O governo da Venezuela e a oposição estão perto de fechar um acordo para transferir as reservas de ouro do banco central venezuelano, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 21,8 bilhões), do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve Bank de Nova York, informou o Financial Times nesta quinta-feira.
Segundo o jornal britânico, a proposta em discussão prevê que o governo interino liderado por Delcy Rodríguez obtenha o controle legal sobre o ouro, mas sem autorização para vender imediatamente os ativos. De acordo com pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pelo Financial Times, as reservas poderiam ser usadas como garantia para a obtenção de empréstimos destinados a financiar gastos públicos e a reconstrução do país após os terremotos que atingiram a Venezuela em junho.
Ainda segundo o Financial Times, o acordo representaria um dos primeiros resultados concretos das negociações entre o governo interino e a oposição, processo que conta com apoio dos Estados Unidos e busca criar condições para a realização de novas eleições no país.

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Desde então, a oposição reivindica o controle das barras de ouro armazenadas nos cofres do Banco da Inglaterra. A disputa chegou a ser analisada pela Suprema Corte do Reino Unido, segundo o Financial Times.
O jornal ressalta, porém, que as negociações ainda não foram finalizadas e que detalhes técnicos permanecem em discussão, o que pode prolongar o processo.
De acordo com o Financial Times, a possível transferência das reservas é mais um passo na reaproximação internacional com a Venezuela. Após a operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro, em janeiro, Washington afrouxou parte das sanções econômicas impostas ao país.
O Financial Times também destaca que, em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomou relações oficiais com a Venezuela após sete anos, permitindo ao governo em Caracas acessar recursos mantidos junto à instituição.
Ouro sob supervisão
No mês passado, governo e oposição anunciaram que trabalhavam para desbloquear o acesso às 31 toneladas de ouro armazenadas no Banco da Inglaterra.
Segundo o Financial Times, líderes oposicionistas insistem na criação de mecanismos de controle para evitar o uso indevido dos ativos. Uma fonte da oposição envolvida nas negociações disse ao jornal que o ouro seria transferido para os Estados Unidos, mas que Delcy Rodríguez não teria acesso direto às reservas.
Delcy Rodriguez em reunião no Suriname. — Foto: Ranu Abhelakh / Reuters
"O ouro vai para os Estados Unidos, mas Delcy não terá acesso direto. Haverá supervisão e restrições", afirmou a fonte ao Financial Times.
Reaproximação com o Reino Unido
As negociações acontecem em meio à retomada das relações diplomáticas entre Reino Unido e Venezuela. Segundo o Financial Times, os dois países concordaram nesta semana em elevar o nível das relações bilaterais, com o retorno de um embaixador britânico a Caracas.
O governo britânico afirmou apoiar as conversas sobre novas eleições na Venezuela. Já Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e líder da delegação governista nas negociações, esteve em Londres nos últimos dias e afirmou nas redes sociais que haveria "boas notícias" para o povo venezuelano após reuniões com autoridades britânicas, informou o jornal.
Procurados pelo Financial Times, o Banco da Inglaterra, o governo venezuelano e representantes da oposição evitaram comentar as negociações em andamento. O banco central britânico afirmou apenas que não poderá agir até que uma decisão judicial defina quem possui autoridade legal sobre a conta que abriga as reservas venezuelanas.
Banco da Inglaterra — Foto: Corey Rudy / Reuters