Volta: Joaquim Silva quer mostrar que experiência é "mais-valia"

A cumprir a 12.ª Volta da carreira, número apenas igualado pelo português Rafael Reis (Anicolor-Campicarn) e pelo espanhol Jesús del Pino (Aviludo-Louletano-Loulé), o ciclista da Efapel realçou hoje, aos 34 anos, que se vive "uma crise mundial no desporto", em que, a partir dos 30, um atleta é dado como "velho e arrumado" e defende a conciliação da experiência e juventude num grupo.

"Parece que, de repente, tudo o que era a experiência que podia ser aportada por um ciclista mais velho se esqueceu. Na minha modesta opinião, num grupo de jovens, num grupo que ambiciona grandes resultados, essa experiência pode trazer uma mais-valia enorme. (...) Sou uma mais-valia para esta equipa, sou uma mais-valia no espírito de grupo. Num grupo, deve-se conciliar sempre a experiência e a juventude", disse à agência Lusa, na Lourinhã, antes da partida para a primeira etapa, com final em Queluz.

Desde que se estreou na corrida portuguesa de verão, em 2014, o corredor de Penafiel nota que o pelotão se tornou progressivamente mais jovem até hoje, o que tornou as corridas mais perigosas, com chegadas mais rápidas a cada curva, a travar "sempre mais tarde", em busca da melhor colocação.

"Estamos sempre com o stress da colocação durante toda a corrida. Isso era uma coisa que, antigamente, nos pontos-chave e nas partes finais, se sentia. Se for 150 quilómetros, vamos 150 quilómetros em tensão, com medo que a corrida parta em qualquer momento, em qualquer subida, em qualquer curva, em qualquer zona de vento. Essa foi uma das principais coisas em que notei diferença", salienta.

Joaquim Silva reconheceu ainda que as emoções com que partiu para a edição em curso da Volta, no prólogo de quarta-feira, em Lisboa, são diferentes daquelas com que cumpriu o prólogo de Fafe, em 30 de julho de 2014, dia em que se estreou na corrida, com a "vontade de se mostrar" e o "nervosismo" a darem lugar à tranquilidade.

"Temos esse objetivo de ganhar, mas, para mim, já não é possível. Tenho colegas na equipa que podem fazer esse papel. Estou de suporte para eles. Também me dá um bocadinho de calma saber que tenho gente [para a qual trabalhar] com capacidade para ganhar. A grande diferença é o nervosismo inicial. É muito mais tranquilo agora do que há 11 épocas", detalha.

Escolhido como líder de equipa em edições anteriores, como a de 2022, em que o dia mau na subida à Torre frustrou a luta pela geral, o penafidelense apresenta o 16.º lugar do ano passado como a melhor classificação na Volta, como gregário, papel que também lhe espera neste ano, em prol do português Tiago Antunes e do colombiano Jesús David Peña, os principais candidatos da Efapel à camisola amarela.

"As coisas não me saíram muito bem quando fui líder. Agora, encaro esse papel de gregário com naturalidade. Sempre foi uma coisa que fiz na maior parte da minha carreira, ajudar os meus colegas a ganhar voltas. Já estive por quatro vezes numa equipa que venceu a Volta. Sei qual é esse espírito e sei qual o sacrifício que é preciso ter para ajudar o outro", vinca o corredor, que representou ainda W52/FC Porto, Caja Rural e a estrutura da Mortágua.

Outra das diferenças que nota face ao início da carreira é a tendência para todos os corredores participarem "cada vez mais em todas as provas", como, aliás, Joaquim sempre gostou de fazer, em virtude das alterações na "mentalidade de treino e de recuperação", com técnicas associadas aos banhos de gelo a permitirem recuperações mais rápidas.

"Os ciclistas já não fazem os chamados 'picos' de forma no início e a meio da época. Agora, praticamente quase toda a gente consegue manter um nível muito bom durante o ano inteiro. Os mesmos que estão a disputar as corridas em março e abril são os mesmos que chegam à Volta", observa.