A Suécia entra esta quarta-feira numa fase decisiva da contagem das eleições legislativas, com apenas três deputados a separarem os dois blocos e ainda votos por contabilizar que podem mexer no equilíbrio de forças no Parlamento.
Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›
Os resultados preliminares dão vantagem à oposição liderada pelos Sociais-Democratas de Magdalena Andersson: 176 deputados contra 173 para o bloco de direita do primeiro-ministro Ulf Kristersson, num Parlamento com 349 lugares.
Esta quarta-feira serão contabilizados votos que não entraram na primeira contagem, incluindo boletins chegados mais tarde e votos provenientes do estrangeiro. O resultado definitivo deverá ser conhecido durante o fim de semana.
Andersson ganhou, mas ainda não pode celebrar
Os Sociais-Democratas voltaram a ser o maior partido sueco, com cerca de 28% dos votos, mas o resultado individual não é suficiente para determinar quem governará.
Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade
Na Suécia, a batalha decisiva está na soma dos partidos que conseguem sustentar um Governo.
Neste momento, o bloco de Andersson — Sociais-Democratas, Verdes, Partido da Esquerda e Partido do Centro — reúne 176 lugares, contra 173 dos Moderados, Democratas Suecos, Democratas-Cristãos e Liberais.
Andersson pediu, por isso, cautela na noite eleitoral: “Agora devemos esperar pelos resultados finais.”
Uma diferença de três deputados pode desaparecer?
Pode.
Continue a ler após a publicidade
Foi precisamente por isso que nenhum dos dois lados declarou definitivamente a vitória. Em 2022, a disputa também foi extremamente renhida e a distribuição de mandatos ainda sofreu alterações durante a contagem.
A cientista política Maria Solevid, da Universidade de Gotemburgo, lembra que estes equilíbrios não são propriamente uma novidade na política sueca e que eleições muito próximas já ocorreram antes do crescimento dos Democratas Suecos.
Com uma diferença de apenas três lugares, qualquer alteração na contagem dos votos que faltam pode ser politicamente relevante.
E se Andersson mantiver a vantagem?
Mesmo nesse cenário, formar Governo não será necessariamente simples.
Continue a ler após a publicidade
Os partidos que integram o bloco de oposição têm divergências importantes em matérias como impostos, energia e imigração. O Partido do Centro, por exemplo, terá de encontrar pontos de entendimento com forças à sua esquerda para permitir uma maioria estável.
Andersson já se mostrou disponível para procurar entendimentos tanto à esquerda como ao centro.
Do outro lado, Kristersson também não desistiu. Se a direita conseguir inverter o resultado, os Democratas Suecos poderão entrar formalmente no Governo pela primeira vez, depois de terem apoiado externamente o executivo desde 2022.
Democratas Suecos são um dos grandes derrotados
Independentemente de quem acabar por governar, há já uma mudança relevante.
Os Democratas Suecos recuaram para cerca de 17,6%, depois dos 20,5% alcançados em 2022, perdendo o segundo lugar para os Moderados de Kristersson.
Continue a ler após a publicidade
O resultado é particularmente significativo porque o partido nacionalista tinha aumentado continuamente a sua influência e tornou possível o Governo de direita formado em 2022 através do chamado Acordo de Tidö.
Agora, poderá ficar novamente fora do Governo — desta vez não por opção estratégica, mas porque todo o bloco pode perder a maioria.
Quando saberemos quem será primeiro-ministro?
Mesmo depois da conclusão da contagem, a Suécia poderá ter de esperar.
O novo Parlamento reúne-se no final de setembro e caberá ao presidente do Riksdag conduzir o processo para encontrar um candidato a primeiro-ministro capaz de ser tolerado pela maioria parlamentar.
Por isso, esta quarta-feira não deverá dizer definitivamente quem governará a Suécia.
Continue a ler após a publicidade
Mas poderá responder à primeira grande pergunta: saber se os três deputados que neste momento colocam Magdalena Andersson à frente sobrevivem à contagem dos votos que faltam.