Calor e incêndios. "O que devemos fazer é abandonar o carvão, o petróleo e o gás mais rapidamente"

A humanidade deve “abandonar o carvão, o petróleo e o gás mais rapidamente”. Quem o prescreve é o secretário executivo das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. Diante da devastação causada pelos incêndios dos últimos dias no sul da Europa, Simon Stiell veio esta terça-feira avisar que o “alarme climático está a soar alto em todo o lado”.

Os efeitos das alterações climáticas, acentuou o responsável da ONU num testemunho citado pela agência Lusa, estão a atingir dimensões históricas, ao passo que “os custos da dependência da humanidade na queima de carvão, petróleo e gás continuam a disparar”.

A somar aos incêndios em França e Espanha, Simon Stiell evocou também temperaturas próximas dos 49 graus Celsius no norte de África, tempestades devastadoras no Chile e até a situação no Japão, que regista este ano a sua maior vaga de calor desde que há registos, acima dos 40 graus.

A destruição causada pelas recentes cheias em El Islon, Chile | Nicolas Cortes - ReutersAs autoridades francesas determinaram nas últimas horas a deslocação de quase quatro mil pessoas a partir da costa atlântica da região de Gironda, no sudoeste do país, face à subida da temperatura.

O incêndio em território francês foi entretanto dado como estabilizado. Contudo, continua longe da extinção. Desde a semana passada, cerca de 220 mil pessoas foram retiradas das suas casas.

Em Espanha, centenas de bombeiros continuavam a mover o combate a vários incêndios florestais, depois do que o Governo espanhol descreveu como uma noite “razoavelmente positiva”.O país vizinho aguarda agora a quarta vaga de calor deste verão.

A relativa melhoria do quadro permitiu entretanto suspender as ordens de evacuação para 13 municípios da Comunidade de Madrid e da vizinha Castela e Leão.

A oeste da capital espanhola, os incêndios já consumiram 77 mil hectares, uma área sete vezes maior do que Paris.

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, sublinhou que os esforços dos bombeiros e militares, “durante horas muito difíceis e críticas”, permitem “começar a ver uma luz ao fundo do túnel”.

El negacionismo climático es el peor de los combustibles ante la emergencia climática.

Hoy, con más fuerza y argumentos que nunca, reclamo el acuerdo de país que más necesita España. El Pacto de Estado frente a la Emergencia Climática es un imperativo. pic.twitter.com/xkwQ42tlTa

— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 28, 2026

Numa outra declaração, reproduzida na rede social X, o chefe do Executivo espanhol sustentou que "a negação das alterações climáticas é o pior combustível possível diante da emergência climática".

No oeste de Espanha, os incêndios de Valência fizeram uma vítima mortal, tendo queimado mais de sete mil hectares.

c/ agências