Ex-quadros portugueses da Revolut e N26 lançam fintech após captarem 3,2 milhões

Os empreendedores portugueses André Silva e Mateus Mesquita Alves, antigos quadros dos bancos digitais Revolut e da N26, juntaram-se para criar um negócio próprio de private banking online. Depois de ganhar experiência nas duas maiores fintechs da Europa, a dupla lançou a startup Quartz para automatizar a gestão de património através de inteligência artificial (IA).

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Os fundadores da Quartz anunciaram esta quarta-feira que captaram 2,75 milhões de libras esterlinas (cerca de 3,2 milhões de euros), numa ronda de financiamento inicial (pré-seed) liderada pela sociedade de capital de risco francesa Daphni e na qual participaram também a Outward e a K Fund, além de apoio de investidores como Philippe Gelis, fundador da Kantox (do BNP Paribas), e Gilles BianRosa, ex-Chief Product Officer da N26 e da Kraken.

A angariação de capital financiou a criação da Quartz, a contratação de quase 10 pessoas, que trabalham entre Londres, Porto e Barcelona, a obtenção das licenças regulatórias no Reino Unido, bem como a tecnologia que liga esta app luso-britânica a bancos, corretoras e fundos de pensões. Mas, a partir de agora, a estratégia mudará, como explicou ao ECO o cofundador e CEO da Quartz, André Silva. O plano é atrair uma nova geração de investidores e transformar o robôs em assessor.

“A partir de hoje, o foco muda para três coisas: crescer no Reino Unido com a qualidade de experiência que queremos para cada novo membro, continuar a alargar a cobertura de instituições, e preparar o passo seguinte do ponto de vista regulatório, o aconselhamento”, afirmou André Silva, acrescentando que “em breve” entrará na empresa uma responsável de crescimento (head of Growth) e um jurídico, de risco e compliance (head of legal), além de reforços para a área de engenharia, no Porto, onde se encontra “boa parte” da equipa técnica.

André Silva, CEO da Quartz foi responsável global de Expansão e general manager na Revolut e Mateus Mesquita Alves, Chief Product Officer, foi senior manager de Produto no N26

Questionado sobre a intervenção da tecnologia na movimentação do dinheiro, André Silva explicou que o agente de IA, chamado Charlie, “só lê, analisa, explica e sugere, mas não move fundos” nem executa ordens, portanto não pode fazer alteração nas contas. Então, de onde vem a informação de que se alimenta o algoritmo? Das seguintes fontes:

  • Contas bancárias e de poupança (open banking regulado no Reino Unido, pois a Quartz está registada no regulador como prestador de serviços de informação sobre contas)
  • Plataformas de investimento e fundos de pensões (as tais ligações técnicas)
  • Dados que o cliente quiser facultar manualmente, entre os quais imóveis ou participações privadas ou até objetivos

Avisa proativamente quando algo relevante acontece, um dividendo, uma alteração de regra fiscal, uma concentração que subiu mais do que o normal, e responde a qualquer pergunta sobre o portefólio, da rentabilidade real depois de comissões e câmbio à exposição ao dólar ou ao fundo mais caro que a pessoa detém”, exemplifica André Silva, que esteve por detrás do crescimento da Revolut em mercados como Brasil, Índia, México, Japão e Nova Zelândia.

Mais de 11 milhões em ativos

Fundada em 2025, a Quartz nasceu da ideia de que o acesso a aconselhamento e acompanhamento patrimonial personalizado se mantém sobretudo reservado a uma minoria, nomeadamente indivíduos de elevado património. Então, à semelhança dos neobancos que os acolheram no passado, Mateus e André – uma espécie de ‘dupla sertaneja’ das fintechs – desenvolveram uma aplicação que reúne num único local dados sobre poupanças, investimentos, planos de reforma e outros ativos financeiros.

Em simultâneo, a recém-lançada fintech recorre a IA para auxiliar as pessoas a acompanharem a sua situação financeira “de forma mais simples e informada”, porque destaca determinada informação em função dos objetivos e contexto pessoal do utilizador. Atualmente, a empresa acompanha mais de 10 milhões de libras em ativos (aproximadamente 11,7 milhões de euros).

Tem uma subscrição simples e transparente: 16,99 libras por mês ou um plano anual com desconto. Não há comissões, custos escondidos e não cobramos uma percentagem do património, que é o modelo da indústria e a razão pela qual os custos crescem à medida que a pessoa vai enriquecendo. O preço é o mesmo para quem tem £50 mil ou £2 milhões.

A Quartz, que está disponível nos sistemas operativos iOS e Android, deu esta quarta-feira início à admissão gradual dos primeiros utilizadores da sua lista de espera no Reino Unido, mas a plataforma – que é um private banker digital – será apenas disponibilizada por convite e de forma faseada. Para Portugal, ainda não há data de lançamento.

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