Anne Hidalgo e atual presidente da Câmara de Paris denunciados por alegada omissão em casos de abusos sexuais de crianças

O objetivo é que a Justiça determine o que os responsáveis municipais sabiam sobre a situação nas atividades extracurriculares, que dependem da Câmara de Paris, e apure a alegada inação das autoridades para resolver o problema

Um grupo de 17 famílias de crianças que dizem ter sido vítimas de abusos sexuais por parte de monitores de atividades extracurriculares em Paris anunciou esta sexta-feira que vai apresentar denúncias contra a Câmara, o atual presidente, Emmanuel Grégoire, e a sua antecessora, Anne Hidalgo, por alegada responsabilidade nos casos.

As famílias, reunidas pela associação MeTooEcole, vão apresentar as denúncias junto da Procuradoria de Paris nos próximos dias, também contra o responsável pela Direção de Assuntos Escolares da Câmara, Patrick Bloche, por considerarem que tinha conhecimento dos abusos e não tomou as medidas adequadas para os impedir e investigar.

Os advogados dos pais, citados pela France Info, indicaram que o processo terá como base as acusações de colocar deliberadamente em perigo a vida de terceiros, não prestar assistência a pessoas em perigo e não denunciar infrações cometidas contra menores.

O objetivo é que a Justiça determine o que os responsáveis municipais sabiam sobre a situação nas atividades extracurriculares, que dependem da Câmara de Paris, e apure a alegada inação das autoridades para resolver o problema.

A advogada Kathleen Taieb considerou inadmissível que tenham sido contratados monitores «sem verificar a sua idoneidade», que os alegados responsáveis pelos abusos não tenham sido suspensos «apesar dos alertas» e que tenham sido simplesmente transferidos para outros cargos ou que «não tenha sido informado aos pais o que realmente estava a acontecer».

Desde o início do ano, a Câmara de Paris suspendeu 132 monitores das suas funções, 52 dos quais devido a suspeitas de violência sexual ou sexista. Foram abertas mais de 200 investigações criminais relacionadas com as atividades extracurriculares, cuja organização é da responsabilidade municipal.

Hidalgo, de origem espanhola, foi presidente da Câmara até às eleições de março passado, quando foi sucedida pelo também socialista Grégoire, que anteriormente tinha sido durante dez anos o número dois da autarquia, até ser eleito deputado em julho de 2024.

Grégoire revelou em novembro de 2025, à France Inter, que sofreu abusos sexuais durante vários meses quando tinha cerca de sete anos. Segundo contou, os abusos ocorreram no âmbito de atividades extracurriculares, incluindo numa piscina municipal, mas manteve o silêncio durante décadas e decidiu falar sobre o assunto depois de se deparar com casos de violência sexual no contexto escolar e extracurricular de Paris.