Witkoff e Kushner vão a Moscovo e Kiev este fim de semana para tentar avançar negociações de paz

A Ucrânia pede há meses a Witkoff e Kushner que visitem Kiev

Os enviados da Casa Branca para a guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia, Steve Witkoff e Jared Kushner, vão viajar para Moscovo e Kiev, respetivamente, este fim de semana, para realizar consultas sobre uma solução pacífica para o conflito, segundo informou esta sexta-feira uma fonte à agência russa TASS.

"Eles esperam chegar a Moscovo e, depois, a Kiev. Será nos dias 5 e 6 de setembro", afirmou a fonte citada.

Na véspera, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que Witkoff e Kushner lhe tinham confirmado que regressariam a Moscovo e viajariam pela primeira vez para a capital ucraniana "nos próximos dias".

"Esperamos ver aqui em Kiev os enviados do Presidente dos EUA. Confirmaram que terão uma reunião em Moscovo e outra em Kiev. Esperamos que esta última (a de Kiev) tenha lugar nos próximos dias", referiu Zelensky no seu habitual discurso diário à noite dirigido à nação.

A Ucrânia pede há meses a Witkoff e Kushner que visitem também Kiev. Os dois negociadores de Donald Trump para pôr fim à guerra na Ucrânia ainda não viajaram para a capital ucraniana e têm visitado repetidamente Moscovo, algo que é considerado um agravo na Ucrânia.

Esta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou durante a sua intervenção no Fórum Económico de São Petersburgo que ainda existem possibilidades de realizar negociações de paz construtivas e agradeceu aos países que insistem numa solução política para o conflito, como os Estados Unidos e a China.

"No entanto, no fim de contas, o problema deve ser resolvido, antes de mais, pelos países envolvidos no conflito (...) Antes de tudo, são a Rússia e a Ucrânia que devem chegar a um acordo", sublinhou.

Putin admitiu, aliás, que, apesar de todas as tensões acumuladas, os serviços de informações russos e ucranianos continuam a manter contactos.

Contudo, o presidente russo questionou as recentes "ameaças de ataques" da Ucrânia contra a aviação civil, considerando que estas dificultam possíveis negociações de paz entre as duas partes em conflito.

"Isto dificulta, sem dúvida, a possibilidade de realizar negociações de paz bilaterais", afirmou.

Putin acrescentou que "as ameaças de ataques contra aviões civis são, naturalmente, uma manifestação de terrorismo de Estado".

Na terça-feira, já tinha garantido que "com terroristas não se negoceia" e que, caso ocorram essas provocações, Moscovo responderá.