A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações dos candidatos. Leia:
Leandro Grass (PT)
Leandro Grass, candidato ao governo do DF, em entrevista na TV Globo, em 14 de setembro de 2026 — Foto: TV Globo
"Só o Iges-DF está consumindo mais de R$ 1 bilhão por ano da saúde pública."
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- De acordo com o Portal de Informações e Transparência da Saúde do Distrito Federal, os contratos do Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) tiveram valor estimado superior a R$ 1 bilhão em 2024, 2025 e 2026.
- Em 2024, o valor estimado foi de R$ 1,56 bilhão. Em 2025, o montante previsto caiu para R$ 1,16 bilhão. Já em 2026, a estimativa é de R$ 1,15 bilhão.
- O Iges- DF é um instituto responsável por administrar 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e os hospitais de Base, de Santa Maria e da Cidade do Sol.
“Quando eu era da Secretaria de Educação, a gente tinha um dos melhores salários do Brasil. Hoje, a gente tem um dos piores salários do Brasil.”
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Leandro Grass foi servidor da Secretaria de Educação do Distrito Federal, ocupando o cargo de professor classe A, com carga horária de 20 horas semanais entre 2009 e 2011.
- Os registros do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) mostram que, em 2011, o vencimento básico de um professor em início de carreira, com carga horária de 20 horas semanais, era de R$ 1.081,44. O valor podia chegar a R$ 1.739,42 nos níveis mais altos da mesma classe.
- Também de acordo com levantamento do g1 à época, em 2011 o Distrito Federal tinha a maior remuneração inicial do país para professor de nível médio, com R$ R$ 1.701,16.
- Atualmente, segundo o levantamento do Movimento Profissão Docente, divulgado em março, o Distrito Federal ocupa o 13º lugar do país no ranking de salários iniciais para docentes. A pesquisa avaliou todos os 26 estados e o DF.
- O salário inicial para professores no DF é de R$ 6.427,21 – superior à média nacional (R$ 6.212,36). A cifra é distante do valor pago pelo Mato Grosso do Sul, que está no topo do ranking com salário início de R$ 13.007,12.
- Na lista de remuneração final dos professores, o DF sobe para o 9º lugar, com R$ 9.658,78 – também distante do Mato Grosso do Sul, que lidera com R$ 26.586,54.
“O DF está no último lugar do Ideb [...]. Tem a pior oferta de escola integral do Brasil.”
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- O Distrito Federal não tem o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país, de forma geral. Nos anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, a nota do DF ficou estável em 6,4 entre 2023 e 2025 — acima da média nacional, de 6,3, considerando as redes pública e privada, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação que calcula e divulga o Ideb.
- Mas, no ensino médio da rede pública/distrital, a afirmação se confirma: o DF caiu de 3,7 para 3,6 e foi a única das 27 unidades da federação a registrar queda nessa etapa. Em 2025, o DF atingiu a menor nota do país entre as redes públicas estaduais/distrital.
- No mesmo período, o Ideb nacional para o ensino médio na rede pública avançou de 4,1 para 4,3.
- Quanto à alegação de que o DF tem "pior oferta de escola integral", o padrão se repete: vale apenas para o ensino médio. Nessa etapa, apenas 2% das matrículas na rede pública do DF eram em tempo integral – bem abaixo dos 21,7% da média nacional, e pior índice do país.
- Mas, nas creches, por exemplo, o DF está acima da média nacional (44,1%) e oferta tempo integral em 57,1% dos estabelecimentos públicos, segundo o instituto Todos Pela Educação com base no Censo Escolar.
- Questionada pelo Fato ou Fake, a respeito da declaração na entrevista desta segunda, aassessoria de imprensa de Leandro Grass reconheceu que os dados informados pelo candidato faziam referência apenas ao ensino médio, nos dois casos.
"No governo Bolsonaro, o fundo era R$ 16 bilhões. O presidente Lula, no ano passado, encaminhou R$ 28 bilhões para o fundo."
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Segundo o Portal da Transparência, em 2022, último ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o repasse da União ao Fundo Constitucional do Distrito Federal foi de R$ 16,27 bilhões.
- Já em 2026, último ano do terceiro mandato do presidente Lula (PT), o repasse parcial foi de R$ 28,7 bilhões, informa o mesmo painel.
- O Fundo Constitucional do DF é uma transferência permanente de recursos da União, prevista na Constituição Federal, destinada a financiar a Segurança Pública do DF e prestar assistência financeira às áreas de Saúde e Educação. O repasse corresponde a cerca de 40% do orçamento total do DF.
Celina Leão (PP)
Celina Leão (PP),candidata ao governo do DF, em entrevista na na TV Globo — Foto: TV Globo/Reprodução
"Nós fizemos a substituição de 2.681 [professores] temporários por professores efetivos."
Selo Fato (Horizontal) — Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- A governadora Celina Leão anunciou, em agosto de 2026, a nomeação de cerca de 2.681 professores efetivos para a rede pública de ensino do Distrito Federal.
- A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) de 2 de setembro e contemplou os aprovados no concurso público do magistério de 2022.
- Segundo o governo, os concursados passaram a ocupar vagas que vinham sendo preenchidas por contratos temporários, em um processo de substituição desses profissionais pelos novos servidores efetivos.
“Nós somos a terceira cidade mais segura para as mulheres viverem. [...] Nós temos a cidade mais segura do país, segundo o Anuário de Segurança Pública, e o estado mais seguro do país."
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- No 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado neste ano com dados de 2025, o DF aparece como a terceira unidade da federação com menor taxa de mortes violentas intencionais – 9,6 casos por 100 mil habitantes. Fica atrás apenas de Santa Catarina (7,6) e São Paulo (7,8).
- O dado, no entanto, não se refere a cidades e não é específico sobre a segurança das mulheres. Não há, aliás, nenhum indicador nacional reconhecido que trate de "cidades mais seguras para as mulheres viverem".
- O termo "morte violenta intencional" usado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), responsável pelo anuário, reúne homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. É um recorte sobre a população em geral, de qualquer gênero.
- Em um recorte específico sobre violência contra as mulheres, o próprio Anuário de Segurança Pública de 2026 informa uma alta de 27% dos casos de feminicídio no DF (22 vítimas em 2024, e 28 em 2025).
- O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública também registra crescimento de indicadores relacionados à violência contra mulheres no DF, como tentativas de feminicídio, violência doméstica, ameaças e descumprimento de medidas protetivas.
- Questionada pelo Fato ou Fake sobre as declarações da entrevista desta terça, a assessoria de imprensa Celina Leão afirmou que a candidata usou um "estudo próprio" da Secretaria de Segurança Pública do DF, com recorte de janeiro a maio de 2026 – ou seja, um material diferente da fonte citada na entrevista.
"O BRB [Banco de Brasília], ele dá de lucro, ele paga de imposto ao GDF [governo do Distrito Federal] R$ 1,8 bilhão."
— Foto: g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- Em razão da crise gerada pelas transações com o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) não publica suas demonstrações contábeis desde o terceiro trimestre de 2025. Por isso, não é possível saber o nível atual de impostos – e não houve distribuição recente de dividendos.
- A série histórica disponibilizada pela instituição mostra, no entanto, que o repasse de R$ 1,8 bilhão ao governo do DF nunca foi atingido – mesmo antes da atual crise patrimonial.
- Em nota divulgada em seu site oficial em 17 de março de 2023, por exemplo, o BRB comemorou a distribuição recorde de R$ 322,4 milhões em dividendos no ano anterior. Como acionista majoritário, o governo do DF recebe a maior parte desse valor, mas não a íntegra.
- Em 2024, último ano em que houve um balanço anual divulgado, o BRB repassou R$ 35,2 milhões aos cofres do DF em Imposto Sobre Serviços (ISS) – único tributo distrital pago pela instituição.
- Mesmo quando contava com a compra do Banco Master (que não se concretizou), a antiga gestão do BRB esperava pagar R$ 2 bilhões em dividendos aos seus principais acionistas ao longo de cinco anos – e não em um único ano, como citado por Celina Leão na entrevista.
"Tivemos grandes avanços, como atendermos 26 mil crianças da fila de creche."
Selo Fato (Horizontal) — Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Dados da Secretaria de Educação do Distrito Federal mostram que a fila de espera por vagas em creches passou de 28.372 crianças, em 2023, para 6.947 em 2026. A redução foi de 21.425 crianças.
- No mesmo período, a oferta de vagas aumentou de 20.991 para 42.834 – um acréscimo de 21.843 vagas. Os números confirmam avanço na ampliação do atendimento.
- A pasta ressaltou que, apesar de ainda haver fila de espera, há vagas disponíveis para encaminhamento na rede.
Paula Belmonte (PSDB)
Paula Belmonte fala ao 'DF1' — Foto: Reprodução/TV Globo
“Nós temos um problema muito sério, que o Iges [...] hoje são 800 cargos de livre nomeação."
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Consultado pelo Fato ou Fake, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) informou por e-mail que, atualmente, tem 766 funcionários contratados por livre nomeação, o que corresponde a 6,76% do quadro total – percentual abaixo do limite máximo de 8% previsto em normativo interno.
- Atualmente, o Iges-DF tem 11.654 empregados celetistas e 433 servidores estatutários cedidos.
- Segundo o Iges, a modalidade de livre nomeação prevê a contratação de profissionais para o exercício de cargos de confiança, direção ou assessoramento. Todas as admissões passam por critérios e análises previamente definidos.
"Nós estamos falando de quase 54% da população que não tem água potável, não tem saneamento na capital federal."
— Foto: g1
A declaração é #FAKE. Veja por quê:
- Em Brasília, 92,8% da população recebe água potável por Rede Geral de Distribuição, geralmente vinculada a serviços públicos de abastecimento. Apenas 7.317 habitantes não têm água encanada em seus domicílios e precisam se abastecer com uso de baldes ou outros recursos.
- Os dados são da plataforma "Municípios e Saneamento", do Instituto Água e Saneamento (IAS), que busca facilitar o acesso à informação sobre saneamento básico nos 5.570 municípios do Brasil.
- De acordo com o Censo 2022, 84,7% da população do DF afasta seus esgotos por meio de rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede. O levantamento indica que 261.914 moradores utilizam fossa séptica ou fossa filtro não ligada à rede, e 2.019, outras soluções. Só 296 habitantes em Brasília não têm banheiros nem sanitários.
"Eu sou autora nacional de várias leis que trazem a primeira infância como protagonista."
— Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Paula Belmonte atuou na Câmara dos Deputados com foco na pauta da primeira infância e é autora de propostas de alcance nacional voltadas ao tema.
- Entre elas, está o projeto que deu origem à lei que instituiu agosto como o "Mês da primeira infância no Brasil".
- Ela também apresentou o projeto que estabeleceu o "Biênio da primeira infância" e coordenou a Comissão Externa de Políticas para a Primeira Infância da Câmara.
Arruda (PSD)
Arruda em entrevista ao DF1 — Foto: Reprodução/TV Globo
“Fizemos, em apenas 15 meses, a nova EPTG.”
Selo Fato (Horizontal) — Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- José Roberto Arruda governou o Distrito Federal entre janeiro de 2007 e março de 2010.
- As obras do Complexo de Viadutos Israel Pinheiro, na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), começaram em junho de 2007 e foram inauguradas em 16 de agosto de 2008. O intervalo entre o início da obra e a entrega foi de cerca de 15 meses.
- Segundo reportagens publicadas à época, a obra custou cerca de R$ 21 milhões e foi concluída durante a gestão de Arruda.
“Nós tínhamos o melhor salário de professores. Hoje, temos um salário menor do que o Maranhão, do que o Piauí, do que Goiás.”
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
- Registros do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) mostram que, em 2011, o vencimento básico de um professor de ensino médio em início de carreira na rede distrital, com carga horária de 20 horas semanais, era de R$ 1.081,44. O valor podia chegar a R$ 1.739,42 nos níveis mais altos da mesma classe, segundo tabela salarial vigente à época.
- Na época, de fato, o DF tinha a maior remuneração inicial do país para professor de nível médio, com R$ 1.701,16, para uma carga horária de 40 horas semanais.
- Mas a comparação atual com os três estados citados por Arruda na entrevista é apenas parcialmente real, como mostra um levantamento do Movimento Profissão Docente, divulgado pelo g1 em março. Na lista, que é referente à remuneração inicial média de professores da rede estadual com carga horária de 40 horas semanais, o Distrito Federal aparece com o 9º melhor salário entre as unidades da federação, com R$ 6.427,71.
- Dos três estados usados por Arruda, apenas Maranhão paga mais que o DF (R$ 8.452,03). Piauí e Goiás pagam salários menores – respectivamente, R$ 4.984,17 e R$ 5.160,49.
"A CEB foi privatizada pela metade do preço dos seus ativos."
— Foto: g1
#NÃOÉBEMASSIM: Veja por quê:
- As demonstrações financeiras da Companhia Energética de Brasília (CEB) mostram que a CEB Distribuição tinha aproximadamente R$ 3,112 bilhões em ativos e R$ 2,150 bilhões em passivos em 31 de dezembro de 2020.
- A distribuidora foi arrematada em dezembro de 2020 por R$ 2,515 bilhões, valor equivalente a cerca de 80% dos ativos contábeis e mais de 2,5 vezes o patrimônio líquido da empresa.
- Questionada pelo Fato ou Fake, a campanha citou como parâmetro o valor do lance mínimo previsto no leilão, de R$ 1,424 bilhão. Esse valor, de fato, corresponderia à metade dos ativos da CEB à época.
- A venda, no entanto, não se deu pelo lance mínimo. O lance que arrematou a CEB Distribuição foi mais de R$ 1 bilhão superior ao mínimo, como mostrou o g1 à época.
“Hoje, tem mais professor temporário do que concursado.”
Selo Fato (Horizontal) — Foto: g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
- Segundo o Censo Escolar 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep )em fevereiro de 2026, 56,6% dos docentes da rede estadual do Distrito Federal tinham contrato temporário. Já 41,6% eram concursados, efetivos ou estáveis e 1,8% tinham contrato CLT.
- Portanto, segundo o levantamento mais recente divulgado pelo Inep, os professores temporários eram maioria entre os docentes da rede pública do DF.
- O Censo Escolar 2026 ainda não teve seus resultados finais divulgados. A primeira etapa da coleta terminou em julho deste ano, e o Inep prevê a divulgação dos resultados finais em fevereiro de 2027.
Participaram da checagem: Ana Lídia Araújo, Bruna Yamaguti, Marcella Rodrigues, Mateus Rodrigues, Roney Domingos e Ygor Wolf.
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