EUA condiciona aumento da cota do açúcar à proposta do Brasil

Brasil

Governo Trump anunciou que reduzirá a quantidade de açúcar que paga menos imposto ao ser importada pelos norte-amercianos

07/08/2026 20:31

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O açúcar sendo derramado em fundo preto. Metrópoles

O vice-secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, afirmou que poderá aumentar a quantidade de açúcar brasileiro na cota que paga menos taxa de importação, caso o governo brasileiro apresente propostas comerciais satisfatórias. 

A informação foi enviada em mensagem da Embaixada do Brasil em Washington ao governo brasileiro. O Brasil foi o único país anunciado pelo governo Trump com a diminuição da cota do açúcar. 

Nesta semana, durante um discurso no Simpósio Internacional de Adoçantes, em Michigan, o vice-secretário do Departamento de Agricultura dos EUA (United States Department of Agriculture – USDA), Stephen Vaden, afirmou que as tarifas do país sobre o açúcar estrangeiro acima da cota não são atualizadas há 26 anos.

“O governo não permitirá que a concorrência estrangeira desleal nos tire os mercados. […] “Todos sabemos que a razão pela qual o açúcar se encontra na situação atual é devido a uma política comercial que não favorece os produtores nacionais há muito tempo”, disse.

No evento, ele citou o Brasil diretamente e disse que aqui, na China, e em outras nações, “as políticas trabalhistas colocam os produtores americanos em uma posição injusta”. 

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Segundo a imprensa norte-americana, em 2026, “práticas comerciais estrangeiras desleais custaram aos produtores americanos de beterraba e cana-de-açúcar quase 2 bilhões de dólares”, afirmou o Michigan Farm News.

Entenda

Os Estados Unidos deixaram o açúcar brasileiro de fora da sobretaxa de 12,5% anunciada em julho, permanecendo apenas a primeira tarifa de 25% sobre o produto.

Entretanto, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) cortou a quantidade de açúcar da parcela brasileira na cota de redução tarifária, que será concedida a partir do ano fiscal norte-americano de 2027, que começa em outubro deste ano. O volume baixou de 156 mil toneladas para 100 mil toneladas (-36%).

Dessa maneira, o produto exportado excedente pagará 37,5% de imposto. O corte vale tanto para o açúcar bruto de cana e o refinado, quanto para produtos contendo a commodity.

Explicação

Em nota enviada ao Metrópoles, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou o recebimento do comunicado, elaborado pela Adidância Agrícola do Brasil em Washington, que registra as declarações públicas feitas durante o Simpósio Internacional de Adoçantes da American Sugar Alliance, realizado em 3 de agosto.

“O episódio demonstra o trabalho rotineiro de acompanhamento realizado pelos adidos agrícolas brasileiros no exterior. Cabe a esses profissionais acompanhar temas de interesse do agronegócio brasileiro, identificar desafios e oportunidades e manter interlocução com autoridades e representantes dos setores público e privado nos países onde atuam”, destacou.

“Ressalta-se que, conforme registrado no próprio documento, as declarações constituem uma indicação política adicional sobre o tema e não representam, até o momento, decisão formal do USTR”, acrescentou.