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As notícias com Carlos Pedro.
Jornal das 6, na Rádio Observador. A começar com a manchete, nesta altura no site do Observador. Um idoso ficou 36 horas, ou seja, dia e meio, à espera de ajuda médica nas urgências do Hospital Amadora-Sintra. O doente apresentava tonturas, espasmos e falta de força. Foi transportado de ambulância no sábado à tarde e só chegou a casa na madrugada de segunda-feira. Isto nos dias 29 e 30 do mês de agosto. Passou quase 23 horas sentado numa cadeira de rodas até ser chamado para observação médica e nesse dia apenas havia dois médicos para atender os doentes urgentes na sala de espera. O LS de Amadora-Sintra justifica que os longos tempos de espera se devem à afluência diária de mais de 300 pacientes. O Hospital Amadora-Sintra está a lidar com uma grave falta de médicos e está sem diretor de urgência desde o mês de abril. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já admitiu que a situação é preocupante e prevê que as próximas semanas vão ser de grande pressão. Na política, falamos da Festa do Avante. O PCP diz que o PS, ao viabilizar o Orçamento do Estado, vai estar a libertar o Chega dessa responsabilidade e também a dar espaço de manobra ao governo. Foi o que defendeu ontem o secretário-geral comunista Paulo Raimundo, no encerramento da Festa do Avante.
Se o PS viabilizar o Orçamento do Estado, mais uma vez liberta um Chega comprometido até ao pescoço com a política em curso ter de o fazer e dá-lhe ainda mais espaço para continuar a enganar o povo. Se o PS o fizer, terá que ainda assumir as responsabilidades, a responsabilidade pelo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, pelo ataque à escola pública, pela especulação imobiliária, o ataque aos salários, às reformas, à Segurança Social, às privatizações e o aumento dos preços. Se o fizer, o PS confirma a sua cumplicidade com a política de direita e oferece ao governo PSD/CDS, ao Chega e à Iniciativa Liberal, ainda mais espaço para elevar o ataque.
O secretário-geral do PCP diz ainda que a política do governo merece censura e ataca os partidos que apoiam e suportam as escolhas do Executivo, sem mencionar diretamente a moção de censura ao governo apresentada pelo Chega. Paulo Raimundo aponta que o problema do Executivo não é a incompetência, nem as explicações insuficientes de ministros, mas sim as políticas do primeiro-ministro Luís Montenegro. Seguimos com o relatório da Pordata, que diz que a taxa de conclusão do ensino secundário é mais baixa nas regiões de Lisboa, Setúbal e Algarve. Os dados são coligidos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Um dos dados de relevo é a diferença na conclusão do 12° ano, sobretudo na rede pública, com destaque negativo para Lisboa, Setúbal e Algarve. Em Lisboa, por exemplo, 67% dos alunos que iniciaram um curso geral no secundário concluíram-no três anos depois. No Porto, esse número sobe de 67 para 81%. Também a norte, mas no terceiro ciclo, as escolas apresentam alunos com taxas de conclusão nos três anos previstos acima da média nacional de referência, acima dos 90%. Lisboa fica-se pelos 85%. Este estudo conclui também que há menos alunos nos escalões mais baixos e mais estudantes no ensino superior, particularmente estrangeiros. Vamos à Alemanha falar da atualidade internacional. Na Alemanha, ontem foi dia de eleições estaduais. A extrema-direita venceu na Saxônia-Anhalt sem a maioria absoluta e, por isso, procura agora coligações. O partido AfD, a Alternativa para a Alemanha, venceu com 44% das intenções de voto no Estado Federal da Saxônia-Anhalt. Ainda assim, o partido de extrema-direita não conseguiu resultado suficiente para alcançar a maioria absoluta. Em segundo lugar, ficaram os democratas cristãos da CDU, com cerca de 18% das intenções de voto. O partido Die Linke e o Partido Social-Democrata obtiveram apenas 9%. A CDU já admitiu a derrota, garante que não está disponível para coligações. Já o líder da AfD na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, diz estar disponível para uma coligação, mas não abdica dos princípios do partido.
As pessoas demonstraram que querem finalmente uma mudança política e, acima de tudo, demonstraram que a querem conosco. Transformamos o resultado das eleições exatamente como queríamos. 45% é um resultado realista e um ótimo sinal. Estou curioso para ver quais as consequências no meio político de Berlim para os próximos dias. É claro que vamos assumir a nossa responsabilidade política. Vamos fazer o que prometemos durante toda a campanha. Estamos dispostos a estender a mão, caso surja aqui uma outra força política com as quais possamos resolver os problemas fundamentais deste país. Mas há uma coisa que nós não vamos fazer: não vamos ceder, não vamos fazer compromissos de última hora. Vamos manter-nos fiéis à nossa linha de ação. É isso que o eleitor merece. E é precisamente o caminho que vamos transmitir. É uma sensação histórica. Fizemos história.
Ulrich Siegmund, o líder da AfD na Saxônia-Anhalt, numa primeira reação aos resultados das sondagens à boca das urnas, que apontam para uma vitória do partido de extrema-direita AfD. Na análise a estes resultados, Helena Ferro Gouveia considera que estas eleições regionais refletem uma mudança tectônica na política nacional alemã. Ouvida na Rádio Observador, a analista de assuntos internacionais explica que embora as eleições sejam regionais, vão ter impacto não só a nível nacional como a nível europeu.
Esta é uma mudança tectônica na política nacional alemã, mas não só. É uma mudança que terá impacto também naquilo que é a política europeia. Nós vemos pela primeira vez um partido de extrema-direita. Por vezes as palavras não são usadas com propriedade, mas aqui podemos com propriedade falar em extrema-direita, assumir aquilo que será a governação de um dos 16 Estados federados da Alemanha. Mesmo que não haja aqui a maioria absoluta, há aqui a possibilidade de se encontrar em coligações ou pelo menos se trabalhar individualmente com alguns dos deputados.
A analista de assuntos internacionais Helena Ferro Gouveia explica de que forma esta vitória da extrema-direita no estado da Saxônia-Anhalt vai ter consequências no meio político de Berlim.
Tem a nível nacional, porque a Alemanha é um conjunto de 16 estados e tem aquilo a que se chama um Bundesrat, uma espécie de Senado, onde os ministros presidentes se sentam e têm acesso à informação classificada, em matéria de política externa e em matéria de segurança, por exemplo, tem este impacto. Depois naquilo que são as competências dos estados federados, pode alterar aquilo que são os currículos escolares, pode ter impacto na nomeação do chefe das secretas regionais, porque a Alemanha tem umas secretas centrais e depois tem 16 secretas regionais. Temos aqui alguém da AfD, nomeia a polícia, tem uma série de impactos diretos.
Análise da analista de assuntos internacionais Helena Ferro Gouveia, escutada aqui na Rádio Observador. Olhamos também para o conflito na Ucrânia. Os enviados norte-americanos já saíram de Kiev, onde estiveram este domingo reunidos com o Volodymyr Zelensky. Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram ontem em Kiev, depois de terem estado no dia anterior reunidos com Vladimir Putin em Moscovo. No final do encontro, o presidente ucraniano revelou que em cima da mesa esteve o fornecimento de mísseis de defesa aérea e um pacote de apoio para o inverno. O chefe de Estado ucraniano afirmou ainda que é preciso fazer tudo para que as reuniões trilaterais com a Rússia aconteçam. Já quanto aos enviados da Casa Branca, pedem um avanço concreto nas negociações antes do inverno e afirmam que os Estados Unidos querem criar um plano de paz duradoura e não apenas acabar com a guerra.
O presidente Trump envia cumprimentos. Ele, obviamente, está a seguir isto muito atentamente e está a trabalhar arduamente para tentar encontrar um caminho para acabar com esta guerra, mas não só para acabar com o conflito. O presidente Trump está muito focado em criar um plano que permita uma paz duradoura. O que nós estamos a fazer é tentar criar um pacote de medidas para a paz. Nós temos trabalhado muito com os nossos parceiros europeus também, porque isto tem sido uma guerra longa e dura e quando resolvermos isto, teremos que resolver todos juntos.
O enviado especial dos Estados Unidos a Kiev, Jared Kushner. E com o fim da visita dos norte-americanos, chega também o fim do cessar-fogo de três dias, decretado tanto por Kiev como por Moscovo. O governo cabo-verdiano vai avançar com uma análise séria e profunda às circunstâncias do acidente com o autocarro na Ilha do Fogo, um despiste que causou 25 mortes e 13 feridos. O primeiro-ministro de Cabo Verde tinha já decretado dois dias de luto nacional. Agora, durante a deslocação à Ilha do Fogo, anunciou uma investigação. Adianta que a análise deverá considerar as características da estrada, o percurso e as condições de mobilidade, entre outros fatores que possam ajudar a compreender o sucedido e a prevenir novos acidentes. Vamos fechar no desporto. A seleção sub-20 feminina de Portugal estreia-se hoje no Mundial da categoria, diante das campeãs em título, a Coreia do Norte. A partida arranca às 14h. É a primeira vez que Portugal participa nesta competição. Mede logo forças com o vencedor do Mundial de 2024. A Coreia do Norte venceu essa competição só com vitórias e apenas com dois gols sofridos. Depois do jogo de hoje, Portugal defronta ainda na quinta-feira a Colômbia e no domingo mede forças com a Costa Rica. A prova decorre na Polónia até dia 27 deste mês. Já voltamos a falar de desporto na Rádio Observador, daqui a pouco, com o João Lourenço. Fica por aqui este jornal das 18h na Rádio Observador.