O governo da Argentina anunciou nesta terça-feira (15) que apresentará novas acusações contra empresas que exploram petróleo nas proximidades das Ilhas Malvinas, intensificando a pressão contra petroleiras que operam no território britânico.
A medida faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo de Javier Milei, que também está preparando uma legislação nesta semana para endurecer as sanções contra empresas que operam nas Malvinas.
Analistas dizem que isso aumenta a possibilidade de tensões mais amplas com o Reino Unido caso a Argentina passe a atingir outros setores da economia das ilhas.
O jornal argentino Clarín informou que um promotor federal havia apresentado um pedido para abrir uma investigação contra executivos e acionistas da israelense Navitas Petroleum NVPTp.TA e da britânica Rockhopper Exploration RKH.L.
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O porta-voz do governo, Adrian Ravier, disse em entrevista coletiva que novas denúncias seriam apresentadas contra empresas que operam nas Malvinas, embora não tenha informado quais.
O governo de Milei já havia mirado a Navitas e a Rockhopper enquanto Buenos Aires mantém sua reivindicação de soberania sobre o arquipélago, que a Argentina chama de Malvinas.
A Navitas não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Rockhopper se recusou a comentar. As duas empresas já afirmaram anteriormente que o projeto de exploração de petróleo possui licenças válidas concedidas pelo governo das Ilhas Malvinas e indicaram que não esperam que as ações de Milei inviabilizem o desenvolvimento do projeto.
O escritório do promotor federal Carlos Stornelli não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Reino Unido, mais cedo nesta terça-feira, procurou tranquilizar empresas que fazem negócios nas Ilhas Malvinas, afirmando, em orientações publicadas em seu site oficial, que apoiava toda atividade econômica legítima nas ilhas e defendia o direito dos habitantes das Malvinas de regulamentar sua economia e desenvolver seus recursos naturais, incluindo hidrocarbonetos.
“A posição do governo do Reino Unido é de que a Argentina não tem o direito de exercer jurisdição sobre as Ilhas Malvinas ou de aplicar sua legislação nacional dentro das ilhas, nem contra quaisquer empresas ou indivíduos que participem de negócios nas ilhas ou relacionados a elas”, afirmou o Reino Unido em suas orientações.
O país acrescentou que não vê base legal para que tribunais fora da Argentina façam cumprir medidas adotadas contra essas empresas.
A Argentina invadiu as ilhas em 1982 e travou uma guerra de dez semanas pelo território antes de se render ao Reino Unido.