Apesar da derrota, a reação dos Le Bleus impediu um resultado vergonhoso e o ar de melancolia na despedida de seu treinador. Mbappé chegou a 22 gols em 22 jogos na história das Copas. Não vê ninguém a sua frente na tabela geral de artilheiros da competição, e agora torce contra Messi neste domingo para não perder o posto, além da liderança entre os goleadores desta edição.
Escalações
Didier Deschamps escalou seis jogadores que foram reservas em grande parte da Copa, incluindo toda a linha defensiva. Zaire-Emery e Cherki entraram no meio-campo. Olise foi o ponta pela direita. Koundé, Upamecano, Saliba, Digne, Tchouaméni e Dembelé começaram no banco.
Thomas Tuchel contou com o retorno de Quansah na lateral-direita. Spence foi mantido na esquerda. Bellingham e Harry Kane ficaram no banco. O meio foi bem ofensivo com Rice, Rogers e Eze. Ivan Toney ganhou chance na frente. Saka e Rashford foram os pontas.
Como França e Inglaterra iniciaram o duelo de disputa de 3º lugar da Copa do Mundo 2026 — Foto: Rodrigo Coutinho
O jogo
A diferença de comportamento entre as duas equipes ficou muito nítida desde os primeiros minutos. Enquanto a Inglaterra subiu para pressionar em uma cobrança de lateral favorável a França ao lado da grande área defensiva e interceptou o displiscente passe de Doue, Declan Rice teve todo o espaço do mundo para progredir e bater da entrada da área, em uma transição defensiva débil dos Le Bleus.
O placar aberto pelo meio-campista inglês logo aos dois minutos deu o aviso do vexame que a França passaria já na 1ª etapa. Não teve agressividade defensiva em nenhum momento. Tinha o bloco adiantado, mas sem pressão na bola. A última linha ficou totalmente exposta a passes em profundidade ou a contragolpes, já que a recomposição era inexistente.
Um misto de descompromisso e abalo emocional. Os ingleses, mesmo sem seus dois melhores jogadores, não precisaram esbanjar intensidade e organização para marcar quatro gols antes do intervalo. Fizeram o básico competitivamente. Mantiveram-se bem posicionados e foram agudos para explorar os muitos espaços disponíveis.
Saka, que marcou duas vezes, poderia ter terminado a etapa inicial com cinco tentos. Teve um anulado por impedimento e foi travado por Malo Gusto e Lacroix em outras duas finalizações que venceriam Maignan. O goleiro francês ainda evitou um placar pior ao deter arremates de Rashford de média e de curta distância. Foram sete chutes ao todo contra a sua meta.
Time da Inglaterra comemora gol contra a França na decisão do terceiro lugar da Copa de 2026 — Foto: Reuters/Sam Navarro
A bola parada defensiva foi outro ponto de fragilidade francesa. Konsa venceu um duelo com Rabiot e cabeceou para fazer um dos gols do elástico placar parcial. A passividade do volante também foi vista em recomposições de Olise, Cherki e Théo Hernández. Ofensivamente, a França poderia ter marcado ao menos um gol. Henderson fez grande defesa em finalização de Mbappé.
Como a marcação inglesa também não era a ideal, o time de Deschamps encaixou algumas tramas depois da parada para hidratação. A clareza para terminar os ataques, no entanto, também não esteve presente. Guéhi, Rice, Spence e Quansah fizeram boas intervenções dentro da área defensiva. No intervalo, Tuchel sacou Rashford e pôs Watkins na ponta-esquerda.
Já Deschamps promoveu quatro trocas. Konaté, Théo Hernández, Doué e Cherki deram lugar a Upamecano, Digne, Barcola e Dembelé. Olise voltou a trabalhar centralizado, perto de Mbappé. Um dos melhores zagueiros desta Copa, Upamecano precisou de dois minutos para impulsionar uma nova cara para a França no 2º tempo. Iniciou a jogada que fez a equipe diminuir o placar.
O defensor do Bayern desarmou Watkins e carregou até deixar para Olise servir Mbappé na área. O camisa 10 marcou seu nono gol e se isolou na artilharia da competição. Apenas seis minutos depois, recuou para receber na intermediária e deu um lindo passe em profundidade para Barcola bater na saída de Henderson e dimimuir. De 4x0 para 4x2 em menos de dez minutos de 2º tempo.
Mbappé França Inglaterra — Foto: Paul Childs/Reuters
A Inglaterra se assustou! Ficou provado que não se defendia bem, e só não foi vazada na 1ª etapa por um detalhe. A França naturalmente se encheu de moral. Recebeu a injeção de ânimo que precisava. O jogo ficou muito mais interessante. O time de Tuchel, desta vez, não abdicou de atacar, e seguiu criando algumas situações de perigo. Maignan e Upamecano responderam muito bem!
Eze e Spence se destacavam em avanços e combinações que faziam pela esquerda, mas a França empilhava finalizações perigosas. Tinha mais talento em campo para terminar os ataques. Olise e Dembelé quase marcaram o terceiro dos Le Bleus antes da metade do 2º tempo. Upamecano foi outro a assustar em chute de longa distância.
A rede inglesa voltaria a balançar, no entanto, logo depois. Dembelé teve total liberdade de ação pela direita e serviu a Olise na entrada da área. O camisa 11 tabelou com Mbappé, que fez o seu 10º gol na Copa 2026. O 22º na história da competição.
Mbappé em França x Inglaterra — Foto: REUTERS/Marco Bello
A França seguiu sua avalanche diante de uma Inglaterra que ficou totalmente entregue depois do terceiro gol. Nitidamente desgastada fisicamente também. Tuchel ainda demorou a mexer. Bellingham, Eliott Anderson e Reece James substituíram Eze, Toney e Quansah.
O camisa 10 dos Three Lions perdeu uma grande chance de ampliar assim que entrou, mas nada se compara às oportunidades desperdiçadas por Olise e Dembelé, que não fizeram o gol de empate por puro preciosismo. O preço a ser pago na sequência seria alto. Spence invadiu a área em velocidade pela esquerda e foi calçado por Malo Gusto. Saka converteu o pênalti aos 87'.
Quando parecia que o placar estava definido, teve mais emoção nos instantes finais. Dembelé converteu em gol mais um ataque construído pelo excepecional Upamecano. Já nos acréscimos, Bellingham impediu um ''abafa'' ainda maior da França ao fazer um golaço e dar números finais ao jogo.