"A ameaça dos mísseis balísticos só vai aumentar" e a Europa deu um passo em frente para criar um "escudo sólido"

Grupo tem como objetivo fortalecer a capacidade defensiva do continente e diminuir os custos de produção de sistemas anti-mísseis

Nove países europeus anunciaram esta segunda-feira uma coligação para ampliar as capacidades de defesa anti-mísseis balísticos da Europa. O anúncio foi feito em comunicado conjunto entre Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido.  

“Reconhecendo a crescente ameaça representada pelos mísseis balísticos e a importância cada vez maior das capacidades de defesa para a segurança do continente europeu, anunciamos o início do processo de criação de uma coligação antimísseis balísticos de caráter puramente defensivo”, diz o texto. “Manifestamos o nosso apoio ao seu principal projeto, com vista a avançar a um ritmo acelerado no desenvolvimento de uma capacidade antibalística”.  

No X (antigo Twitter), Volodymyr Zelensky agradeceu a Emmanuel Macron, presidente de França, por organizar o encontro entre os líderes dos diferentes países que contou com a presença de CEOs de empresas do ramo da defesa. O objetivo do grupo é fortalecer as capacidades de atuação europeia contra ameaças causadas por mísseis balísticos e criar o FREYJA, um novo sistema que será uma alternativa ao Patriot, feito pelos Estados Unidos.

O projeto será desenvolvido pela Ucrânia com o apoio dos demais países. Este sistema será mais barato, mas, de acordo com o presidente ucraniano, não tem como objetivo substituir os utilizados atualmente.  

“É uma forma de reforçar a nossa defesa, criar um escudo sólido sobre toda a Europa e fazer tudo isto mais rapidamente e a um custo mais baixo”, escreveu no X. “Espero que, nos próximos 12 meses, possamos ver o FREYJA em pleno funcionamento. A ameaça dos mísseis balísticos a nível mundial só vai aumentar. Esta é uma das principais consequências das guerras da Rússia e do Irão. Por isso, o FREYJA tem de se tornar uma realidade”. 

Segundo o comunicado emitido por todos os países, a coligação pretende trabalhar junta para desenvolver a defesa europeia. Para isso, devem ser criados “grupos de trabalho técnicos conjuntos”, “requisitos operacionais comuns, grupos de trabalho técnicos conjuntos, mecanismos de governação claros e um roteiro para o desenvolvimento das primeiras capacidades operacionais” dos países envolvidos.  

O anúncio ocorre em meio a recorrentes hostilidades entre Ucrânia e Rússia nas últimas semanas. Enquanto os russos têm atacado com frequência cidades relevantes no território europeu, os ucranianos enviaram drones a Moscovo e atingiram importantes refinarias de petróleo, o que está a causar uma crise de escassez de combustíveis que preocupa o Kremlin.