Suspeito era conhecido da polícia "como membro de círculos islâmicos"
Está em curso uma enorme operação policial na Alemanha depois de um atacante ter conduzido uma carrinha contra uma multidão no maior evento LGBTQ+ de Berlim, antes de atacar pessoas com uma faca, matando uma pessoa e ferindo mais de duas dezenas, num incidente que as autoridades classificam como um ataque islamista.
O veículo atingiu pessoas que caminhavam no parque Tiergarten, no centro da capital alemã, junto ao local onde milhares de pessoas se tinham reunido para celebrar o evento do Orgulho.
Falando aos jornalistas na tarde de domingo, o ministro do Interior alemão, Alexander Donbrindt, descreveu o incidente como um ataque islamista, revelando que, além da pessoa morta, 29 pessoas ficaram feridas ou gravemente feridas.
O agressor estava armado com uma arma branca, provavelmente um machete, afirmou Donbrindt, acrescentando que outras pessoas que se encontravam no local também foram feridas pelo suspeito com essa arma.
O suspeito, identificado pela polícia como Abdul B., de 21 anos, era um cidadão alemão de origem libanesa, revelou Donbrindt, acrescentando que nasceu na Alemanha em 2005.
O suspeito era conhecido da polícia "como membro de círculos islâmicos" em Berlim, avançou a Associated Press, que citou um porta-voz da polícia, que não especificou a natureza desses círculos islâmicos.
O chanceler alemão Friedrich Merz condenou o incidente como um "ato hediondo" e um ataque à sociedade alemã.
O suspeito é "alegadamente responsável por ter ferido várias pessoas com um veículo em movimento", segundo uma declaração posteriormente publicada no site da polícia de Berlim.
A declaração refere ainda que uma ou mais pessoas terão saído do veículo após o impacto e que "além disso, várias pessoas terão sido feridas com armas brancas".
Testemunhas descreveram ter ouvido "um estrondo" enquanto o caos irrompia em Tiergarten, junto ao percurso por onde a marcha do Orgulho tinha passado anteriormente.
A polícia afirmou que uma carrinha atravessou o parque pouco antes das 22h00 e atropelou várias pessoas. Mais tarde, foi encontrada embatida contra uma árvore e abandonada.
"Houve um estrondo surdo… depois disso, ouviram-se alguns ruídos", afirmou uma testemunha.
"No início, não conseguíamos perceber de onde vinham os gritos, por causa da festa, da música e do ambiente. Só mais tarde percebemos exatamente o que se estava a passar, quando a polícia evacuou o parque com armas automáticas e nos pediu para irmos para casa."
"Busca intensiva"
Antes do incidente, as pessoas tinham celebrado pacificamente, marchando pela cidade durante horas, dançando ao som de música alta e aplaudindo os cerca de 80 carros alegóricos que participaram no desfile, segundo a AP.
Numa publicação na rede social X, a polícia apelou a todos para abandonarem imediatamente o local do evento após o ataque, enquanto ambulâncias e bombeiros prestavam assistência às vítimas, segundo uma tradução da agência Reuters.
"Estamos a realizar uma busca intensiva por possíveis suspeitos", afirmou o agente da polícia Florian Nath, num breve vídeo divulgado na conta da polícia de Berlim na rede X.
Berlim tem, há muito, a reputação de ser uma capital mundial dos direitos LGBTQ+, tendo acolhido a sua primeira parada Christopher Street Day, também conhecida como Orgulho de Berlim, em 1979. Um dos eventos do Orgulho mais influentes da Europa, reúne cerca de um milhão de apoiantes e defende os direitos, a visibilidade e a igualdade de tratamento das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, intersexo e queer.
Alfonso Pantisano, comissário para os assuntos LGBTQ+ do governo regional de Berlim, escreveu no Instagram na sequência do ataque: "A vocês, minha querida comunidade: sei que muitos de vocês estão com medo neste momento. Não vou adoçar a realidade - eu também estou. Mas não estão sozinhos neste medo, nesta dor e nesta raiva."
A rapper alemã Ikkimel, que atuou na noite de abertura do Orgulho de Berlim, na Porta de Brandemburgo, na sexta-feira, também recorreu ao Instagram para deixar uma mensagem de solidariedade:
"O amor nunca é o erro, o medo e o ódio nunca são a resposta. Por favor, por favor, mantenham-se fortes. Eu estarei sempre ao nosso lado."
Num discurso proferido no domingo após o ataque mortal, o chanceler Merz prometeu que haverá consequências e afirmou que a Alemanha permanecerá unida apesar das suas diferenças políticas. "Vamos pensar nas consequências, vamos defender a nossa liberdade", declarou.
Mais cedo, no domingo, Merz escreveu na rede X: "Centenas de milhares de pessoas de todo o mundo celebravam pacificamente no Christopher Street Day. Queriam que nos tratássemos uns aos outros com bondade e tolerância." Acrescentou: "Somos abertos e amantes da liberdade - e iremos preservá-la e defendê-la", prometendo que o ataque será investigado e perseguido "com o máximo rigor".
O presidente da Câmara de Berlim, Kai Wegner, manifestou-se chocado, afirmando que "após uma parada do Orgulho pacífica e vibrante, a manifestação por uma Berlim tolerante e pacífica foi atacada da forma mais brutal".
Acrescentou: "Berlim é a cidade da liberdade - e a nossa liberdade foi hoje atacada da forma mais horrível. Os meus pensamentos estão com as vítimas, as suas famílias e amigos."
A cidade ativou também uma linha telefónica de crise para pessoas que procuram amigos ou familiares desaparecidos, informou a AP.
No total, mais de 2.200 agentes da polícia estiveram de serviço em Berlim desde a manhã de sábado para proteger a parada do Orgulho e outros eventos LGBTQ+ na cidade, segundo a Reuters.