"Todos os Estados-membros demonstraram solidariedade para com Espanha, aplaudindo a gestão do Governo espanhol, do seu presidente, Pedro Sánchez, e do seu ministro do Interior", afirmou Laurent Nuñez, em conferência de imprensa após uma reunião informal dos ministros europeus com a pasta da Administração Interna, que decorreu por videoconferência e que foi convocada de emergência a pedido de Madrid e de outros 22 países da União Europeia (UE).
Segundo Nuñez, existiu "consenso" entre os participantes quanto ao apoio a Espanha, apesar de algumas divergências sobre a política migratória europeia e as medidas necessárias para evitar novas entradas em massa.
Os ministros concordaram igualmente que "Schengen não é o problema, mas sim parte da solução", acrescentou o responsável francês, garantindo que nenhum Estado-membro colocou em causa a permanência de Espanha no espaço europeu de livre circulação.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, tinha defendido na sexta-feira que a UE deveria considerar todas as opções perante a crise, incluindo uma eventual exclusão de Espanha do espaço Schengen.
Nuñez reconheceu que, durante a reunião, alguns países alertaram para a existência de políticas que podem funcionar como fatores de atração de migrantes, enquanto Espanha e outros Estados rejeitaram divisões no interior da UE.
O ministro francês sublinhou ainda que nenhum dos migrantes que entrou em Ceuta, enclave espanhol no Norte de África, em 30 de julho chegou à Europa continental.
Paris decidiu, contudo, reforçar os controlos na fronteira franco-espanhola para evitar eventuais "movimentos secundários" de migrantes que possam entrar em França e posteriormente tentar chegar ao Reino Unido.
Além dos 334 agentes já mobilizados para a fronteira com Espanha, outros 186 serão destacados a partir de quarta-feira, anunciou Nuñez, acrescentando que também serão reforçados os controlos na fronteira francesa com Itália.
O responsável recordou que o Presidente francês, Emmanuel Macron, já tinha oferecido ajuda ao chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, durante uma conversa telefónica na sexta-feira.
Nuñez lamentou ainda que as imagens da entrada em massa de migrantes em Ceuta tenham sido utilizadas por "outros países para criticar a política migratória da UE e semear a discórdia".
Também a Dinamarca elogiou hoje a atuação das autoridades espanholas, apesar das posições críticas assumidas inicialmente por Copenhaga.
"Estou muito satisfeito com a rapidez com que Espanha agiu, mobilizando a polícia e o exército, e com o regresso de muitos migrantes a Marrocos", afirmou o ministro da Imigração e Integração dinamarquês, Morten Bodskov, após participar na reunião por videoconferência.
O ministro considerou, contudo, "insustentável" que dezenas de milhares de migrantes consigam atravessar uma fronteira externa da UE num curto período de tempo e defendeu um reforço dos mecanismos europeus de controlo.
"A pressão sobre as fronteiras externas da UE exige uma resposta imediata e firme de todos os países. Não aceitaremos uma repetição da situação de 2015. A imigração descontrolada é uma ameaça para a Europa e para a Dinamarca", declarou Bodskov.
No final da reunião, os ministros dos 27 manifestaram "firme solidariedade" com Espanha e elogiaram "a ação rápida e eficaz das autoridades espanholas em resposta à situação", segundo um comunicado do Conselho da UE.
Os Estados-membros chegaram igualmente a acordo sobre a necessidade de reforçar as fronteiras externas, intensificar o combate às redes de tráfico de migrantes, melhorar a capacidade de prevenção de novas crises e desenvolver "alianças sólidas com países terceiros".
Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha.
Pelo menos 75 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
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