Coisas boas do verão

Opinião Colunistas Luísa Jeremias

Luísa Jeremias

Luísa Jeremias

Diretora da TV Guia/Flash!

16 de agosto de 2026 às 00:30

Um dos vídeos mais ternos dos últimos dias foi publicado ontem por Luciana Abreu. Trata-se de um encontro ocasional, num lobby de hotel, das duas gémeas, as filhas mais novas, e o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Ainda pelo Algarve, após o susto de saúde da última semana, Marcelo estaria a passar uns últimos dias de férias no mesmo hotel que a estrela da CMTV com as filhas. Ao cruzarem-se no hall, as meninas ficaram encantadas e fizeram uma festa ao presidente.

Contrastes

Opinião Colunistas Todos irmãos

Numa semana marcada pelo eclipse do sol, guardo na memória imagens diferentes, as imagens que nos chegaram da Colômbia. A violência do terremoto revela-se nas centenas de mortos e no grau de destruição, que o mundo já conhece.

D. João V: o magnânimo “perdia a vergonha” no convento de Odivelas

Opinião Colunistas

O aqueduto das Águas Livres, o convento de Mafra, a biblioteca da Universidade de Coimbra ou a capela de S. João Batista na igreja de S. Roque em Lisboa são tesouros que D. João V em boa hora legou aos portugueses. Mas o ‘Magnânimo’, como passou à história, era também obcecado por freiras e viciado em afrodisíacos. O rei “perdia a cabeça por todas as mulheres”, escreveu o historiador Oliveira Martins, “mas a sua verdadeira paixão estava em Odivelas, no ninho da madre Paula”.

Dar ao espectador a Odisseia que ele espera

Opinião Colunistas Panóptico

Especialistas na cultura grega antiga trouxeram para o espaço público o tema da adaptação de obras literárias ao cinema, a propósito da 'Odisseia' em filme de Christopher Nolan. Emily Wilson, que traduziu a Odisseia (2017), foi brutal depois de ver o filme. O pedantismo prevaleceu. Porventura far-lhe-ia bem, e aos demais helenistas ofendidos com o filme, ler o que estudiosos dos estudos fílmicos, como Brian McFarlane, David Bordwell ou Robert Rosenstone têm reflectido desde os anos 50s sobre a adaptação da palavra escrita às imagens em movimento. O nosso grande tradutor da Bíblia e de clássicos gregos, Frederico Lourenço, disse que preferia não ver o filme, talvez por saber o que aconteceu à mulher de Loth quando olhou para trás para ver Sodoma e Gomorra ardendo, desobedecendo à rigorosíssima instrução do Senhor para não o fazer — ficou feita estátua de sal; ou por conhecer o que aconteceu à pobre Eurídice, que seria resgatada dos Infernos se Orfeu a trouxesse de lá sem a olhar mas, pimba!, ele olhou e já não a pôde trazer. Ficou viúvo. Ver um filme de adaptação literária é tentação semelhante, pode matar!

Dr. Pangloss Montenegro

Opinião Colunistas Correio Direto

Faz parte da natureza humana gostar de elogios. E quem está no poder ainda adora mais a gratificação da sua obra. Por isso até é humanamente compreensível a frustração de Montenegro. Mas quando o primeiro-ministro diz que “devemos falar mais das grandes coisas” que o Governo está em fazer, em vez das pequenas coisas, está a transformar-se num Pangloss autoritário. O doutor Pangloss é uma personagem de Voltaire que explicava ao seu pupilo Cândido que tudo vai “pelo melhor dos mundos possíveis”. Mas como não somos cândidos, não podemos aceitar a degradação dos serviços públicos. Tal como é inadmissível que no Hospital de Faro, ali tão perto do discurso Panglossiano do Pontal, um doente na urgência demore 18 horas a ser atendido, e que milhares de famílias tenham sido prejudicadas este verão por causa do amadorismo no Ministério da Educação.

Estratégia para os Portos

Opinião Colunistas

A Comissão Europeia apresentou este ano uma Estratégia para os Portos da UE com o objetivo de reforçar a competitividade, resiliência, segurança e sustentabilidade dos portos europeus.

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Impunidade

Opinião Colunistas Sérgio A. Vitorino

Daqui a umas semanas alguém se vai lembrar de que, pela impaciência de um condutor que não quis esperar 5 minutos, um rapaz galês de 19 anos morreu atropelado ao correr de bicicleta numa estrada portuguesa? Foi ‘apenas’ a 297.ª vítima mortal, desde 1 de janeiro, da Guerra Civil de Portugal. Finlay Tarling, ciclista profissional na Volta, estava a trabalhar - a justificação que os condutores mais utilizam para tentar passar antes de tempo pelos controlos da GNR (seguida por “eu vou já para ali, são só 100 metros”) - e pôs a sua vida nas mãos dos polícias e da organização, mas também confiando que nenhum condutor invadisse a estrada onde pedalava. Como, aliás, todos nós fazemos no dia a dia. Esta perceção de que “a estrada é minha, faço como quero” - próxima do Alfa da violência doméstica - é a causadora da tragédia nas estradas. O problema não é (só) andar a 180 km/h nas autoestradas; e afirmá-lo é ser cúmplice da impunidade de quem passa vermelhos, não pára em cruzamentos e passadeiras, faz zigzags e razias a pessoas, ciclistas e motos. Hoje, quem é parado pela GNR para deixar passar a Volta, não espera. Vai por caminhos e vielas até entrar mais à frente na Nacional. Esse ‘gato e o rato’ é comportamento criminoso.

Infâmia imprescritível

Opinião

Rui Pereira

Rui Pereira

Professor universitário

16 de agosto de 2026 às 00:30

Hugo Sánchez Marmonti, Raúl Jofré González, Edwin Dimter Bianchi, Ernesto Bethke Wulf e Juan Jara Quintana foram condenados a 25 anos de prisão pela Justiça chilena. Hernán Chacón Soto suicidou-se em 2023, antes de ser detido. No mesmo ano, Pedro Pablo Barrientos Núñez foi extraditado dos EUA para o Chile. Por fim, em julho de 2026, as autoridades detiveram Nelson Haase Mazzei. As proezas destes homens merecem um lugar na História, se bem que proporcional à sua condição de sicários, abaixo do pedestal de infâmia reservado a Augusto Pinochet. Antes do atentado terrorista de 2001, noutro 11 de setembro sangrento, em vésperas do nosso 25 de Abril, esse general traiu o seu juramento, violou a Constituição e derrubou o governo legítimo e democrático de Salvador Allende, com a ajuda da CIA. Sob a ditadura, que se estendeu até 1990, foram assassinadas ou desapareceram cerca de 3200 pessoas, torturadas mais de 38 000, encarceradas dezenas de milhares e forçadas ao exílio centenas de milhares.

Memória de Agostinho

Opinião Colunistas Victor Bandarra

A Volta a Portugal em bicicleta já foi a maior Festa Popular do país. De borla, milhares de pessoas viam passar os seus ídolos, a começar por Joaquim Agostinho, o maior ciclista português de sempre. Todos sabiam, sobretudo a GNR, que só quando o carro-vassoura passasse é que o alcatrão podia voltar a encher-se de carros e de gente. Nesses tempos, a rádio transmitia as etapas ao jeito de relato de futebol. Emoção a rodos. Agostinho tinha uma técnica rudimentar, compensada por uma força e capacidade de sofrimento únicas. Um dia, num contrarrelógio na Volta a França, Agostinho apanhou o campeão Raymond Poulidor. Em vez de o ultrapassar, colou-se ao seu ídolo. Explicou depois: "Então eu ia lá ultrapassar o Sr. Poulidor?!" Outros tempos. Esta semana, Finlay Tarling, 19 anos, morreu após choque com uma carrinha que já circulava. O carro-vassoura ainda não tinha passado. Falha grave de segurança. Há 42 anos, Agostinho deu uma queda na Volta ao Algarve. Sofreu traumatismo craniano mas insistiu em acabar a etapa. Morreu 10 dias depois. Mas descobriu-se logo o culpado: um cão que se havia atravessado à sua frente. Se fosse um carro, ainda hoje a culpa andava por aí solteira.

Opinião: Debate eleitoral perde força com cortes nas redes - 15/08/2026 - Painel do Leitor - Folha

Atualmente os debates têm servido para produzir cortes para as redes sociais e não para permitir que os cidadãos conheçam melhor o candidato e suas propostas. Os debates se tornaram um elemento a mais para a espetacularização dos políticos como influenciadores digitais. Perdemos todos nós que gostaríamos de maior seriedade dos candidatos com os destinos do Brasil.
Jhonatan Almada (São Luís, MA)