Universidade de Coimbra recorre à Inteligência Artificial na luta contra Alzheimer - 24 Notícias

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Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra está a desenvolver uma nova abordagem para combater a doença de Alzheimer, centrada numa proteína que poderá impedir a entrada e propagação da proteína tau nos neurónios.

O projeto é liderado por Nuno Apóstolo e envolve investigadores de diferentes áreas, numa combinação de biologia molecular, química e Inteligência Artificial. A equipa pretende perceber como funciona a proteína IgLON5 e encontrar moléculas capazes de reforçar o seu efeito protetor.

"Queremos travar a progressão da doença antes da morte dos neurónios", explica Nuno Apóstolo, citado pela Universidade de Coimbra. Os primeiros testes realizados em laboratório indicam que a presença de IgLON5 pode reduzir a entrada de tau tóxica nas células nervosas.

A tau é uma proteína presente normalmente nos neurónios, mas que, quando sofre alterações, pode formar agregados e espalhar-se entre células. Este processo está associado à neurodegeneração observada na doença de Alzheimer e noutras patologias.

A próxima fase do trabalho passa por analisar, através de métodos computacionais, a interação entre a IgLON5 e outra proteína, a LRP1, que está envolvida na entrada da tau nos neurónios.

Os investigadores querem utilizar estes dados para identificar moléculas que consigam potenciar a ação da IgLON5 e, dessa forma, dificultar a propagação da tau. A Inteligência Artificial surge como uma ferramenta para acelerar esta procura e selecionar estruturas com maior potencial para serem posteriormente testadas em laboratório.

O projeto recebeu o Prémio Inovação Bluepharma/Universidade de Coimbra, com um financiamento inicial de 20 mil euros. Poderá ainda receber mais 30 mil euros caso seja demonstrada a viabilidade da investigação para uma futura aplicação no mercado.

Apesar dos resultados iniciais, a investigação encontra-se ainda numa fase pré-clínica. Ou seja, não existe neste momento um tratamento baseado nesta descoberta disponível para pessoas com Alzheimer. Serão necessários novos estudos para confirmar o mecanismo e avaliar a sua segurança e eficácia antes de qualquer eventual utilização clínica.

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