Tensão volta a disparar em Hormuz: Irão prepara nova zona de exclusão, ameaça navios e petróleo aproxima-se dos 100 dólares

O Irão prepara-se para impor novas restrições à navegação numa das regiões mais importantes para o abastecimento energético mundial, numa altura em que os combates com os Estados Unidos voltaram a intensificar-se e o preço do petróleo está novamente a aproximar-se dos 100 dólares por barril.

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Teerão anunciou que vai criar nos próximos dias uma nova zona restrita no Golfo, junto ao Estreito de Hormuz, e avisou que qualquer navio que entre nessa área será colocado numa lista iraniana de sanções.

O anúncio surge depois de um fim de semana marcado por novos ataques entre os EUA e o Irão, incluindo ataques americanos contra três petroleiros iranianos e disparos iranianos contra navios de guerra dos EUA.

A tensão já chegou aos mercados: o Brent negociava esta segunda-feira acima dos 97 dólares por barril e o tráfego de navios de mercadorias através de Hormuz caiu para o nível mais baixo desde maio, segundo dados citados pela ‘Reuters’.

Irão vai desenhar uma nova zona restrita

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O anúncio foi feito por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, numa entrevista à televisão estatal.

Segundo Rezaei, a nova área começará na linha onde se inicia o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irão e prolongar-se-á por zonas do Golfo.

Os limites concretos ainda não foram divulgados.

“Qualquer navio que entre nesta nova zona será colocado na lista de sanções”, afirmou o responsável iraniano.

Teerão prepara igualmente novos mapas com as rotas autorizadas para atravessar o Estreito de Hormuz.

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Segundo Rezaei, está a ser finalizado com Omã um novo corredor internacional que passará por águas iranianas e omanitas e cuja gestão contará com a participação do Irão.

“Só abriremos” quando os EUA pararem

Teerão liga diretamente a reabertura plena de Hormuz ao fim das ações americanas contra o país.

“Só nos comprometeremos com a abertura do Estreito de Hormuz quando eles [os americanos] pararem a sabotagem, as ameaças e os ataques contra o Irão”, afirmou Rezaei.

O estreito continua aberto a alguma navegação, mas muito longe dos níveis anteriores à guerra.

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Antes do início do conflito, cerca de 20 milhões de barris de petróleo passavam diariamente por esta ligação entre o Golfo e o Golfo de Omã.

Atualmente, os EUA estimam que estejam a passar mais de nove milhões de barris por dia.

De mais de 130 navios para apenas 10 por dia

A quebra torna-se ainda mais evidente quando se olha para o número de embarcações.

Antes da guerra, mais de 130 navios atravessavam diariamente o Estreito de Hormuz.

Dados da empresa de análise marítima Kpler citados esta segunda-feira indicam que, nos últimos dez dias, passaram em média apenas 10 navios de mercadorias por dia.

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É o valor mais baixo desde maio.

Apesar das restrições, a navegação não parou completamente. O centro britânico United Kingdom Maritime Trade Operations contabilizou 59 embarcações a atravessar Hormuz durante as 48 horas anteriores a domingo.

Os números diferem consoante o tipo de navio contabilizado, mas mostram uma circulação muito inferior à existente antes do conflito.

EUA atacaram três petroleiros iranianos

A nova ameaça iraniana surge depois de mais uma escalada militar durante o fim de semana.

As forças dos EUA atacaram no sábado três petroleiros iranianos, segundo o Comando Central americano, incluindo um ao largo da ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irão.

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Washington apresentou os ataques como resposta a ações da Guarda Revolucionária iraniana contra forças americanas na região.

O Irão lançou também um míssil balístico em direção a navios de guerra dos EUA que patrulhavam a região de Hormuz.

Teerão chegou a afirmar ter atingido uma embarcação militar americana não tripulada, mas o Comando Central dos EUA negou a versão iraniana e classificou-a como falsa.

Seis meses de guerra e negociações bloqueadas

A escalada ocorre cerca de seis meses depois de ataques dos EUA e de Israel contra o Irão terem desencadeado o atual conflito.

Um entendimento preliminar alcançado em junho permitiu reduzir temporariamente as hostilidades, mas acabou por se desfazer e os esforços diplomáticos para recuperar um processo de paz têm produzido poucos resultados.

Depois de uma redução das operações militares durante grande parte de agosto, os ataques de ambos os lados regressaram.

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Hormuz continua a ser uma das principais armas de pressão de Teerão.

Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo consumido mundialmente passava por este corredor marítimo, o que significa que qualquer perturbação prolongada tem capacidade para afetar rapidamente as cotações internacionais.

Petróleo volta a aproximar-se dos 100 dólares

E o efeito já se sente.

O Brent subia esta segunda-feira para mais de 97 dólares por barril, prolongando os fortes ganhos da semana passada.

A aproximação à barreira psicológica dos 100 dólares reflete o receio de novas perturbações na oferta, sobretudo se os ataques a petroleiros aumentarem ou a passagem por Hormuz voltar a ser ainda mais limitada.

Para o Irão, controlar ou tornar perigosa a circulação pelo estreito permite pressionar os EUA e simultaneamente colocar pressão sobre o mercado energético mundial.

Para Washington, garantir a circulação de petroleiros tornou-se por isso uma das prioridades militares na região.

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A questão agora é saber até onde Teerão pretende levar a nova “zona restrita” — e, sobretudo, o que acontecerá a um navio que decida ignorá-la.