Lula endurece discurso contra Trump e avisa: "Não somos uma colónia e não seremos colónia de ninguém"

Por decisão da Administração Trump, alguns produtos brasileiros ficaram sujeitos a direitos aduaneiros adicionais que elevam até 37,5% a taxa aplicada às suas exportações

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reivindicou a soberania nacional no domingo, véspera do Dia da Independência, retomando um dos principais temas da campanha, numa referência às pressões comerciais dos Estados Unidos.

Num discurso transmitido pela rádio e pela televisão, e sem se referir diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump, Lula afirmou que nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer ao Brasil a quem pode comprar e vender, numa crítica indireta às medidas comerciais adotadas por Washington.

"Defendemos o comércio livre. Nenhum país estrangeiro tem o direito de nos dizer a quem podemos comprar e a quem podemos vender. Somos um país soberano, e as nossas decisões pertencem-nos, a nós e a mais ninguém", afirmou o chefe de Estado.

Por decisão da Administração Trump, alguns produtos brasileiros ficaram sujeitos a direitos aduaneiros adicionais que elevam até 37,5% a taxa aplicada às suas exportações.

Neste contexto, Lula afirmou que o caráter pacífico do Brasil não significa "baixar a cabeça perante potências estrangeiras".

"Não somos uma colónia e não seremos colónia de ninguém", sublinhou.

O Presidente defendeu também que as riquezas naturais do país devem ser utilizadas para impulsionar o desenvolvimento económico e social.

Lula da Silva recordou que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, a maior fonte de água doce do planeta e uma nova reserva de petróleo descoberta recentemente na costa amazónica.

Para o líder brasileiro, um país soberano deve ser capaz de defender o seu território, as suas fronteiras, o seu ambiente, as suas riquezas e a sua população face a interesses estrangeiros, mas também de oferecer aos seus cidadãos condições para conquistarem a sua própria "independência".

O governante destacou ainda o caráter pacífico do Brasil e afirmou que o país trabalha pela paz mundial, defende o comércio livre e aposta na harmonia entre as nações.

O Presidente brasileiro, que aspira a um quarto mandato não consecutivo nas eleições presidenciais agendadas para outubro, lidera as sondagens de intenção de voto na primeira volta, com 38% das preferências, seguido pelo senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro, o seu principal rival, com 33%.

Apesar do líder progressista continuar na liderança das sondagens, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é amigo e seguidor de Trump, tem vindo a reduzir a distância que os separa.

De acordo com a mais recente sondagem da Datafolha, Lula obtém 46% das intenções de voto num eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que atinge 44%, um resultado que representa um empate técnico dentro da margem de erro.