Adoção desta estratégia surge numa altura em que a Rússia procura reforçar rapidamente a sua defesa aérea
A Rússia está a replicar uma das estratégias mais inovadoras desenvolvidas pela Ucrânia no combate aéreo, recorrendo a aviões antigos equipados com drones intercetores para destruir aparelhos inimigos.
Depois de os ucranianos terem adaptado um Antonov An-28 com uma metralhadora de 7,62 milímetros e, mais tarde, com drones intercetores montados sob as asas para caçar drones Shahed russos, Moscovo decidiu seguir o mesmo caminho. Um vídeo divulgado recentemente mostra um Antonov An-2 e um Yakovlev Yak-52 russos armados com drones intercetores suspensos sob as asas.
Video from Russia’s BARS Sarmat Center of Yak-52 and An-2 aircraft used to launch UAS interceptors. https://t.co/flo1vqqHUK pic.twitter.com/UrT8vEaSJ8
— Rob Lee (@RALee85) July 19, 2026
Apesar de serem aeronaves antigas e relativamente lentas, o An-2, concebido na década de 1940, e o Yak-52, desenvolvido nos anos 70, destacam-se pela estabilidade, capacidade de manobra e baixos custos de operação. Em vez de substituírem os sistemas tradicionais de defesa aérea, estas aeronaves funcionam como complemento, sendo utilizadas para intercetar drones que voam a baixa altitude e a velocidades reduzidas, segundo o Euromaidan.
Os drones intercetores desempenham o papel de pequenos mísseis ar-ar, sendo lançados a vários quilómetros do alvo e guiados por um operador até embaterem diretamente contra os aparelhos ucranianos.
A adoção desta estratégia surge numa altura em que a Rússia procura reforçar rapidamente a sua defesa aérea. Segundo dados do grupo de análise ucraniano Tochnyii, entre junho e março, drones da Ucrânia atingiram cerca de mil sistemas de defesa antiaérea e infraestruturas associadas em território russo, abrindo brechas que facilitaram novos ataques a fábricas de munições e refinarias.
Atualmente, a Ucrânia lança mais de 11 mil drones de ataque por mês contra alvos em zonas ocupadas e no interior da Rússia, obrigando Moscovo a encontrar soluções mais económicas para proteger o seu espaço aéreo.
A utilização destes aviões permite ainda reservar os mísseis de defesa aérea, muito mais caros e cada vez mais escassos, para enfrentar ameaças mais difíceis, como os mísseis de cruzeiro FP-5 ucranianos. Ainda assim, esta solução está longe de ser infalível.
Tal como aconteceu com as aeronaves adaptadas pela Ucrânia, que perderam eficácia perante drones russos mais rápidos, também os russos poderão enfrentar dificuldades se Kiev aumentar a utilização de drones a jato, capazes de escapar às limitações destes aviões improvisados.