Porto x M.City "Gvardiol devia ter sido expulso."

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está no ar mais um Sem Falta, da Rádio Observador. Hoje, Sem Falta de cariz milionário. Falamos da estreia do Futebol Clube do Porto na Liga dos Campeões frente ao Manchester City. Derrota dos Dragões por 2 x 0, num jogo com arbitragem de Szymon Marciniak, o polaco que, Pedro, falaste aqui no início da emissão, parecia algo lesionado, ao recuperar de uma lesão, sobretudo no que às corridas diz respeito. Foi recuperando a forma ao longo do jogo?

Sim, vamos lá ver. A questão do Szymon é que ele saiu do mundial fazendo apenas dois jogos, exatamente por uma questão de lesão, porque é um árbitro, como nós também aqui já referenciámos, que aparece nos grandes momentos, ou seja, final da Supertaça Europeia em 2018, em 2022 a final do Campeonato do Mundo de Seleções, em 2023 a final da Champions League. Portanto, é um árbitro muito habituado a estas andanças, já há mais de 60 jogos na Champions League. Achei-o menos a acelerar e um pouquinho mais distante. Claro que um árbitro com muita experiência, ele tem 45 anos, consegue fazer isto, mas eu acho que, porventura, está ali com algum medo daquilo que foi uma determinada lesão, neste caso muscular, e portanto está sempre com aquele receio nesta fase.

Vamos começar a analisar os lances. Na tua opinião, minuto 30, ficou por mostrar um amarelo ao Pepe do Futebol Clube do Porto.

É uma situação em que ele vai disputar a bola com o Marc Gualt, em que o Pepe estica a perna direita e depois acaba por não tocar na bola e dá um toque embaixo e depois sobe a perna, isto já a deslizar, e acerta. Vou dizer uma expressão que é do futebol, mas não é das leis de jogo, uma biqueirada, para as pessoas perceberem. No fundo, o que ele faz é com a ponta do pé acertar em cheio no joelho esquerdo do Gualt. É uma entrada durinha, portanto a chamada negligência, é uma entrada fora de tempo, até porque não acerta na bola, e o árbitro não mostrou cartão amarelo e no meu ponto de vista devia ter mostrado.

Temos depois, ainda na primeira parte, Pedro Henriques, 36, amarelo para Gvardiol, que viu este primeiro amarelo, depois Farioli queixa-se de um eventual segundo. Já lá vamos falar deste primeiro.

Sim, em relação a este não há nada a dizer. É a situação em que o Josko Gvardiol tem a bola e é surpreendido e desarmado pelo William Gomes, que aparece de forma rápida e tira a bola. E ele, para parar ali a jogada, a sair do meio-campo, portanto, a chamada falta tática, de forma muito persistente e evidente, abraça o William Gomes e não o permite sair dali. Agarrou, e o árbitro bem, porque ali o objetivo, por isso é que se chama falta tática, normalmente a gente diz que é falta útil, foi para parar e destruir a jogada e por isso o cartão amarelo é bem mostrado.

Ao minuto 41, faltou amarelo para Gvardiol, também do City.

Este é talvez o caso do jogo, é aquela entrada que depois o Gabri Veiga fica a sangrar. E nós estamos numa situação que, curiosamente, até foi com o jogo do Porto, uma entrada sobre o Frauold, depois outra do William Gomes, isto em relação ao jogo com o Maritense, e agora esta. E talvez por estar tudo muito recente, estamos aqui a discutir as situações do que é que é amarelo e vermelho. E o que eu vejo é que muita gente acha que tudo que é braços e mãos à frente e cotovelos, portanto, é tudo para cartão vermelho. E neste momento, está-se a pôr tudo na mesma bitola. E não é assim que funciona, porque a própria lei, primeiro, as mãos e braços são considerados, entre aspas, armas, e, portanto, o próprio IFAB diz que é preciso ter cuidado nestas abordagens de mãos, braços e cotovelos, sobretudo para a zona de proteção, porque quando salta, normalmente, esses mãos, braços e cotovelos têm tendência a acertar na zona da cabeça, nuca, pescoço, rosto. E, portanto, esta combinação normalmente é punida sempre com livre direto, e o árbitro aqui nem nada assinalou, e depois amarelo ou vermelho, lá está, é aqui que depois faz a diferença entre aquilo que é negligência e força excessiva. A negligência é quando o jogador não faz absolutamente nada para evitar aquilo que vai acontecer a seguir. Aliás, a própria definição diz que é negligente quando não tem em conta ou prevê as consequências do seu ato, da maneira como aborda os lances. A parte da força excessiva, que tem muito a ver com a própria conduta violenta, tem muito a ver com a questão da agressão, é quando tu, por exemplo, usas a mão e o braço e claramente fazes o movimento. Estão a ver aquele movimento de armar o braço e dar uma cotovelada? O lance da expulsão do jogador do Maritense sobre o Frauold é um bom exemplo. E é aqui que faz a diferença, no meu ponto de vista, por isso é que no meu ponto de vista é apenas cartão amarelo. Primeiro, o Gualt salta e claramente chega primeiro à bola. A imagem parada, é essa que eu uso inclusivamente num dos locais onde escrevo, é o Gualt com o braço esticado assim para frente, aberto, mas a cabecear a bola, ainda sem contato sobre o Gabri Veiga. Portanto, ele chega claramente à bola. E em nenhum momento ele faz o movimento de braço no sentido de abrir ou fechar, no sentido de dar cotovelada. Ele leva o braço à frente quando se impulsiona para ir à bola e mantém o braço na frente para marcar posição, para proteção e não para esse movimento, e acaba por acertar no Gabri Veiga, que também não está parado, vem no sentido contrário para tentar ir cabecear. Depois, a consequência é realmente o sangramento, deve ter acertado ali na zona do osso da nuca. Lógico que a consequência também faz parte para a análise, porque se rasgou, se partiu, se desmaiou, se deitou sangue, é porque, porventura, a impetuosidade, a velocidade, a contundência foi um pouquinho acima do normal. Mas isso é só um dos fatores, não é o total. E no meu ponto de vista, há realmente negligência na maneira como aborda o lance. O facto de ter chegado primeiro é um atenuante, o facto de não ter movimentado o braço e ter apenas levado o braço à frente é tudo atenuantes para ser cartão amarelo por entrada negligente e não conduta violenta ou uso de força excessiva, que no meu ponto de vista não existiu. E, portanto, o árbitro não mostrou cartão nenhum e, portanto, aliás, não marcou falta. E para mim, o que era correto era livre direto e cartão amarelo, sendo que neste momento um dos lances está muito em discussão, porque depois a tendência que se tem é meter tudo no mesmo saco e os lances não são iguais. E na minha opinião, este, especificamente este, é para cartão amarelo.

Temos depois, ao minuto 45 mais 3, aquilo que na tua opinião é a ausência de um segundo amarelo para Gvardiol, dando aqui razão à queixa de Francisco Farioli, que acredita que o Porto deveria ter jogado a segunda parte contra apenas 10 homens.

Sim, é esse lance que ele se refere. E eu também percebo que estamos numa Champions League e a mostragem de um segundo cartão amarelo Normalmente é porque tens uma entrada muito dura, travas uma saída em contra-ataque, um ataque rápido, tem que ser uma coisa mais óbvia e mais evidente. E os árbitros a este nível tentam de alguma maneira proteger o jogo na perspectiva de que as equipas, independentemente de quem são, terminem com os 11 jogadores. É um pouquinho por aí. E o que acontece? Há um pontapé livre a favor do Futebol Clube do Porto, estamos no minuto 45 mais tempo, o árbitro ia dar três minutos e faltavam 30 segundos para esgotar esse tempo, e o André Silva quer movimentar a bola rápida. E o árbitro depois até diz, para atenuar a situação de não termos dado cartão amarelo ao Guardiola, que o André Silva tinha a bola em movimento quando tentou bater o livre. E na prática e na realidade, não é verdade. O André Silva está a tentar com as mãos colocar a bola um pouquinho mais à frente ou lateralmente ou ligeiramente fora do sítio. Para quê? Para tirá-lo da posição em que o Guardiola estava, porque o Guardiola ficou ali para não o deixar movimentar. Isso, por si só, o ficar ali e não querer deixar movimentar, já podemos levar para aquilo que é o retardar o recomeço do jogo, um comportamento antidesportivo. Mas o Guardiola não faz isso. O Guardiola vai atrás do André Silva e empurra-o. Nem sequer é questão de só colocar ali à frente. Além deste empurrão, com o jogo parado e sem disputa de bola, obviamente, ter como objetivo não deixar recomeçar o jogo, no fundo, retardar o recomeço, há um comportamento antidesportivo que empurra o jogador contra o chão. E eu acho que este não tinha gestão possível. Compreendo o árbitro no contexto em que está, mas para mim não tinha gestão possível. E aqui, sim, cartão amarelo, seria o segundo. E logicamente não vamos fazer futurologia, mas claramente que o jogo podia ser diferente, obviamente.

Temos depois, Pedro, ao minuto 49, aqui já na segunda parte, antes de penáltis sobre o PP, que se reclamou muito. Houve um sinal lá de fora de jogo, mas o PP que cresceu na cara do guarda-redes acabou por ser tocado por Donnarumma. Acredito que se não houvesse fora de jogo, pudéssemos estar aqui perante uma situação de penálti.

Era até porque o árbitro mostrou o cartão amarelo ao Donnarumma. As pessoas dizem: "Mas por que ele mostra cartão amarelo por uma falta que realmente existiu, que ele dá-lhe uma joelhada, mas que é anulado por fora de jogo?" Por partes. O fora de jogo está certo e a partir do momento que há fora de jogo, tecnicamente, o que vem a seguir já não conta. A análise técnica é muito simples: se há fora de jogo e a seguir penálti, o fora de jogo é que é a primeira ação. Então anula a parte disciplinar? Não anula quando são entradas negligentes. Ou imaginemos que o Donnarumma, por hipótese, chegava lá e dava um murro na cara do jogador do Futebol Clube do Porto. Por hipótese, só para as pessoas perceberem, não era penálti porque o jogador estava em fora de jogo, mas a agressão à posterior era na mesma punida cartão vermelho. Por isso é que na lei 12, eles quando falam em imprudência, negligência e força excessiva, todas elas penalizadas com livre direto, se for dentro da área, pontapé de penálti, mas são todas elas imprudência, nada amarelo, amarelo para a negligência e cartão vermelho para a força excessiva, que mesmo com o jogo interrompido, parado ou com uma substituição técnica antes, se estas entradas forem, nomeadamente negligentes para amarelo ou força excessiva para vermelho, mantém-se a cor do cartão. Portanto, neste caso não era anulada e não é anulada a cor do cartão por ser a entrada em si dura, vamos chamar assim. E é por isso que o árbitro bem dá o fora de jogo, porque fora de jogo, depois verifica-se pelas imagens que é claro que realmente está fora de jogo do PP, e mostra o cartão amarelo ao Donnarumma pela entrada em si, que é dura, que é negligente, porque foi uma joelhada.

Uma coisa não anula a outra.

Exatamente. Era penálti clarinho se não fosse fora de jogo.

Temos depois ao minuto 85, um amarelo para Farioli, por protestos vindos do banco.

Sim, o cartão amarelo é mostrado junto ao banco dos dragões, portanto, ao Farioli. Ele protesta uma decisão, mas mesmo que tivesse razão, nunca se pode protestar, conceito da lei, e podia ser na mesma advertido, mas também não tem razão. O Pablo Rosário faz mesmo falta sobre o Enzo Fernandes. Agarra e dá-lhe um pontapé no pé. Disputar a bola, mas pontapé no adversário e derruba o Enzo Fernandes. O mister francês Farioli não tinha razão, mesmo que tivesse era a mesma coisa, e é advertido pela maneira muito veemente e excessiva como protestou, e o árbitro mostrou o cartão amarelo.

Temos para fechar os lances deste encontro, ao minuto 90 mais dois amarelos para Pablo Rosário e para Haaland, que se envolveram ali num belíssimo momento de wrestling para ver quem é que joga o futebol do tique-taque inglês, como chamam lá vos de dar, não é?

Pronto, a questão é, o Pablo Rosário pela zona central e fora da área, por trás acaba mesmo por derrubar o Haaland e portanto tira o Haaland da jogada porque a bola estava a ser conduzida ainda mais à esquerda por parte do ataque do City. Só que o Haaland, não satisfeito com a ação que sofreu daquela infração, vai chamar, que a gente chama de tirar de esforço, mas tira de esforço em modo wrestling, põe-se em cima dele. O Pablo Rosário quer se levantar três ou quatro vezes ele, pumba, empurrá-lo para o chão. Não há agressão, mas há um comportamento antidesportivo. Depois até há uma imagem caricata que é o árbitro bem agachado a tentar separá-los os dois, tipo qual o árbitro do jiu-jitsu ou do MMA que está ali a tentar separar quando alguém está ali a fazer massacre em cima do outro. De qualquer maneira, o árbitro resolveu, e bem, com cartão amarelo. Primeiro, o Pablo Rosário pela falta que faz sem bola e a resposta do Haaland, que é um comportamento antidesportivo.

Resta saber que nota merece Szymon Marciniak, o polaco, que apitou esta estreia do Porto Farioli na Liga dos Campeões com uma derrota caseira frente ao City por 2x0.

Eu vou dar nota cinco. O jogo tem 25 faltas e cinco amarelos, contando com o Farioli, que são números um pouquinho acima da média da Champions. No meu ponto de vista, a entrada do Gué sobre o Gabri é apenas para cartão amarelo, mas o árbitro nem cartão amarelo mostrou. Como também já tinha sido cartão amarelo, deveria ter sido para o PP. Segundo, e obviamente, que o mais relevante e importante, o Guardiola que, no meu ponto de vista, era expulsamento antes do intervalo e não podia acabar o jogo. E portanto, são três cartões amarelos. É lógico que quando estamos perante uma situação de penálti ou de um golo, é fora de jogo, etc, isso tem um impacto mais direto, porque realmente o penálti está mais próximo do golo, o golo propriamente dito, validado ou anulado, é diferente. Aqui estamos a falar de um, suponhamos, que é se uma equipa tem 11, a outra fica com 10, o que pode vir a acontecer em termos de resultado, obviamente. Eu dou nota cinco, porque houve aqui coisas positivas, os quatro amarelos que mostrou foram bem mostrados, os assistentes ao nível do fora de jogo estiveram muito bem. Os poucos lances de área que houve foram todos bem decididos. Ele tentou deixar jogar e não foi nos pequenos contatos, mas realmente o facto do Guardiola não deveria ter acabado o jogo, e isto tem mais impacto no meu ponto de vista, dou uma nota positiva muito baixinha pelo que fez de positivo, mas sobretudo pela ausência de três amarelos e sobretudo este cartão amarelo que para mim é o que tem mais impacto. Nota cinco para a equipa liderada por Szymon Marciniak.

Está feito o "Sem Falta" da Rádio Observador Análise. Szymon Marciniak, o trabalho do árbitro polaco na derrota do Futebol Clube do Porto, em casa frente ao City, por duas bolas a zero. Pedro Henriques, amanhã em dose dupla e um pouco tendencialmente esquizofrénico, porque vamos andar pela Champions League e também pelo campeonato. Jornada dupla, também atravessando as competições. Só mesmo tu. Um grande abraço, Pedro. Até amanhã.

Um abraço. Até amanhã