A Assembleia Municipal de Lisboa defendeu hoje o reforço da segurança na cidade, inclusive mais polícias, “sem alarmismo” perante recentes crimes, com o PS a exigir responsabilidades de quem governa e o PSD a querer informação para “distinguir perceção de realidade”.
O tema da segurança na cidade de Lisboa foi discutido no âmbito de um debate de atualidade requerido pelo grupo municipal do PSD na Assembleia Municipal, realizado hoje na primeira reunião após o regresso das férias de agosto, do qual resultou a aprovação de propostas de PS, PSD, PCP, IL e Chega.
“O PSD solicitou este debate de urgência sobre a segurança em Lisboa, não porque considere que a cidade vive uma situação de alarme social, nem porque queira transformar a segurança num terreno de confronto político, muito pelo contrário. Solicitámos este debate porque acreditamos que há matérias que, pela importância que assumem na vida das pessoas, devem ser capazes de nos unir para além das diferenças partidárias”, afirmou a líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), Liliana Fidalgo.
Reconhecendo que os dados da Polícia de Segurança Pública (PSP) afastam a ideia de uma vaga de criminalidade na capital, a deputada do PSD defendeu a necessidade de ter mais informação para “distinguir perceção de realidade”.
“Quando os números dizem que não existe motivo para alarme, devemos dizê-lo, mas quando os lisboetas dizem que se sentem menos seguros, também devemos ouvi-los”, declarou Liliana Fidalgo, defendendo que segurança é mais do que ausência de crime, “é liberdade”.
Na ausência do presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis (PSD), realçou a exigência de mais polícias na cidade e assegurou que o executivo não descansará enquanto não resolver esta situação, com disponibilidade para proporcionar meios neste âmbito, além do investimento na iluminação pública, videoproteção e guardas-noturnos.
Por parte do PS, o deputado Silvino Correia lembrou que, nos últimos meses, aconteceram em Lisboa “vários episódios que se podem considerar graves”, referindo que essa situação preocupa, mas “esse medo é apenas uma perceção”, sublinhando que é preciso ter a capacidade de “não deixar que cada ocorrência dramática se transforme numa teoria sobre o que se passa numa cidade inteira”.
“Os próprios dados provisórios apresentados pela PSP mostram isso mesmo: a criminalidade geral aumentou 2,9%, enquanto a criminalidade violenta e grave diminuiu 0,4%”, expôs o socialista, defendendo que o problema da segurança não se resolve apenas com mais meios policiais, mas também com o investimento no espaço público da cidade, nomeadamente na iluminação pública e higiene urbana, responsabilidades que cabem à CML.
Silvino Correia acrescentou ainda que fatores sociais e económicos, como desigualdade e pobreza, também concorrem para a insegurança numa cidade, inclusive aumento dos índices de criminalidade urbana, destacando como principais ferramentas de prevenção o acesso à educação e ao emprego, com aposta na inclusão social.
Também defendendo a aposta nas respostas sociais para reforço da segurança, o deputado do Livre João Monteiro criticou “discursos populistas e alarmistas” e recusou “medidas meramente securitárias”, enquanto o eleito do BE Rodrigo Machado afirmou que “o discurso securitário erra o diagnóstico” e acusou Moedas de “empurrar culpas em vez de resolver os problemas sobre os quais tem competência direta”.
Do PAN, António Morgado Valente enalteceu a política do antigo presidente da CML António Costa (PS) que em 2011 decidiu mudar-se para o Intendente no âmbito da requalificação desta zona até então problemática, sobretudo associada ao consumo e tráfico de drogas e prostituição, afirmando que hoje se assiste a “um retrocesso, sem que o atual presidente [da CML] tome qualquer medida”.
Sofia Lisboa, do PCP, acusou Moedas de “cavalgar o sensacionalismo” quanto à segurança na cidade, e Joana Silva, do PEV, sublinhou que o tema deve ser discutido “sem alarmismo”, porque “Lisboa é uma cidade globalmente segura”.
Em linha com o PSD, a deputada da IL Catarina Amaral rejeitou “o alarmismo que transforma cada ocorrência numa prova de insegurança generalizada”, bem como a ideia de que estatísticas globais favoráveis bastam por si.
Francisco Camacho, do CDS-PP, disse que “em certas zonas da cidade regressou o medo” e criticou a proposta do PS, considerando que “é uma extraordinária confissão”, que reconhece o problema, mas apresenta como solução “burocracia habitual”, com planos, diagnóstico, relatórios e um grupo de intervenção.
Do Chega, Luís Pereira Nunes responsabilizou os partidos de esquerda pela situação da segurança em Lisboa e afirmou que há “fenómenos concretos” de criminalidade na cidade, ressalvando que “não se trata de alimentar alarmismos”.
Entre as propostas aprovadas pela Assembleia Municipal está um voto de repúdio do Chega “à crescente insegurança e ao aumento da criminalidade na cidade de Lisboa”, viabilizado com os votos contra de Livre, BE, PAN, PCP e PEV, a abstenção do PS e os votos a favor de PSD, CDS-PP, IL e Chega.