A análise de Sílvia Barata, Head of Country Portugal & Iberia Retail Operations manager da BP Portugal
Quando olhamos para os dados mais recentes do barómetro sobre o impacto da Inteligência Artificial na produtividade, a mensagem é simultaneamente encorajadora e sóbria. A maioria das organizações regista melhorias até 5% ou entre 5%-10%, enquanto apenas uma minoria alcança ganhos verdadeiramente transformadores. Isto não representa uma limitação da tecnologia, mas sim um retrato fiel de como as grandes mudanças acontecem.
Sempre que uma tecnologia de uso geral emerge, o progresso não é imediato nem uniforme. Primeiro, automatizamos o óbvio. Só depois redesenhamos processos, modelos de decisão e formas de trabalhar. O barómetro confirma que onde a IA é usada como ferramenta isolada, o impacto é limitado; onde é integrada no coração da organização, os ganhos começam a escalar.
Os dados mostram também um ponto crítico: muitas organizações ainda não conseguem medir o impacto da IA. Sem dados de qualidade, métricas claras e liderança ativa, a IA não cria vantagem competitiva. A tecnologia está amplamente disponível, mas a diferença está na execução.
O verdadeiro potencial da IA não está em substituir pessoas, mas em multiplicar o seu impacto , ajudando‑as a tomar melhores decisões, a usar melhor o tempo e a focar‑se no que realmente cria valor.
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Já ultrapassámos a fase do promessa e entrámos na fase da verdade. Para as organizações o desafio não é provar que usam IA, mas provar que sabem extrair valor dela. Num contexto de pressão sobre produtividade, custos e talento, a IA será menos uma revolução súbita e mais um teste silencioso à qualidade da liderança. Não recompensará apenas o entusiasmo, recompensará a clareza estratégica e a execução disciplinada.
Testemunho publicado na edição de Junho (nº. 243) da Executive Digest, no âmbito da XLVIII edição do seu Barómetro.