A assinatura do contrato-programa que formaliza o arranque do Mestrado Integrado em Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) foi esta segunda-feira adiada, estando prevista para breve, adiantou o reitor da instituição, João Barroso.
A assinatura do contrato-programa pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e a UTAD estava prevista para esta segunda-feira, após a cerimónia de investidura do novo reitor da instituição, João Barroso.
Em declarações aos jornalistas, o responsável referiu que este é um dos assuntos urgentes a tratar, adiantando que o contrato-programa será assinado “brevemente”.
“Temos um novo ciclo que começa hoje, temos uma série de assuntos urgentes que têm de ser tratados pela universidade, nomeadamente a questão do Mestrado Integrado em Medicina, que brevemente assinaremos o contrato-programa com o senhor ministro, que virá à UTAD realizar a assinatura pública. A partir daí, teremos um novo ciclo de estudos na universidade, um ciclo que terá impacto, obviamente, em toda a universidade e nos entornos”, frisou João Barroso.
De acordo com o também docente da Escola de Ciências e Tecnologia da UTAD, o documento ainda não está finalizado devido a questões que, na sua ótica, não devem ser incluídas no contrato-programa herdado da reitoria cessante.
“Quando o senhor ministro me contactou e referiu que seria importante assinarmos o contrato-programa, e é importante [ser assinado], tive de trabalhar no sentido de ver o que estava neste [documento]. (…) O contrato-programa é de quatro anos, o curso é de seis, portanto, teremos um segundo contrato-programa. Há aspetos que eu inicialmente considerei que poderiam ser incluídos neste contrato-programa, mas que não fazem sentido, portanto, serão num segundo”, esclareceu.
João Barroso reiterou que este conjunto de questões não é estrutural e resulta “de uma interpretação mais próxima” do documento, garantindo que não vão “bloquear” a assinatura do contrato-programa.
“É só uma questão de reunir-nos, que é o que iríamos fazer hoje, se o ministro pudesse ter vindo hoje à UTAD, todos sabemos porque é que não veio, mas virá brevemente. Vamos marcar um dia e resolveremos esses aspetos”, assegurou o novo reitor.
O curso de Medicina arranca em setembro com 40 vagas e numa parceria com a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD).
O plano de estudos assenta o ensino em pequenos grupos, em casos clínicos e também na simulação, para o que será criado um centro de simulação na ULSTMAD, que agrega os hospitais de Vila Real, Chaves e Lamego e unidades de saúde de 21 concelhos.
O novo curso centra ainda atenções na humanização e na proximidade com o paciente, bem como nos cuidados de saúde primários e nos cuidados preventivos.
Este curso de Medicina foi acreditado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), por um período condicional de dois anos.
De olhos postos no futuro, João Barroso apontou ainda o seu foco às obras em curso nas residências de estudantes, ao relatório para a avaliação da academia, a uma reorganização interna e a uma revisão dos estatutos da instituição, estando prevista a criação de uma nova estrutura organizacional, assente num “modelo de faculdades”.
Relativamente ao impacto do processo de digitalização das provas nacionais, o novo reitor disse ter esperança que o impacto não seja “muito significativo” na colocação de estudantes no Ensino Superior, acreditando que “a segunda fase será mais concorrida”.
O responsável descartou, por agora, a necessidade de um ajuste ao calendário escolar.
O reitor da UTAD, João Barroso, toma esta segunda-feira posse depois de um impasse na constituição do Conselho Geral que durou mais de um ano.
João Barroso, 62 anos e professor catedrático, foi eleito a 29 de junho com 14 votos a favor e oito em branco, numa reunião do Conselho Geral com três ausências.
A UTAD viveu desde março de 2025 num impasse devido a uma divergência na designação dos membros cooptados do Conselho Geral, órgão que elege o reitor, que acabou nos tribunais e levou à intervenção do ministro da Educação.
O Conselho Geral ficou completo em abril, depois da tomada de posse dos membros eleitos e da eleição do presidente deste órgão, o advogado Ricardo Sá Fernandes.