Eleições seriam "um tsunami" que "fragmentaria a Ucrânia", alerta Zelensky

"Penso que, numa guerra como esta, eleições como estas representam um risco enorme", disse Zelensky, acrescentando que seriam um "tsunami" que "fragmentaria a Ucrânia", em declarações tornadas públicas no domingo.

Numa reunião com jornalistas, a primeira em meses, após uma série de polémicas políticas, incluindo a demissão, em meados de julho, de popular ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, o Presidente ucraniano frisou que, “se queremos destruir o país, podemos seguir o caminho das eleições nestes tempos de guerra".

O mandato presidencial de Zelensky expirou em maio de 2024, mas não é possível realizar eleições na Ucrânia ao abrigo da lei marcial, em vigor desde o início da invasão russa em grande escala do país, em fevereiro de 2022.

Organizar uma eleição exigiria lidar com uma série de obstáculos, como os votos dos soldados destacados no campo de batalha, os milhões de refugiados no estrangeiro e os ucranianos residentes em territórios ocupados por Moscovo.

"É impossível nas circunstâncias atuais, quando (o presidente russo Vladimir) Putin se recusa a considerar opções para um cessar-fogo", acrescentou Zelensky, no dia em que a Ucrânia celebra o Dia da Bandeira Nacional .
Putin quer recrutar 300 mil novos soldados
Aos jornalistas, o presidente ucraniano revelou ainda que, a Rússia poderá convocar centenas de milhares de soldados a mais em 2027 para o seu objetivo principal de capturar o resto da região de Donetsk, no leste da Ucrânia.

Além disso, a Ucrânia acredita que a Rússia planeia mobilizar mais 300 mil soldados para o seu esforço de guerra após as eleições parlamentares de setembro.

As eleições parlamentares na Rússia estão marcadas para 18 a 20 de setembro.

Segundo Zelensky, “a Rússia poderá mobilizar mais tropas em 2027 para atingir a meta total de 500 mil soldados”.

O presidente ucraniano elogiou ainda os recentes avanços das tropas de Kiev no sudeste da Ucrânia, acrescentando que a quantidade de território ocupado pela Rússia e libertado pelas forças ucranianas em 2026 será igual.

Zelensky revelou ainda que Moscovo está a intensificar a produção de mísseis.

A Rússia está a reforçar a sua ofensiva no campo de batalha com uma guerra aérea crescente contra as cidades ucranianas, agravada pela escassez crítica de intercetores Patriot, de fabrico americano.

Zelenskiy afirmou que os 264 intercetores que a Ucrânia espera receber em 2026 representam uma queda significativa em relação a 2025, quando recebeu 364, e a 2023, quando recebeu 675.

Acrescentou que a Rússia pretende desenvolver uma capacidade de produção de até 1.300 mísseis balísticos por ano.
Zelensky disse ainda que a Ucrânia enfrenta outro inverno difícil com ataques russos à sua rede elétrica, uma perspetiva que levou a Força Aérea de Kiev a solicitar 360 intercetores de mísseis para a temporada.

Afirmou ainda ter chegado a acordo com a França para pelo menos um sistema de defesa aérea SAMP/T este ano e com a Alemanha para o fornecimento de cerca de 600 intercetores PAC-2 e PAC-3 até 2028.

O esforço de guerra da Ucrânia é ainda mais complicado por um défice de financiamento da defesa de 27 mil milhões de dólares este ano, disse Zelensky, resultado de despesas superiores às esperadas no primeiro semestre.

São necessários pelo menos oito mil milhões de dólares para um "início normal" em 2027, além de cerca de 20 mil milhões de dólares para salários militares, indemnizações às famílias dos falecidos e outros financiamentos, acrescentou.

c/agências