As províncias de Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo foram desligadas da rede nacional devido a uma "oscilação nas linhas de transmissão" que provocou o corte abrupto das três centrais termoelétricas em funcionamento no leste do país, adiantou na quinta-feira a Companhia Nacional de Energia Elétrica (UNE).
A crise energética atingiu o auge nos últimos meses, com sete apagões totais registados até à data em 2026 e aproximadamente 20 horas diárias de interrupções no fornecimento de energia em todo o país.
Desde janeiro que Washington impôs um bloqueio de facto ao fornecimento de combustível à ilha comunista, agravando a crise energética existente e provocando apagões prolongados que afetam a vida dos seus 9,4 milhões de habitantes.
Apesar dos constrangimentos, o governo cubano anunciou que o ano letivo terá início em 01 de setembro.
A ministra da Educação, Naima Trujillo, reconheceu que o retomar das aulas representa um "desafio" devido à escassez de eletricidade e aos problemas de transporte na ilha.
"O maior desafio deste ano letivo será simplesmente conseguir realizá-lo", indicou Trujillo em conferência de imprensa.
A ministra acrescentou que será adotada uma maior flexibilidade em relação aos uniformes escolares e aos horários de entrada e saída, para que todos os 1,4 milhões de crianças e jovens em Cuba possam frequentar as aulas.
Também a escassez de professores marcará o início do ano letivo em Cuba.
Na mesma conferência de imprensa, a ministra explicou que a cobertura dos docentes atingiu 73% (pouco mais de 21 mil docentes), sendo que os restantes serão cobertos por profissionais de outros setores e estudantes universitários.
"A situação mais complexa" neste sentido é em Havana, observou, onde "estão a chegar cerca de 3 mil professores da região leste do país" para reforçar as escolas.
O ano letivo teve de terminar mais cedo em junho devido à profunda crise energética que assola a ilha.
Além disso, já tinha sido implementado um plano de contingência em todos os setores durante o ano letivo anterior, levando alguns níveis de ensino a adotar um modelo híbrido de aulas presenciais e remotas.
Em resposta aos alertas da UNESCO de que a educação na ilha "está em risco devido à crise energética", a ministra cubana afirmou que esta geração "não correrá o risco de ficar sem educação" e que se empenharão para proporcionar "as melhores condições possíveis".