A companhia aérea brasileira Gol escolheu Lisboa para ser o destino da sua primeira rota direta entre o Brasil e a Europa. A partir desta quarta-feira, a transportadora carioca arranca o percurso Rio de Janeiro-Lisboa, aumentando a concorrência entre as empresas de aviação que fazem esta travessia do Atlântico, como a TAP.
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EscolherSem promessas de bilhetes sempre mais baratos, a companhia com sede no Rio de Janeiro garante que o “diferencial é no produto executivo”. “Não queremos fazer o undercut [vender mais barato] da TAP. Não estamos a prometer que vamos ser sempre mais baratos. Não queremos criar a expectativa nas pessoas de que os preços serão mais caros ou mais baratos, porque vai variar de voo para voo e com a lei da oferta e procura”, afirmou Mateus Pongeluppi, vice-presidente da comercial e de clientes da Gol, em conferência de imprensa, em Lisboa.
Questionado sobre se está a apoiar a Air France-KLM, com quem tem uma parceria de longa data, na reprivatização da TAP, o responsável comercial da Gol escusou-se a escolher um lado e respondeu que “a Gol está a torcer pela TAP neste processo”. “É verdade que são mais de dez anos de relação sólida com a Air France, transportamos 90% dos passageiros para o Brasil que chegam da Air France, mas neste processo tomámos a decisão de fortalecer a nossa relação comercial com a TAP”, defendeu Mateus Pongeluppi.
Para a liderança da transportadora aérea, apesar de a TAP ser concorrente neste mercado brasileiro, é uma empresa “muito importante para o Brasil”. “Imagine um mundo em que abro as portas de cooperação com a TAP e ela para nós. Dá-se mais oportunidades para os clientes em conjunto”, argumentou o vice-presidente comercial, acrescentando que adquirir bilhetes da Gol no site da TAP” “é uma possibilidade futura”, dado que “a conversa ainda está a acontecer”.
Estamos a estrear a Europa, partindo aqui de Lisboa, porque não podia ser diferente, com todos os laços que temos. Digo sempre que temos de reduzir o Atlântico. Conhecemos pouco um do outro.
A comitiva da Gol esteve esta terça-feira em Portugal a explicar os objetivos desta expansão internacional, que se deve à integração no grupo Abra, em 2022, cuja ambição é ter mais voos intercontinentais. Para a rota transatlântica, o objetivo é trazer a bordo viajantes corporate turistas da América do Sul (não só vindos do Brasil, mas também de Buenos Aires ou Montevidéu, por exemplo) e ir “conquistando público europeu” para o trajeto Lisboa-Rio.

A rota recém-inaugurada terá quatro frequências semanais, inicialmente, mas a partir de dia 24 de novembro haverá uma quinta frequência semanal sem escalas entre o Rio de Janeiro (Aeroporto do Galeão) e Lisboa (Aeroporto Humberto Delgado), com partida às terças-feiras a bordo de aviões de dois corredores (widebody) da Airbus (A330). No encontro com os jornalistas, Mateus Pongeluppi referiu que este modelo de aeronave maior põe fim a uma história de “operação padronizada”, desde 2001, com a Boeing.
Danillo Barbizan, diretor de vendas da Gol, foi mais longe e declarou que “a transformação que os dois corredores trouxeram para a empresa foi uma mudança de cultura e mentalidade”. Além dos 280 lugares disponíveis na classe económica, existem 20 assentos na classe executiva que são o foco da captação da clientela daqui para a frente. É aí que a Gol pretende marcar “gol”, portanto assinou um acordo com o chef brasileiro Felipe Bronze, premiado com duas estrelas Michelin, e insígnias de prestígio, como a perfumaria Granado.
“A classe executiva chega super competitiva para o mercado. Desde a pandemia, começámos a ver o viajante de lazer a organizar-se para poder ir na classe executiva também, em vez de apenas o viajante corporativo”, contou Danillo Barbizan, ressalvando que 85% dos passageiros (ainda) viajam na Gol para negócios. Quanto à nacionalidade, denota-se “equilíbrio” entre portugueses e brasileiros que procuram o “conforto” do idioma. “A minha mãe nunca voaria para a Europa em Lufthansa ou Air France-KLM porque teria dúvidas se falariam português a bordo”, exemplificou Mateus Pongeluppi.
A nossa intenção não é dividir uma parte, o bolo, do mercado: é trazer mais passageiros para a indústria e fazer uma autêntica invasão laranja nas agências de viagens. Por natureza, o brasileiro quando vem para a Europa, quando cruza o oceano, procura Portugal como primeiro destino.
A Gol tem equipa de mais de 16 mil trabalhadores, opera uma frota de 146 aeronaves Boeing 737 – além dos cinco Airbus previstos em regime de leasing – e conta com alianças com as companhias Avianca, American Airlines e Air France-KLM. Em 2025, teve um prejuízo de 1,3 mil milhões de reais (cerca de 219 milhões de euros), o que corresponde a uma queda de 78,5% em relação ao ano anterior, mas as receitas cresceram, em termos homólogos, para 22,1 mil milhões de reais (na ordem de 3,7 mil milhões de euros).
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