Fim da Seat, 100 mil despedimentos e redução dos modelos para metade: o que se está a passar com a Volkswagen

O grupo Volkswagen atravessa uma crise devido à forte concorrência dos fabricantes chineses na Europa, à queda das vendas na China e às tarifas dos EUA

O grupo automóvel alemão Volkswagen, que detém marcas como VW, Seat e Cupra, Audi e Porsche, vai cortar mais 50 mil postos de trabalho, elevando o total para 100 mil até 2030, e reduzir para metade o número de modelos.

O conselho de supervisão do grupo, que tinha rejeitado o plano de poupança em julho, aprovou na quinta-feira, de forma surpreendente e por unanimidade, o plano apresentado pelo presidente executivo, Oliver Blume.

A reunião estava prevista para sexta-feira, mas a decisão foi antecipada para quinta-feira, depois de dois meses de negociações entre a administração, os representantes dos trabalhadores e o Estado da Baixa Saxónia, que é acionista com uma participação de 20%.

Os cortes de postos de trabalho foram bem recebidos na bolsa e as ações da Volkswagen dispararam 6,5%, para 81,32 euros, nos primeiros momentos da sessão em Frankfurt.

O grupo Volkswagen atravessa uma crise devido à forte concorrência dos fabricantes chineses na Europa, à queda das vendas na China e às tarifas dos EUA.

O maior fabricante automóvel da Europa quer reduzir para metade o número de modelos e poderá vender participações em algumas subsidiárias, como o fabricante de camiões Traton. No entanto, não revelou nada sobre o futuro da marca espanhola Seat, que há anos está ensombrado pelo grande sucesso da Cupra.

O presidente executivo da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que a aprovação unânime do plano de poupança pelo conselho de supervisão "é um sinal muito positivo para o futuro do grupo Volkswagen".

A Volkswagen pretende "abrir caminho para um sucesso sustentável a longo prazo" numa altura em que "a indústria automóvel e os seus mercados estão a atravessar a transformação mais rápida e fundamental de sempre", afirmou a empresa num comunicado.

O grupo Volkswagen prevê vendas anuais de nove milhões de veículos e pretende alcançar uma margem de rentabilidade operacional de 9% em 2030.

Para isso, terá de atingir um resultado operacional de cerca de 31 mil milhões de euros, com 37 mil milhões de euros em despesas gerais.

A Volkswagen estabeleceu ainda um objetivo de 135 mil milhões de euros para investimentos de capital e investigação e desenvolvimento entre 2027 e 2031.

O grupo chegou a ter cerca de 680 mil trabalhadores em 2023, incluindo as sociedades de risco partilhado chinesas, e em dezembro de 2024 anunciou um primeiro corte de 50 mil postos de trabalho até 2030 na Alemanha, sobretudo na principal marca Volkswagen, aos quais se juntam agora outros 50 mil.

Excesso de capacidade na Europa

A capacidade de produção europeia da Volkswagen supera atualmente a procura em mais de 500 mil unidades.

Por esse motivo, a Volkswagen não consegue garantir uma atribuição de produção competitiva para as fábricas de Emden (Baixa Saxónia), Zwickau (Saxónia) e Hannover (capital da Baixa Saxónia), bem como para a unidade da Audi em Neckarsulm (sudoeste), de forma faseada entre 2031 e 2034.

No próximo domingo, o estado federado da Saxónia-Anhalt, situado entre a Baixa Saxónia e a Saxónia, realiza eleições regionais, nas quais a extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) poderá conquistar a maioria absoluta e governar a região.

O ministro da Baixa Saxónia, o social-democrata Olaf Lies, afirmou que "perante a concorrência internacional, os desafios que a Volkswagen e a indústria automóvel alemã enfrentam são enormes".

Lies, que até agora se tinha manifestado contra o encerramento de fábricas, acrescentou que serão desenvolvidas perspetivas a longo prazo para as unidades de produção.

A vice-presidente do conselho de supervisão e primeira presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, considerou que "como maior empresa industrial da Alemanha, a Volkswagen continua a ter uma enorme responsabilidade para com os seus trabalhadores e as regiões onde opera".

Redução para metade dos modelos

Até 2035, a Volkswagen vai reduzir a sua gama de modelos em 50% e a complexidade da sua oferta em 75%, mas não revelou qualquer decisão sobre a Seat.

O semanário económico alemão "WirtschaftsWoche" noticiou na quinta-feira que a produção da marca Seat deverá terminar, o mais tardar, no final de 2029.

A eliminação gradual da marca reduziria a complexidade e os encargos de investimento dentro do grupo, que pretende concentrar-se na marca Cupra, acrescentou a "WirtschaftsWoche".

A Volkswagen pretende aumentar o volume de vendas por modelo, com custos mais baixos e tecnologia melhorada.

Na América do Norte, o grupo vai concentrar-se nos segmentos mais rentáveis, enquanto na China se adapta às novas previsões de crescimento do mercado automóvel chinês e expande as exportações para o Sul Global.