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As notícias com Laura Figueiredo.
Boa noite. O Júri Nacional de Exames e o EDUCA, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, garantem que as pautas completas dos exames nacionais já estão prontas e que serão afixadas este domingo. Num comunicado enviado às redações na última hora, as entidades esclarecem também o número de alunos que ficaram com a nota em suspenso. O ministro da Educação tinha dito que eram centenas de provas, o líder do PS e os diretores das escolas falavam em milhares. O número oficial agora revelado é 1400. Ainda assim, uma porcentagem pequena num universo total de mais de 290 mil provas. Na mesma nota, o Júri Nacional de Exames e o EDUCA justificam ainda o porquê das pautas terem começado a ser afixadas ontem à noite, ainda com notas em falta. Explicam que a decisão foi tomada para não atrasar ainda mais a divulgação dos resultados da grande maioria dos alunos. E ainda antes deste comunicado, o Ministério da Educação garantia que nenhum aluno será prejudicado no acesso ao ensino superior. Depois da reunião desta tarde com representantes do Conselho das Escolas, das Associações de Diretores e de Dirigentes Escolares, o Ministério da Educação fez um ponto de situação. Em comunicado, lamentou os atrasos e os constrangimentos verificados e pediu desculpas aos alunos, às famílias, aos professores e às escolas pelos transtornos causados. O Ministério de Fernando Alexandre confirmou também que vai ser disponibilizado, de forma gratuita, o acesso às provas em formato PDF. Esta tarde, a Provedoria de Justiça tinha pedido ao Ministério da Educação um ponto de situação sobre a publicação das notas dos exames nacionais. E da oposição chegam as críticas. O PS considera que Luís Montenegro é o principal responsável. O secretário-geral socialista considera que há apenas uma pessoa a responsabilizar pelo atraso no lançamento das notas dos exames, na medida em que, para José Luís Carneiro, o ministro da Educação não assume responsabilidades.
Isto só tem um responsável, o primeiro responsável por ter avançado de forma imprudente para esse processo é o primeiro-ministro, na medida em que o ministro da Educação não assume qualquer responsabilidade. Não o fez na Assembleia da República, não o fez no debate parlamentar e julgo que até por vezes parece cantar vitória com um processo que foi mal sucedido, mas pelo fato de conseguirmos chegar ao fim, o alívio é tal ordem que parece que se chegou ao fim em condições.
O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, que não rejeita também uma comissão parlamentar de inquérito ao ministro Fernando Alexandre. O PCP culpa igualmente o primeiro-ministro Luís Montenegro pelos problemas na correção dos exames nacionais e diz que o ministro da Educação revelou falta de coragem. Esta manhã, a líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, acusava o ministro de teimosia e incompetência. Quanto ao Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo diz que Fernando Alexandre deve pôr o lugar à disposição. Mudamos de tema. André Ventura pede a demissão do ministro da Administração Interna, avisa que manter Luís Neves no cargo vai arrastar o governo para uma cumplicidade criminosa. Numa carta enviada ao primeiro-ministro, o presidente do Chega alerta que a permanência em funções do ministro da Administração Interna afeta muito negativamente a imagem do governo e diz também que, inevitavelmente, o Executivo será arrastado para a cumplicidade criminosa, pressão sobre as instituições de investigação criminal e perda de autoridade institucional. André Ventura faz ainda uma referência à recente reunião que teve com o presidente da República, dizendo que ficou ainda mais convencido do que é preciso fazer neste momento. O presidente do Chega recordou também o caso de Miguel Macedo, antigo ministro da Administração Interna, que se demitiu por se ver envolvido numa suspeita criminal durante o governo de Pedro Passos Coelho, mesmo tendo sido absolvido mais tarde. André Ventura deixou ainda um aviso a Luís Montenegro. Diz que manter Luís Neves no cargo vai alterar as relações do Chega com o Executivo. Na Venezuela, continua a subir o número de mortos na sequência dos dois sismos registados a 24 de junho. São já mais de 5 mil. O país tem agora pela frente um enorme desafio de reconstrução. Os sismos destruíram mais de 60 mil casas. Há milhares de pessoas desalojadas. A ajuda internacional existe, mas é insuficiente para lidar com o rescaldo dos dois sismos. É o que conta a coordenadora médica dos Médicos Sem Fronteiras, Alima Ausseine, que esteve à conversa com o jornalista José Rafael Lopes.
Alima Ausseine está nos Médicos Sem Fronteiras há 17 anos. Diz que nunca viu uma situação como a que afetou a Venezuela.
É um cenário de guerra completamente. Desde a entrada do estado de La Guaira. Já vemos pessoas em tendas, em carpas pequenas, mas é muito desolador ver o que se encontra nas ruas. Ainda há muitas pessoas que estão procurando por seus entes embaixo dos escombros.
O relato chega numa altura em que continuam a ser retirados corpos dos escombros nas zonas mais afetadas. Pelos mortos, não há muito a fazer. Os vivos têm uma árdua batalha pela frente.
As pessoas têm medo, as pessoas estão vigilantes, estão em alerta. Nem todo mundo consegue dormir, nem todo mundo consegue trabalhar direito. Todos sofreram muito, todos foram afetados de alguma maneira.
E há mesmo quem apenas procure um pouco de paz.
Nesse momento já não se encontraria mais pessoas com vida. Então eles estão procurando mais retirar os corpos, é retirada de corpos, para que as pessoas possam encerrar um ciclo e poder fazer o luto delas.
A degradação dos corpos das vítimas aumenta o risco sanitário. Há relatos já de problemas entre a população. O risco de epidemias cresce e é difícil ser contrariado com os meios disponíveis na Venezuela.
Como eles não têm água, eles não têm onde utilizar banhos, essas coisas, estão muito mais afetados e o risco é muito maior. Pode haver enfermidades como dengue, zika.
O horizonte é de reconstrução, mas ainda está longe, sobretudo devido às mais de 60 mil casas que foram destruídas. Muitos dormem ao relento.
Há muitos prédios que foram interditados por falta de estrutura e de base, que não sabemos se vão ser demolidos ou se vão cair. Então muitas pessoas ainda estão nesses campos, nesses abrigos, a céu aberto.
Ainda assim, a esperança mantém-se.
A população venezuelana mostrou um nível de solidariedade muito grande nessas últimas três semanas. Estamos vivendo um dia de cada vez, como se diz.
O relato de Alima Ausseine, a coordenadora médica dos Médicos Sem Fronteiras na Venezuela, no país desde fevereiro, e sem certezas quando vai poder regressar a uma vida normal.
Um trabalho do jornalista José Rafael Lopes, com retrato da vida na Venezuela, nas zonas afetadas pelos dois sismos. Vamos ainda olhar para o Campeonato do Mundo de Futebol. A Inglaterra conquistou a medalha de bronze do Mundial 2026. A seleção inglesa derrotou a seleção francesa por 6 x 4. Foram 10 gols no jogo que decidiu o terceiro e quarto classificado. Foi a primeira vez na história que a Inglaterra terminou num terceiro lugar em Campeonatos do Mundo, embora a melhor campanha inglesa tenha sido em 1966, com a conquista do título mundial. Este domingo decide-se o campeão do mundo de 2026. A partir das 8 da noite, Espanha e Argentina entram em campo com essa missão. Um jogo que vamos acompanhar com relato e análise aqui na Rádio Observador. E o ponto final neste noticiário. Foi informação, está de regresso à meia-noite e meia.