Autoridades pedem retirada de habitantes de Kherson devido a ataques russos

"Dirijo-me mais uma vez aos residentes de Kherson, especialmente às famílias com crianças e idosos: se tiverem oportunidade (...) por favor, saiam!", realçou o governador regional Oleksandr Prokudin na rede social Telegram.

"O inimigo está a intensificar os seus ataques às infraestruturas críticas da região todos os dias", sublinhou Prokudin, sobre a situação de segurança em Kherson, cidade que tinha uma população de aproximadamente 280 mil habitantes antes da guerra.

"Na noite passada, as forças russas voltaram a atacar a central de aquecimento urbano de Kherson com bombas planadoras. (...) A instalação sofreu danos muito graves", sublinhou Prokudin.

"Kherson pode ficar sem eletricidade ou aquecimento, não apenas durante horas ou dias, mas durante um longo período", alertou.

Segundo o governador, a Rússia intensificou os seus ataques na região, particularmente com drones a jato e bombas aéreas guiadas.

"Atualmente, não há forma de destruir este tipo de drones, nem bombas aéreas guiadas, em qualquer região do nosso país", indicou ainda Prokudin.

Há vários meses que a Rússia e a Ucrânia têm vindo a intensificar os seus ataques aéreos de longo alcance, visando cada vez mais infraestruturas civis, como armazéns logísticos, instalações petrolíferas e portos.

Estes ataques estão a resultar num número crescente de vítimas civis.

No último inverno, o exército russo atacou repetidamente centrais elétricas ucranianas, deixando por vezes milhões de pessoas ao frio e na escuridão.

A cidade de Kherson esteve sob controlo russo de março a novembro de 2022. As forças russas, agora posicionadas do outro lado do rio Dnieper, que faz fronteira com a cidade, bombardeiam-na regularmente.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).