Segundo o jornal Kyiv Independent, o tiroteio ocorreu pela manhã durante uma investigação sobre um alegado plano terrorista contra o comandante adjunto do Corpo de Voluntários Russos - que luta do lado da Ucrânia -, Stepan Kaplunov.
Kaplunov teria sido alegadamente raptado quando se deslocou até Kyiv para as comemorações da Independência da Ucrânia, a 24 de agosto, por "indivíduos desconhecidos no pátio da sua casa", escreveu o Corpo de Voluntários Russos no Telegram.
De acordo com a Procuradoria-Geral da Ucrânia, os agentes do SBU foram atacados por "uma das unidades das Forças de Defesa da Ucrânia" enquanto conduziam uma investigação.
"Durante as ações de investigação no âmbito do processo relativo ao ato terrorista do [Serviço Federal de Segurança russo] FSB da Federação Russa, ocorreu um ataque armado contra agentes da SBU", pode ler-se numa publicação no Telegram da procuradoria ucraniana.
O conselheiro presidencial ucraniano, Dmytro Lytvyn, confirmou que as duas unidades envolvidas foram de facto a SBU e os serviços secretos militares ucranianos (GUR), segundo o Kyiv Independent, acrescentando que o Presidente, Volodymyr Zelensky, exigiu esclarecimentos aos líderes dos respetivos serviços secretos.
O SBU também tinha afirmado anteriormente num comunicado que os seus agentes de operações especiais Alfa estavam a realizar uma rusga no âmbito de uma operação destinada a impedir um ataque terrorista do FSB russo.
Os militares que se confrontaram com os agentes do SBU foram desarmados e detidos, segundo o comunicado do SBU, que reconhece que os membros do grupo Alfa se viram obrigados a utilizar as suas armas.
Já o advogado de Kaplunov, Taras Vorovski, acusou os agentes do grupo de operações especiais Alfa do SBU de se dirigem à residência do seu cliente para plantar provas incriminatórias, num vídeo publicado no Telegram.
Vorovski mostra no vídeo "camaradas" de Kaplunov vestidos à civil e explica que estes se deslocaram ao local após terem sido avisados da presença dos agentes da SBU.
O advogado de Kaplunov repreende, no vídeo, os agentes armados da SBU por se terem deslocado à residência do seu cliente sem o terem informado, na sua qualidade de advogado.
Num primeiro comunicado emitido esta manhã, logo de madrugada, pelo SBU, os serviços secretos ucranianos afirmaram ter frustrado, em conjunto com o GUR, um "ataque terrorista" dos serviços secretos russos contra "um dos líderes do movimento nacionalista da oposição russa que chegou à Ucrânia por ocasião do Dia da Independência", a 24 de agosto.
Os incidentes violentos entre a SBU e o GUR não são inéditos, de acordo com o Kyiv Independent.
Em março de 2022, um mês após a invasão russa, o corpo de um banqueiro foi atirado de uma carrinha no centro da capital ucraniana com um tiro na cabeça.
O homem, Denys Kireyev, trabalhava para o GUR e tinha fornecido informações sobre os planos iniciais do Kremlin de tomar Kiev.
Kireyev esteve depois envolvido nas negociações de paz entre Kiev e Moscovo ainda em 2022, mas tornou-se alvo de suspeitas de traição e de acusações de ser um agente duplo ao serviço da Rússia, segundo os media ucranianos.
Em 2023, o actual chefe de gabinete do Presidente ucraniano, Kyrylo Budanov, então chefe do GUR, negou que Kireyev estivesse a trabalhar para a Rússia e afirmou que este tinha sido morto por membros da SBU.
"Partilho da opinião e acredito nos factos de que o Sr. Kireyev foi morto no carro da SBU quando esta conduzia uma operação contra esta pessoa", afirmou, à data.
O Gabinete do Presidente, numa declaração de 2023, afirmou que a morte de Kireyev estava "ligada à fraca coordenação dos serviços especiais ucranianos no início da guerra", segundo o Kyiv Independent.
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