Bessent falava no final de uma reunião de dois dias de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais, durante a qual procurou centrar as discussões no crescimento económico.
O responsável norte-americano disse ter incentivado alguns dos seus homólogos do G20 a seguirem o exemplo da administração do Presidente Donald Trump, recorrendo a tarifas alfandegárias e outras medidas para combater os desequilíbrios comerciais.
"Acreditamos que não é sustentável que economias que não funcionam segundo as regras de mercado coloquem no exterior um fluxo interminável de exportações baratas", afirmou Bessent aos jornalistas, acrescentando que esta posição foi partilhada por todos os membros do G20, exceto um.
"É evidente que o país com o maior e insustentável excedente da balança corrente do mundo, a República Popular da China, foi quem discordou", acrescentou.
A administração Trump, em linha com vários economistas, tem responsabilizado a China pelos desequilíbrios comerciais globais, apontando para o elevado excedente comercial chinês, em contraste com o défice dos Estados Unidos.
Bessent abordou também o próximo encontro entre Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping.
O secretário do Tesouro afirmou ter alertado outros países, no início do segundo mandato de Trump, de que a nova "muralha tarifária" dos Estados Unidos levaria os produtos chineses a serem desviados para outros mercados.
"E, infelizmente, eu tinha razão", afirmou. "O resto do mundo provavelmente precisa de analisar seriamente o que deve fazer para proteger os empregos dos seus cidadãos e a sua base industrial, para que tudo o que fazem não seja deslocalizado", acrescentou.
Bessent revelou ainda que Trump e Xi vão discutir a regulação da inteligência artificial (IA) quando se reunirem este mês, defendendo a necessidade de mais salvaguardas para impedir que "atores não estatais" desenvolvam os próprios modelos.
O responsável afirmou ter transmitido diretamente aos líderes do setor que as empresas de IA, "quer sejam as construtoras dos centros de dados, quer sejam os próprios laboratórios", fizeram um "trabalho horrível" a explicar a tecnologia à população norte-americana.
"Vão ter de assumir parte da responsabilidade e convencer o povo norte-americano de que todos os benefícios não vão ficar concentrados num pequeno grupo", disse.
Após a conferência de imprensa, Trump escreveu na sua rede social que foram mantidas "conversações muito produtivas e positivas" durante as reuniões do G20.
"Outros países deveriam seguir o nosso exemplo", acrescentou.
As políticas tarifárias da Administração Trump têm sido criticadas por economistas e políticos por aumentarem os custos para os consumidores norte-americanos e, em muitos casos, penalizarem aliados.
Segundo a Tax Foundation, um centro de estudos independente, as tarifas impostas pela Administração Trump ao longo de 2025 aumentaram em cerca de 7% os preços de venda a retalho dos bens de consumo importados, face à tendência anterior à aplicação das taxas.
O secretário do Tesouro tem apontado o excedente comercial da China, que atingiu o valor recorde de 1,2 biliões de dólares (cerca de 1,03 biliões de euros) em 2025, como um obstáculo ao crescimento económico mundial, juntamente com aquilo que considera ser regulamentação excessiva.
A dívida mundial atingiu entretanto um máximo histórico de 353 biliões de dólares (cerca de 304 biliões de euros), enquanto a dívida dos Estados Unidos alcançou o recorde de 40 biliões de dólares (cerca de 34,5 biliões de euros) em agosto.
Perante os receios dos mercados sobre uma eventual venda em massa de obrigações do Tesouro norte-americano, Bessent afirmou não considerar que os mercados obrigacionistas estejam perante "qualquer tipo de situação grave".