Numa cadeira de rodas, com a cadelinha ao colo e uma coroa na cabeça, a princesa Astrid da Noruega segue os seus deveres reais aos 94 anos: em 2025 marcou presença em 20 compromissos oficiais. É o membro da realeza europeia mais longevo da atualidade, apesar de ainda não ter superado nomes como o da Rainha Isabel II, que morreu aos 96 anos e foi provavelmente a monarca mais velha de sempre. Entretanto, ainda há mais de uma dezena de reis, rainhas, príncipes e princesas que se aproximam cada vez mais do centenário.
Viveram uma infância marcada pela Segunda Guerra Mundial — muitos em exílio forçado pela ocupação nazi —, cresceram numa Europa em reconstrução sob o peso de regimes totalitários e assumiram cargos de prestígio numa altura em que a democracia se consolidava no continente. Ao longo da vida, desafiaram convenções com centenas de anos, enfrentaram polémicas por amor e mantiveram-se firmes na defesa de uma herança cada vez mais questionada. Das irmãs nonagenárias dos reis nórdicos aos monarcas que abdicaram do poder em nome dos filhos, passando pelos primos que continuam ao serviço da coroa e pela princesa que renunciou aos títulos por amor; no ativo, em estatuto de eméritos, no exílio ou longe dos holofotes, quem são as figuras da realeza europeia que carregam mais anos de história?
As irmãs dos Reis
Não fosse a lei agnática que até recentemente fazia com que na Noruega e na Suécia só homens pudessem assumir o trono, os dois países poderiam ter monarcas com idades acima dos 90 anos. A princesa Astrid, de 94 anos, e a princesa Margaretha, de 91, são duas dos membros da realeza europeia mais velhas da atualidade. A primeira é irmã do Rei Harald V da Noruega e a segunda a irmã do Rei Carl Gustaf da Suécia. Entretanto, apenas uma delas mantém funções como membro ativo da Casa Real — a outra perdeu a posição dentro da família depois de se casar com um plebeu.
Astrid Maud Ingeborg nasceu a 12 de fevereiro de 1932 em Oslo e recebeu um nome em homenagem à tia, a Rainha Astrid dos Belgas, e às duas avós, Maud da Noruega e a princesa Ingeborg da Suécia. Foi a segunda filha de Olav V e da princesa Martha, e devido à regra de primogenitura agnática, que foi alterada apenas em 2004, não entrou na linha de sucessão ao trono norueguês. A 12 de agosto de 1940, aos oito anos, acompanhou a mãe e os dois irmãos, a princesa Ragnhild e o príncipe Harald, na fuga para os EUA durante a ocupação nazi na Noruega. A família viveu um tempo na Casa Branca, a convite do Presidente Roosevelt, e depois passou os cinco anos seguintes numa residência em Pook’s Hill, nos arredores de Washington.
Durante o exílio os príncipes receberam educação em casa, mas com o regresso à Noruega em 1945 Astrid entrou para a Nissen, a mais antiga escola para raparigas do país. Depois, a princesa estudou Economia e História Política na Universidade de Oxford. Ao mesmo tempo, Astrid aprendeu a costurar e cozinhar em escolas na Noruega e fez um curso de cerâmica com uma artista local.