Alegados terroristas raptam sete camponeses em Muidumbe

O rapto ocorreu na manhã de domingo, quando 13 camponeses trabalhavam numa machamba de tabaco junto ao rio Messalo, na zona de Tadavala, distrito de Macomia, tendo sido intercetados por homens armados que sequestraram sete elementos do grupo e os conduziram para a região de Miangalewa - uma das principais localidades de Muidumbe, situada no interior do distrito e frequentemente referida em relatos sobre movimentos de insurgentes na região- , disse à Lusa uma fonte local.

"Eles estavam lá a semear tabaco e apareceram homens armados que lhes disse para seguir com eles em direção à zona baixa do rio Messalo, zona de Miangalewa", disse o familiar de uma das vítimas.

Segundo a fonte, entre os raptados está um idoso de mais de 70 anos que foi reconhecido pelos rebeldes como sendo um dos combatentes da guerra civil e a quem foi dito para transmitir a experiência do combate.

"Uma das vítimas dos rebeldes, é um idoso, ele é combatente da guerra da Renamo e lhe foi dito para ensinar eles como se combate" disse.

O ataque não fez vítimas mortais e os outros seis camponeses que integravam o grupo conseguiram fugir para Muidumbe, receando serem mortos pelos atacantes, acrescentou outra fonte local.

"Outros escaparam para Muidumbe e foram eles que denunciaram o problema", disse outra fonte a partir de Muidumbe.

Segundo a fonte, a informação foi partilhada com as autoridades do distrito e espera-se que haja buscas para salvaguardar a vida dos raptados.

"Já é do conhecimento do Governo e esperamos que vá uma força de resgate", disse.

Mais de 700 pessoas, quase metade crianças, foram deslocadas nas últimas duas semanas no distrito de Macomia, em Cabo Delgado, norte de Moçambique, devido a ataques e ao receio de novas investidas de grupos armados, segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM).

Pelo menos 701 pessoas abandonaram as localidades de Litandacua e Pangane, no distrito de Macomia, entre 26 de agosto e 15 de setembro, devido a ataques e ao receio de novos ataques de grupos armados não estatais, segundo o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM.

A província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde outubro de 2017, conflito que já provocou mais de 6.600 mortos e sucessivas vagas de deslocação de população.

Nos últimos meses, organizações humanitárias e agências das Nações Unidas têm alertado para a expansão dos movimentos de grupos armados para novas áreas do centro e sul da província, agravando a pressão sobre comunidades de acolhimento e os serviços humanitários.

Leia Também: Moto-taxistas moçambicanos pedem combustíveis em protesto