O chefe do escritório da ApexBrasil em Lisboa afirmou hoje que Portugal é exemplo na integração das pequenas e médias empresas nas exportações e quer reproduzir esse trabalho, além de usar o país como plataforma para internacionalização das empresas.
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“Portugal fez um trabalho muito bom nesse sentido”, afirmou à Lusa Paulo Matheus, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) à margem da Conferência do 2.º Aniversário PÚBLICO Brasil: Europa e Mercosul.
Ao contrário de Portugal, frisou o responsável as “pequenas empresas brasileiras representam apenas 3% das vendas ao exterior”.
É esta realidade que a ApexBrasil pretende alterar, apoiando a preparação das pequenas empresas e utilizando Portugal como plataforma para a sua internacionalização no mercado europeu, após a entrada em vigor, em 01 de maio, do acordo entre a União Europeia e o Mercosul.
“Quando a gente fala de Petrobras ou a própria Embraer, elas não precisam do apoio da Apex (…) Quem realmente precisa? A pequena e a média”, afirmou.
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Paulo Matheus reconheceu, contudo, que a diminuição das tarifas, na sequência do acordo, não garante automaticamente o acesso ao mercado europeu, devido às exigências de adaptação dos produtos, certificação e cumprimento das regras sanitárias.
“Temos desafios: das adequações, das certificações, dos regramentos sanitários, filtros sanitários. Nós temos uma janela, só que a janela não é um passaporte. Então esse é o grande desafio”, frisou o responsável, referindo-se às rígidas normas europeias sanitárias e da proibição de produtos que provém de áreas consideradas desmatadas.
Paulo Matheus considerou ainda que o sucesso do acordo não poderá ser medido apenas pelo aumento das exportações das grandes empresas que já vendem para o exterior, devendo também permitir a entrada de pequenos produtores no mercado europeu.
“A gente chegar daqui a cinco anos e falar: nós aumentámos o potencial de exportação daquelas empresas que já exportavam. Legal, cumprimos um papel, mas não o papel de introduzir esses pequenos produtores”, considerou.
O acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul entrou provisoriamente em vigor em 01 de maio, na sequência de uma decisão adotada pela Comissão Europeia e depois dos parlamentos dos quatro membros fundadores do bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) terem ratificado o tratado.
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A entrada em vigor plena dependerá da ratificação pelo Parlamento Europeu e o acordo continua a enfrentar resistências em países como a França e a Polónia, grandes produtores agroindustriais, um setor em que os membros do Mercosul são altamente competitivos a nível mundial.
Em meados de agosto, em entrevista à Lusa na cidade amazónica de Manaus, o presidente da ApexBrasil disse que o Brasil passou de um défice comercial de 414,96 milhões de euros com o bloco europeu em 2025 para um ‘superavit’ de 2.000 milhões de euros até julho, graças ao acordo União Europeia-Mercosul.
De janeiro a julho deste ano, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 11%, para 31.590 milhões de dólares (27.309 milhões de euros), enquanto as importações aumentaram ligeiramente, totalizando 29.280 milhões de dólares (25.310 milhões de euros).
Em todo o ano de 2025, as exportações de produtos brasileiros para a União Europeia somaram 49.810 milhões de dólares (43.060 milhões de euros) e as importações totalizaram 50.290 milhões de dólares (43.475 milhões de euros).