Artista cubano Otero Alcántara chega ao exílio nos EUA

Figura proeminente do novo movimento dissidente cubano, Luis Manuel Otero Alcántara chegou na última madrugada ao aeroporto de Miami para o exílio nos Estados Unidos, depois de cumprir pena de cinco anos de prisão em Cuba.

O artista, vestido com calças de fato de treino cinzentas, gorro e uma bandeira cubana sobre os ombros, foi recebido por uma multidão, entre amigos e ativistas de direitos humanos.

O artista tinha obtido, na sexta-feira, um visto para viajar para os Estados Unidos, depois de anos na prisão.

O seu caso reforça as denúncias de que o regime cubano usa o exílio como condição para libertar opositores.

Luis Manuel Otero Alcântara, de 38 anos, ganhou destaque em 2020 como líder do Movimento San Isidro, um movimento de protesto formado por artistas e intelectuais. Foi detido em 2021.

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Ainda no sábado, após chegar aos EUA, Otero Alcántara foi ao Santuário de Nossa Senhora da Caridade, um dos principais símbolos do exílio cubano em Miami, para uma ‘performance’ de restauro de uma estátua partida da Nossa Senhora da Caridade (padroeira de Cuba), como símbolo de reconstrução do seu país.

“Penso que existe agora uma série de ferramentas para orientar as pessoas (…) para que possam compreender o que são liberdades e ir para a rua por esse motivo, não por causa de frango, petróleo ou eletricidade”, afirmou.

Pouco depois da chegada do dissidente, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pediu a Havana a libertação de mais de 700 presos políticos.

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Luis Manuel Otero Alcántara foi detido a 11 de julho de 2021, quando tentava participar nas manifestações históricas em que milhares de cubanos exigiam mais liberdades e melhores condições de vida.

O artista foi condenado no ano seguinte a cinco anos de prisão.

Já o rapper Maykel “Osorbo” Castillo, condenado na mesma audiência a nove anos de prisão, continua sob custódia.

A Amnistia Internacional declarou-os “prisioneiros de consciência”, enquanto o Governo e o Partido Comunista os acusam de agir em nome de Washington para desestabilizar o país.

A libertação de Otero ocorre no meio de tensões crescentes entre Cuba e Estados Unidos.

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No início de julho, durante um debate na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre as sanções americanas, a pedido de Cuba, o embaixador dos EUA, Mike Waltz, exibiu um retrato do dissidente para denunciar a falta de liberdade de expressão na ilha.

Mais de 700 mil presos políticos permanecem encarcerados no país, segundo dados do Departamento de Estado dos EUA e de organizações de defesa dos direitos humanos.

Em outubro passado, outra figura dissidente, José Daniel Ferrer, de 55 anos, que cumpria pena em Cuba, exilou-se nos Estados Unidos.

Estas saídas confirmam a estratégia do Governo cubano de eliminar vozes críticas através do exílio e enfraquecem ainda mais o movimento dissidente cubano, já de si fragilizado pela repressão e incapaz de capitalizar o descontentamento público com a gravíssima crise económica e social que assola a ilha de 9,6 milhões de habitantes.

Para além do embargo, o país está sujeito a um bloqueio petrolífero imposto por Washington, que está a prejudicar as suas atividades económicas, energéticas e sociais. Uma série de sanções contra as empresas também reduziram drasticamente a entrada de divisas.

O presidente norte-americano, Donald Trump, diz que a ilha, situada a 150 quilómetros da costa da Florida, representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos.