"O acordo não está em contradição com os compromissos com alianças internacionais que a Turquia já mantém, incluindo com a NATO", refere uma declaração do serviço do Governo Turco de combate à desinformação, na rede social X.
Segundo a mesma fonte, o acordo "constitui, pelo contrário, um mecanismo de cooperação complementar que apoia a segurança na região", e não "um bloco militar ofensivo".
"O desenvolvimento de parcerias regionais por parte da Turquia não representa uma alternativa a ser membro da NATO", frisa o comunicado.
Ancara reitera que o acordo tripartido, assinado hoje em Meca, não tem nenhum outro país como alvo e visa sobretudo o reforço da cooperação industrial na área da Defesa e do treino militar, em prol da estabilidade na região.
A Turquia tem o segundo maior exército da NATO e recebeu uma cimeira de líderes em julho, com a presença do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, país aliado dos três signatários do acordo.
A declaração oficial conjunta divulgada pelos três governos envolvidos no acordo de segurança trilateral, hoje assinado em Meca, menciona como objetivos apenas a "dissuasão coletiva contra qualquer ato de agressão" e o "fortalecimento de todos os aspetos da cooperação militar".
Ancara tem investido fortemente no desenvolvimento da indústria de armamento e, nos últimos anos, expandiu as suas capacidades de defesa através de projetos conjuntos com diversos países europeus, incluindo Espanha e Itália.
Os principais clientes das empresas turcas são o Paquistão e os Emirados Árabes Unidos, enquanto a Arábia Saudita, o terceiro maior importador de armas do mundo nos últimos cinco anos, se abastece sobretudo nos Estados Unidos, França e Espanha.
Após a assinatura do acordo de defesa, a Arábia Saudita salientou que o entendimento não procura criar um "eixo militar" ou "sectário" nem tem "ambições nucleares", em pleno conflito alargado no Médio Oriente desde a ofensiva militar israelo-americana, em 28 de fevereiro, contra o Irão.
"Pelo contrário, centra-se no desenvolvimento de capacidades sustentáveis", afirmou Rayed Krimly, subsecretário de Diplomacia Pública do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita.
O diplomata acrescentou que este pacto, assinado pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e pelo Presidente turco, "não constitui uma ameaça à segurança de nenhum país da região, nem representa uma escalada da tensão entre quaisquer Estados".
Krimly observou que o acordo estipula que "qualquer ataque armado externo contra qualquer um dos três países será considerado um ataque contra os três", reforçando, ao mesmo tempo, que este novo paradigma de segurança "não prejudica as fortes e estratégicas relações" entre a Arábia Saudita e os seus vizinhos árabes no golfo Pérsico.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, declarou, também através da rede social X, que o pacto representa o culminar "do desejo partilhado de unificar esforços para enfrentar os desafios e ameaças que afetam a segurança e a estabilidade da região".
A aliança une formalmente as capacidades militares de três países predominantemente sunitas: o Paquistão, a única nação com armas nucleares no mundo islâmico e que tem atuado como mediador entre Estados Unidos e Irão, a Turquia, que possui o segundo maior exército da NATO, e a Arábia Saudita, a potência económica da região.
O primeiro-ministro paquistanês descreveu pelo seu lado o acordo de defesa como um "escudo da paz para as gerações futuras", esperando que "traga prosperidade aos três países irmãos, bem como à Ummah [comunidade muçulmana]".
Shehbaz Sharif, que viajou na quinta-feira para a Arábia Saudita acompanhado pelos principais oficiais militares e de defesa do seu país, agradeceu sobretudo ao chefe do Exército, Asim Munir, a quem atribuiu um papel fundamental no sucesso das negociações.
O acordo surge numa fase em que a Arábia Saudita enfrenta ataques de milícias iraquianas e dos rebeldes Huthis do Iémen, grupos xiitas integrados na rede de alianças (o chamado "eixo de resistência") liderada pelo Irão, no quadro do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra Teerão.
O reino árabe, principal exportador de petróleo da região, enfrenta não só interrupções no tráfego marítimo no estreito de Ormuz, como também no mar Vermelho, a principal via de escoamento das suas remessas de crude.
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