preto.
“É impressionante o tamanho do estrago. Difícil quantificar neste momento”, disse o governador.
Tarcísio também afirmou que produtores rurais perderam estufas, pomares, estruturas de armazenagem e silos. Segundo ele, os ventos chegaram a 160 km/h, e 54 torres de transmissão foram derrubadas.
Como será o crédito emergencial
Segundo o governo estadual, os R$ 400 milhões serão liberados em duas linhas de crédito pela Desenvolve SP.
A linha de investimento será voltada à recuperação dos danos causados pelo vendaval e ao capital de giro associado. O prazo de pagamento será de até dez anos, com até três anos de carência e taxa a partir de 5% ao ano, mais IPCA.
A linha poderá financiar construção e reforma de galpões, compra de máquinas e equipamentos, reconstrução ou implantação de estufas e obras ligadas à atividade produtiva.
A segunda linha será de capital de giro, com valor financiável de até R$ 500 mil, prazo de até três anos, carência de até seis meses e taxa a partir de 5% ao ano, mais IPCA.
As condições valem para empresas de municípios com decreto de situação de emergência homologado pelo governo do Estado.
As solicitações poderão ser feitas por meio de formulário no site da Desenvolve SP.
Prefeituras também poderão pedir financiamento
Prefeituras das cidades afetadas que tiverem decreto de situação de emergência homologado pelo governo estadual também poderão solicitar crédito.
Segundo o governo, o limite será de até R$ 118 milhões por município, respeitadas as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal e a capacidade de contratação de crédito de cada prefeitura.