"As vezes que ele me abraçava, na verdade, eu não queria. Porque ele queria me acochar, queria me trazer muito para perto de seu corpo. E às vezes eu tentava sair, só que ele insistia, tentando pegar na minha cintura", contou.
O caso aconteceu em 19 de maio na academia ElevaFit. Três dias depois, a vítima registrou um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher de Olinda. O instrutor foi identificado como Felipe Gomes da Silva. O g1 tenta contato com a defesa dele.
"Fiquei irritada, fiquei nervosa, porque eu nunca tinha passado por isso. Mas ele ficou dizendo que era só brincadeira, porque era 'resenha' da gente. [...] Eu via, presenciava, sempre vi ele com muita intimidade com outras mulheres, rindo muito na academia, gritando, com brincadeiras", disse a professora.
Nas imagens, a mulher aparece encostada numa rampa enquanto o instrutor se aproxima. Ela baixa a cabeça e o homem a segura pela cintura. Ela faz sinal negativo com a cabeça e tenta se desvencilhar, mas o instrutor a agarra e morde nas costas. Depois, a derruba nos próprios braços. Quando ele a solta, a mulher sai andando, pega um papel e limpa o local da mordida (veja vídeo abaixo).

Professora denuncia assédio após ser mordida e agarrada por instrutor de academia
Após a denúncia, o professor foi demitido da academia, mas, três meses depois do ocorrido, a denunciante disse que viu o homem trabalhando novamente no local, na quarta-feira (19).
"Foi horrível, porque eu não esperava que isso tivesse acontecido. Levei um choque, parecia que eu estava entrando num filme de terror, voltando para aquela sensação. Parece que foi uma besteira para algumas pessoas. Para mim, não foi", declarou.
Procurada, a academia ElevaFit informou que o instrutor não foi recontratado ou readmitido, mas que profissionais da equipe precisaram se afastar por questões médicas e que a gestão tentou encontrar substitutos, mas não conseguiu, e por isso chamou o ex-funcionário "excepcionalmente para a cobertura de duas diárias" (veja resposta abaixo).
"É como se o que fiz fosse errado"
Para a professora, a falta de resultados e providências em relação ao caso, tanto na academia quanto na investigação criminal, gera um grande receio e um sentimento de indignação.
"É como se o que eu fiz fosse errado, e eu não deveria ter feito aquilo, porque eu não estava certa em denunciar alguém que me mordeu. [...] Sinto um pouco de medo da repercussão, medo de algo ruim acontecer a minha família. E eu sinto muito receio, como se eu estivesse errada, como se fosse errado o que fiz, de me sentir isolada, até mesmo às vezes triste, porque não tenho total apoio das pessoas ao meu redor", afirmou.
A advogada Carla Barros, que representa a vítima, disse considerar que o instrutor deve ser investigado pelos crimes de assédio sexual e lesão corporal.
"É uma situação que fala da sociedade de maneira geral. A gente pode falar da esfera criminal, da esfera cível, mas, acima de tudo, a gente fala da segurança da mulher, uma mulher que somente estava cumprindo sua rotina, buscando se exercitar. A partir de agora, a gente espera que o caso corra na medida correta do que deve acontecer para que, futuramente, se torne um processo judicial", falou.
A jovem afirmou que ainda enfrenta julgamentos por ter feito a denúncia. "Só queria que as pessoas entendessem que eu não tive nenhum tipo de intimidade com ele. Eu não era próxima, não cheguei a ter nenhum tipo de intimidade. E me colocar em um local onde eu não estava é muito ruim. Eu não sou assim", disse.
Professora denunciou assédio após ser mordida por instrutor de academia no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo
O que diz a academia
Por meio de nota, a ElevaFit informou que a atuação do profissional ocorreu "de maneira excepcional e temporária, sem qualquer reintegração ao quadro da academia", e que em maio, assim que tomou conhecimento do caso, "adotou as providências cabíveis, inclusive com o desligamento do profissional, além de prestar assistência à aluna e disponibilizar as imagens do ocorrido".
"A instituição não compactua com a conduta relatada e permanece à disposição para colaborar com a aluna e com as autoridades competentes. [...] Reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus alunos e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários", diz a nota da academia", declarou.
Momento em que professora é agarrada e mordida por instrutor de academia no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp