Muda a época, mudam os ares no dragão. Depois de ter terminado a última temporada no segundo lugar do Campeonato Nacional, que valeu o regresso à Liga dos Campeões três anos depois, o FC Porto aproveitou as últimas semanas para arrumar a casa e despediu-se de Magnus Andersson, responsável pelo crescimento do andebol portista no final da última década. Para o seu lugar “chegou” Carlos Martingo, treinador português que já trabalhava com o sueco na estrutura azul e branca. Para lá da mudança no banco, os dragões contrataram Xavier Barbosa e Guilherme Borges, e renovaram o balneário com diversas saídas em relação à temporada passada. A estreia foi positiva, com uma goleada em casa do Avanca (42-20), no Campeonato, mas o primeiro teste de fogo da nova versão portista estava reservado para esta sexta-feira.
Leões foram às Costa(s) de um plano que começou Aly e acabou em Kiko. Sporting bate Benfica e vence Supertaça de andebol
Como tem sido habitual nos últimos anos, a temporada no andebol não podia começar sem a Supertaça Ibérica que, depois de ter sido realizada em Matosinhos há um ano, voltou a Espanha. Sediada em Vigo nos próximos dois dias, Barcelona e Sporting, os campeões dos dois países, e Bidasoa, finalista da Taça do Rei, e FC Porto reuniram-se no Instituto Feiral de Vigo (IFEVI), numa prova que reúne três equipas que vão competir na próxima Champions, que arranca durante a próxima semana. A abrir as hostilidades esteve um dos duelos de maior cartaz, com dragões e blaugrana a encontrarem-se um ano depois do triunfo catalão nas meias-finais da competição ibérica (28-25), que substituiu a Supertaça de Espanha.
“O Barça é um adversário muito forte, que nos últimos anos tem estado sempre no topo e que, no ano passado, sofreu apenas uma derrota durante toda a temporada e ganhou a Liga dos Campeões. Têm jogadores com muita qualidade, mas nós temos uma palavra a dizer e acreditamos que é possível ganhar o jogo. Esperamos um jogo muito competitivo e duro. Também esperamos um jogo muito rápido, porque o Barça é uma equipa que impõe um ritmo muito alto. Não podemos cometer muitos erros, porque isso facilita esse tipo de jogo e não podemos consentir golos fáceis na transição, que é uma das grandes armas deles. Temos de fazer um jogo muito bom, de estar concentrados e não cometer erros que facilitem o trabalho deles. Se estivermos focados podemos fazer um bom jogo e disputar o resultado”, perspetivou Rui Silva.
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???? Vigo ya está preparado para vivir un fin de semana de #balonmano del bueno
⚔️ Semifinales | 4 de septiembre
⌚️ 1️⃣7️⃣:4️⃣5️⃣ h. | @FCBhandbol ???? @FCPorto
⌚️ 2️⃣0️⃣:0️⃣0️⃣ h. | @CDBidasoaIrun ???? @SportingCP▶️ @depo_es |… pic.twitter.com/JV2f1nq1vE
— RFEBalonmano (@RFEBalonmano) September 3, 2026
Perspetivou bem, no que concerne ao Barcelona. Os culés entraram com muita intensidade na partida. O FC Porto ainda conseguiu anular o primeiro golo blaugrana e conseguiu chegar aos 2-3, mas o Barcelona já vencia por 10-4 com 10 minutos de jogo — apenas um golo a cada dois minutos e meio para os dragões —, antes de Carlos Martingo pedir um timeout, que resultou em dois golos e na redução da vantagem dos catalães de seis para quatro golos, com Xavier Barbosa a liderar a resposta azul e branca a 10 minutos de domínio do Barcelona, que contou com o português Luís Frade, que abriu o marcador em Vigo, antes de apontar os oitavo e nono golos dos anfitriões.
Pouco depois da resposta do FC Porto, os blaugrana conseguiram congelar a fervura ofensiva que os visitantes pretendiam imprimir no jogo. Daniel Fernández iniciou o restabelecimento da vantagem de seis golos com que os culés tinham chegado ao timeout — e ainda melhorá-la: aos 18 minutos de jogo, o resultado era de 15-8. Seguiu-se um golo para cada lado, com o FC Porto a seguir para outro timeout a perder por seis golos, a sete minutos do intervalo. O período depois da primeira pausa estava mais equilibrado do que os primeiros 10 minutos. Eram boas notícias para o FC Porto, mas ainda melhores para o Barcelona. Um equilíbrio mantinha as equipas mais próximas a nível exibicional, mas era precisamente essa simetria que permitia ao Barcelona manter a vantagem, fruto do desequilíbrio no arranque.
Ao equilíbrio que convinha ao blaugrana, juntavam-se quatro exclusões de jogadores azuis e brancos contra nenhuma dos adversários, que terminaram o primeiro tempo com sete golos de vantagem: 21-15 era o resultado no final da primeira metade. A diferença estava naqueles 10 minutos iniciais, acima de tudo. Nos segundos 10 minutos, seis golos para cada lado. Nos últimos 10, sete golos para os dragões contra seis dos culés.
O segundo tempo trouxe a superioridade dos dragões. Em cinco minutos, o FC Porto marcou sete golos, ao passo que o Barcelona marcou quatro — com os dois apontados por Frade. Com 36 minutos no cronómetro de jogo, a distância era de apenas três golos — um cenário diametralmente diferente do que se tinha visto na etapa inicial, com exceção dos minutos iniciais, quando as equipas estiveram em igualdade, antes de os culés acelerarem para os 10 golos em 10 minutos. E, como nos últimos 10 da primeira parte, os azuis e brancos marcaram mais que o adversário, nos primeiros 10 da etapa complementar: nove golos contra sete: 28-24, ainda para o Barcelona, que já tinha usufruído de uma vantagem mais confortável.
A primeira e a segunda partes sugeriam uma simetria entre si: final do primeiro tempo e início do segundo muito similares entre si, com um FC Porto mais dominador, à custa de João Gomes e Ricardo Brandão no final da primeira parte (com dois golos cada um) e do bom início de Antonio Martínez na segunda (com três golos); uma fase intermédia de maior equilíbrio, com oito golos para os dragões e sete para o Barcelona, que só já estava a vencer por três golos a 10 minutos do fim. Um dos grandes responsáveis pelo maior equilíbrio continuava a ser Martínez, com seis golos aos 50 minutos de jogo.
⌚️ Minut 45 | Semifinal Supercopa Ibèrica
Barça 32-27 FC Porto
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— Barça Handbol (@FCBhandbol) September 4, 2026
A desvantagem de três poderia ter passado para dois, mas Gunnarson viu Viktor Hallgrímsson vencer um duelo islandês junto da baliza blaugrana aos 56′. Esse momento ditou um final mais tranquilo para o Barcelona e mais conformado para os azuis e brancos, que tinham menos tempo para recuperar os quatro golos de desvantagem e menos um jogador em campo em dois dos três minutos finais com a expulsão de Miguel Oliveira. O domínio do Barcelona nos minutos finais não era o mesmo que o do início. Apesar de consentido pelo FC Porto — ao contrário do que aconteceu no arranque do jogo —, os dragões conseguiram reduzir a desvantagem para dois golos antes de a partida terminar, enquanto o Barcelona ia gerindo o tempo. A partida terminou com uma vitória dos culés por 39-37.
Mesmo que simétricas à sua medida, as duas partes contaram com um FC Porto distinto. Se no primeiro tempo, os azuis e brancos perderam por 21-15, na segunda venceram por 22-18 — uma diferença de quatro golos contra a diferença de sete que o Barcelona conseguia ao intervalo. Esses resultados também explicam o que foram as duas equipas em ambas as partes — mais Barcelona na primeira; mais FC Porto na segunda. Mas também resumem a diferença de superioridades entre as equipas, que teve influência no desfecho desta meia-final: quando o FC Porto dominou, nunca esteve tão bem quanto o adversário naquele início de jogo. O arranque foi, por isso, decisivo — e deixou uma marca que os dragões não conseguiram apagar, mesmo com uma segunda parte que fez esquecer a primeira.
[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]