Num contexto de pressão sobre as fronteiras europeias, o primeiro-ministro britânico garantiu ser “implacável” na resposta às travessias de pequenas embarcações feitas através do Canal da Mancha. “Estamos a fazer progressos, mas não somos complacentes”, afirmou.
As declarações surgem dias depois de milhares de migrantes terem entrado em Ceuta. Andy Burnham confirmou ter recebido garantias do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de que cerca de 98% das pessoas que entraram no território espanhol, na passada quinta-feira, já terão regressado a Marrocos.
Embora isso tenha resolvido “substancialmente” a questão imediata, “há uma questão mais ampla relativa ao espaço Schengen e à relação britânica com o mesmo”, referiu. “Gostaria de manter um diálogo regular com a UE sobre essas questões”, citou o jornal The Guardian.
Em visita ao comando de controlo de fronteiras na cidade portuária de Dover, no domingo, e falando numa “mudança de abordagem” no que diz respeito à questão das travessias por via marítima, o líder do Partido Trabalhista garantiu que os serviços de combate aos grupos de tráfico de pessoas têm sido duplicados, tanto no lado britânico, pela Agência Nacional de Combate ao Crime (NCA, na sigla inglesa), como no lado francês.
Como resultado, e segundo os dados do Ministério do Interior, até ao momento, as travessias registadas este ano diminuíram cerca de 43% em comparação com o mesmo período de 2025, sendo que julho registou o número mais baixo em seis anos, anunciou Burnham.
“Claramente está a haver progresso, mas não somos complacentes”, afirmou o primeiro-ministro, garantindo adotar uma postura forte perante a situação que considerou “preocupante”. “Vamos ser implacáveis”, lançou.
Mais preocupado em “lidar com o problema em vez de politizá-lo”, Burnham defendeu que o Reino Unido precisa de “retomar o controlo”, lançando ainda que “o público não gosta da ideia de que a fronteira pareça descontrolada”.
No entanto, reforçou também a necessidade de “implementar um sistema que ofereça trajetos seguros para as pessoas” e de “oferecer apoio às pessoas que realmente precisam”.
Mais de 2 mil migrantes chegaram ao Reino Unido em pequenas embarcações desde que Burnham assumiu o cargo em 20 de julho. De acordo com o site oficial do Ministério do Interior, a última quarta-feira foi o dia mais movimentado do ano, com 752 pessoas a chegarem ao Reino Unido pelo canal que liga a Grã-Bretanha e a França. Também no sábado, 326 pessoas atravessaram o Canal da Mancha “sem permissão de entrada”.
A posição firmada este domingo surge em linha com declarações feitas dias antes pelo primeiro-ministro, nas quais assegurou que, apesar dos frutos do plano implementado pela ministra do Interior, Shabana Mahmood, “é preciso fazer mais”.
Numa visita separada à sede da Agência Nacional de Combate ao Crime, em Stratford, e segundo avançou o The Guardian, a ministra do Interior afirmou que a reforma era necessária “para abordar os fatores de atração que levam as pessoas a embarcar no Canal da Mancha”, acrescentando: “Quero mudar a equação. Quero que mudem de ideias quanto à decisão de embarcar, logo à partida”.
As medidas de imigração propostas por Mahmood, nomeadamente o aumento do tempo necessário de qualificação para uma autorização de residência por tempo indeterminado de cinco para dez anos, têm sido recebidas com forte oposição no Partido Trabalhista.